Adilson Monteiro, no artigo “Segurança Psicológica pode criar um cabo de guerra”, alerta que o tema vai muito além de discursos bonitos sobre escuta e engajamento.
Criar um ambiente seguro para falar exige liderança madura, empatia e abertura real ao conflito saudável.
O desafio aparece quando metas individuais, poder e ego transformam a colaboração em disputa. Por isso, a segurança psicológica deve ser tratada como princípio organizacional, não apenas como programa.
Segurança Psicológica pode criar um cabo de guerra
Por: Adilson Monteiro
“Segurança Psicológica é a crença compartilhada que um time é seguro para tomar riscos pessoais” (A. Edmondson)
Esta definição é muito festejada nas empresas atualmente como uma forma de aproximação e do comprometimento com os trabalhadores(as) para fazer um ambiente organizacional saudável.
Muito fácil de divulgar em documentação e nas falas dos líderes que precisamos ter Segurança Psicológica na organização, como meio de valorizar a fala de todos, aumentar o engajamento e até um “espírito de dono” do Negócio.
Não é só nas palavras que a materialização do conceito acontece, mas sim com ações e na sutileza da forma como os líderes encaram as dificuldades e opiniões alheias a fim de administrar saudavelmente conflitos no relacionamento e não criar um “cabo de guerra” a favor dos objetivos individuais e ao poder.
A crença compartilhada , significa que ambos os lados, de quem ordena e de quem obedece, se reconhecem como iguais em uma proposição de trabalho: primeira grande dificuldade. Passamos por fatores do exercício de poder do líder, do ego à empatia , além de uma escuta ativa necessária ao líder a fim de abrir os caminhos ao diálogo diverso e até conflitante nas defesas de idéias. Neste ponto, nossa cultura latina de povos colonizados, parece ter um fator no “DNA social” que implica uma forte tendência na obediência a quem tem poder, nos resignando a apatia ou frustração pelo medo do confronto nos pontos de vista e opinião própria declarada.
A segunda grande dificuldade é o compartilhamento departamental, em busca da Segurança Psicológica. A estruturação da empresa, baseada em metas e métricas (“dashboard”), impõe às equipes que defendam seus objetivos particularizados nas áreas. A defesa dos objetivos próprios, muitas vezes, colidem com os objetivos das outras áreas , especialmente, quando se trata de custo, como se o dinheiro não viesse do mesmo “bolso”. A possibilidade de não atender um objetivo em detrimento de outra área, mesmo que seja este algo bom para a empresa como um todo, torna-se difícil se a competição e o reconhecimento é dado somente por métricas individuais e consequente, o receio de assumir um “fracasso” a favor de outro departamento.
Assim o tema da Segurança Psicológica é vasto e complexo na estrutura organizacional, requerendo uma profunda análise do exercício do poder na estrutura e letramento da liderança , toda , sobre os benefícios da humanização das relações organizacionais , passando necessariamente pelo exemplo dado, em todas as camadas hierárquicas, para que seja realmente uma crença compartida. Assim, Segurança Psicológica nos remete a um princípio organizacional e não de um programa aplicado.
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