A segurança do trabalho é um tema de grande importância em qualquer empresa ou organização. Manter os trabalhadores seguros e saudáveis no ambiente de trabalho não só é uma obrigação legal, mas também é fundamental para garantir a produtividade e o bem-estar dos colaboradores.
Muitas vezes pode ser difícil engajar os trabalhadores na segurança do trabalho, especialmente porque alguns trabalhadores acreditam que as normas e procedimentos de segurança são um incômodo, algo que atrapalha, como algo sem sentido.
Neste artigo, apresentaremos algumas estratégias para engajar os trabalhadores na segurança do trabalho e criar uma cultura de segurança dentro da empresa.
TREINAMENTO AJUDA A ENGAJAR O TRABALHADOR?
Como se fala em engajar o trabalhador à ideia que vem na mente de muita gente é o treinamento, mas sejamos realistas, treinamento não engaja ninguém.
Infelizmente na maioria das empresas, o treinamento de segurança é chato, maçante, dá sono…
O DDS precisa mudar, os treinamentos precisam mudar. Para virar a chave do treinamento e DDS, vale a pena adicionar uma boa dose de andragogia. Mas mesmo assim, o treinamento é algo passivo e por isso tem pouco potencial de engajar alguém.
MAS COMO ENGAJAR O TRABALHADOR NAS AÇÕES DE SEGURANÇA DO TRABALHO?
O Psicólogo americano Scott Geller costuma dizer que:
As pessoas só apoiam aquilo que elas ajudam a criar.
As pessoas na verdade só querem ser “convidadas para dançar”, querem participar, desejam pertencer a uma causa, querem ser ouvidas.
O que fazer para efetivamente, ouvir e engajar o trabalhador? Veja aqui algumas ideias:
– Criar grupos de discussão: É possível criar grupos de discussão, de pesquisa de opinião e conversa, convidar as pessoas para trazer os problemas organizacionais, estimulando o grupo a trabalhar nos problemas, oportunidades e dificuldades trazidas.
Quando a gente passa a fazer segurança no trabalho com os trabalhadores à percepção que eles passam a ter em relação à própria segurança muda tudo! A premissa básica é, quer engajar alguém? Dê trabalho a ele, trabalhe junto com ele.
– Reconhecer e incentivar: quando o trabalhador erra, sempre há alguém para cobrá-lo, para criticá-lo, mas e quando ele acerta. Nada precisa ser dito?
Esse é um dos fatores que fazem as pessoas se afastarem da segurança do trabalho, a negatividade! Todo mundo diz que SST é importante, mas quando se fala no assunto só falamos de regras, de normas, de punição, de cobrança e isso é chato e afasta as pessoas.
Sugestão de vídeo: Porque as pessoas falam de segurança, mas não gostam dela? Como mudar isso?
Um simples elogio, se genuíno, possui alto potencial de engajar.
Ao reconhecer e incentivar uma pessoa por estar utilizando os EPIs, você estará mostrando a pessoa reconhecida que o comportamento que foi elogiado é um comportamento a ser mantido. E lembremos que quando o comportamento é mantido por muito tempo, ele se tornará um hábito, nesse caso, um hábito seguro.
– Líderes e alta gerência mostrando e dando exemplo: A liderança e o engajamento da alta gerência são fundamentais para criar uma cultura de segurança dentro da empresa.
A alta gerência deve dar o exemplo, seguindo os procedimentos de segurança e demonstrando um compromisso com a segurança dos trabalhadores. Além disso, a alta gerência deve fornecer recursos adequados para a segurança do trabalho e incentivar a participação dos trabalhadores na identificação e resolução de problemas relacionados à segurança.
– Líderes cuidando das pessoas: muitos daqueles que recebem um crachá de líder nas empresas na verdade não são líderes, são chefes! O líder lidera pessoas, o chefe gerencia coisas…
Líder que tem alergia de gente não é líder, pode até ser chefe, mas não líder. O líder quando demonstra atenção às pessoas acaba engajando as pessoas.
A Towers Watson fez um estudo sobre a força de trabalho que trouxe descobertas interessantes. O estudo contou com a participação de 32.000 empregados de 29 países. A conclusão dele mostrou que nos setores onde os líderes cuidam ativamente das pessoas, os trabalhadores são 67% mais engajados no trabalho.
– Time de Segurança e liderança que ouve as pessoas: Que tal uma conversa imaginária sobre como seria isso na prática?
Imagina que você encontra um trabalhador trabalhando no setor dele, numa máquina sem proteção. Ele é uma pessoa que produz bem, mas entrega pouco em se tratando de segurança no trabalho.
A ideia é o TST Marcos conversar com o trabalhador João, para assim, melhorar a condição de segurança do maquinário. Vamos ser como seria?
– Oi João, como você está hoje?
Daí o João diz
– Estou bem, e você Marcos?
– Estou bem também.
– João, deixa eu te perguntar, sua máquina está segura?
– Marcos, ela está mais ou menos segura…
– Certo João, o que poderíamos fazer para que ela fique ainda mais segura?
– Ah, se tivesse uma proteção nessa parte aqui, nessa correia que está meio exposta, ficaria bem mais segura.
– É mesmo João, você acha que uma proteção nessa parte ficaria legal? Como você acha que conseguíamos colocar uma proteção aí?
– Mas você que é o Técnico de Segurança, eu esperava que você dissesse…
– João, você é o especialista na sua área. O SESMT não tem a intenção de mudar um parafuso aqui sem seu consentimento. Por isso te pergunto, na sua visão qual seria a melhor forma? Tem alguma ideia?
– Marcos, cara… eu acho que o pessoal da manutenção poderia nos ajudar!
– Certo João. Estou com tempo agora, e você também tem tempo para a gente resolver isso?
– Tenho sim!
– Ótimo. Se quiser posso chamá-los, e provavelmente eles virão agora mesmo. Fica bom assim, posso chamar?
– Pode!
Qual a ideia aqui? A ideia junto com o pessoal da manutenção e o João resolver o problema, e se for possível, fazer isso dando os créditos da ideia ao João, olha que simples!
Provavelmente nesse cenário teremos um efeito interessante. Depois da proteção instalada, a forma que o João vê o pessoal do SESMT e o TST Marcos, provavelmente mudará absurdamente.
Repare que nesse exemplo, a mudança ocorreu porque alguém ouviu o João, a sugestão dele veio para a prática, provavelmente toda vez que ele olhar para a proteção colocada, se lembrará de que ela está lá, de certa forma, por sugestão dele, ou seja, de certa forma, a medida de proteção é dele também. Assim geramos o sentimento de pertencimento.
É como diria minha amiga, a Juliana Bley, “aumente o botão da curiosidade e diminua o botão do julgamento”. Quando buscamos esse tipo de parceria com o trabalhador, o ganha-ganha vem naturalmente.
AVALIAÇÃO E MELHORIA CONTÍNUA
Por fim, é fundamental avaliar regularmente os procedimentos de segurança e buscar melhorias contínuas. Os trabalhadores devem ser incentivados a fornecer feedback sobre os procedimentos de segurança e a empresa deve estar disposta a fazer mudanças necessárias para melhorar a segurança do ambiente de trabalho.
Em conclusão, engajar os trabalhadores na segurança do trabalho é um processo contínuo que envolve comunicação clara e frequente, escuta ativa, reconhecimento e incentivo, liderança e engajamento da alta gerência, e avaliação e melhoria contínua. Ao adotar essas estratégias, a empresa pode criar uma cultura positiva, centrada nas pessoas e que engaja absurdamente bem.



