Lucia Sebben nos convida a refletir sobre a importância da saúde mental com a campanha do Janeiro Branco, que incentiva o autoconhecimento e o cuidado pessoal. Em um mundo que muitas vezes banaliza o estresse e o sofrimento, é essencial assumir a responsabilidade inalienável por nossa saúde emocional. Este artigo destaca práticas simples que podem transformar nosso bem-estar e nos convida a criar um espaço para debates sinceros sobre saúde mental no trabalho e na vida pessoal.

Saúde Mental – Um Bem Inalienável
O Janeiro Branco é uma campanha brasileira dedicada à conscientização sobre a saúde mental e emocional. Criada em 2014, o objetivo é promover reflexões, debates e ações que ajudem a combater o estigma sobre transtornos mentais e incentivar o cuidado com a saúde psicológica.
O primeiro mês do ano foi escolhido por ser um período em que muitas pessoas estão mais propensas a fazer balanços pessoais e planejar mudanças. E a cor representa uma “página em branco”, simbolizando a possibilidade de reescrever histórias e construir um novo começo.
(Não deixe de ler: “Como avaliar Riscos Psicossociais no Trabalho?“)
Portanto e sendo assim, sugiro tratar deste assunto de forma prática e realista, sem despejar números ou dados estatísticos que assustam e desanimam, mas convidando vocês a um olhar sincero sobre o que tenho feito pela minha saúde mental? É provável que muitos pensem – estou bem, não preciso de nada! Mas será? Qual o tanto de sofrimento já aceito como normal? Até que ponto já não está banalizado? Ou seria vergonha e constrangimento de descobrirem que voce busca por ajuda? E os bons hábitos como mindfullness que você afirma não ter tempo ou achar que não serve para você?
Muito antes de se perguntar sobre o que a empresa deveria estar fazendo pela saúde mental de seus empregados, parece ser bem mais saudável e produtivo avaliar o que você está fazendo por você mesmo. E não se trata de deixar de lado a responsabilidade do empregador sobre os danos causados por ambientes tóxicos, mas sim de perceber que alguns assuntos são inalienáveis, e sendo assim, não é possível terceirizar as responsabilidades que temos (ou deveríamos ter) sobre nossa saúde mental.
(Saiba mais: “Riscos Psicossociais e o Papel dos Profissionais de Psicologia“)
Nos tempos atuais é fácil perceber o quanto aceitamos e até mesmo banalizamos o estresse e as dificuldades da vida diária sem nada fazer a respeito. Parece ser de comum acordo que, viver em sofrimento, exaustos e oprimidos são parte de uma vida de sucesso na carreira. Será isso mesmo? Precisamos pagar esse preço para mostrar ao mundo que somos bem-sucedidos e prósperos? Isso faz sentido? Você realmente está disposto a isso?
Vale lembrar que ao falar em saúde mental tratamos de bem-estar e equilíbrio, mas também é preciso reconhecer que é uma jornada de autoconhecimento e sendo assim, nos convida e visitar algumas porções da nossa história, que em alguns momentos tentamos fugir ou negar. Mesmo assim, uma experiência libertadora que nos devolve as rédeas de nossa existência para escolher a realidade que queremos criar.
(Leia mais: “Riscos Psicossociais no PGR e a Alteração da NR 1“)
Cuidar da saúde mental também significa decidir por viver a um estilo de vida prazeroso e agradável onde as demandas pessoais, sociais, emocionais e profissionais andam em comum acordo, ou seja, uma cede espaço a outra permitindo uma vida leve, com satisfação pessoal e orgulho de si mesmo.
Sendo assim, não podemos ignorar que, falar sobre isso e cuidar de si implica em enfrentar tabus e derrubar dogmas que vem sufocando a possiblidade de uma vida mais feliz. Sim, cuidar da saúde mental é um caminho de felicidade.
Saúde mental não se adia, não se terceiriza e não pode se limitar por desculpas. Alguns simples hábitos que não requer dinheiro (caso isso seja uma limitação) podem fazer toda a diferença. Por exemplo: yoga, meditação ou práticas de respiração e yoga fazem toda a diferença na qualidade de vida. Representam poucos minutos do seu dia e tenha a certeza que os resultados não recompensadores.
(Leia também: “A Inclusão dos Riscos Psicossociais no GRO“)
Estimule seus amigos e colegas a irem com você neste propósito. Incentive conversas sobre saúde mental em diferentes contextos (trabalho, escola, família). No seu trabalho, encoraje as pessoas a pedirem ajuda e oferecer ajuda uns aos outros. Leve sugestões ao RH, aos seus líderes para o desenvolvimento de políticas voltadas ao bem-estar psicológico, e a promover ações educativas e preventivas, como palestras, rodas de conversa e atendimentos gratuitos.
As empresas têm reconhecido a importância de investir na saúde mental dos trabalhadores, especialmente diante do aumento de transtornos como ansiedade e depressão. Algumas já despontam com ações inovadoras e diferenciadas neste sentido.
Mas não espere por isso. Comece agora e faça você mesmo. Sinta orgulho de suas iniciativas, definas metas e objetivos que tragam maior bem-estar em sua vida, e construa nos seus novos hábitos, uma nova versão de si mesmo, mais leve e mais feliz. Como dizia Walt Disney: ‘É hora de parar de falar e começar a fazer.”
Janeiro branco acontece nos 12 meses do ano!
(Sobre Riscos Psicossociais, leia também: “Riscos Psicossociais no Trabalho: O que Muda com a NR 1 e Como Adequar sua Empresa“)

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