SUICÍDIO – ESTAMOS PERDENDO ESSA BRIGA POR CONTA DE TABUS E DESINFORMAÇÃO?

O suicídio reflete uma falha da sociedade quando se trata de olhar para o sofrimento de quem está ao seu redor. Demonstra que algo que deveria ter sido feito, não foi feito. E assim, o Brasil segue aumentando suas estatísticas na contramão da maioria dos demais países do mundo que estão conseguindo controlar estes casos.

Sabemos que a Pandemia do Covid19 disparou os números de transtornos mentais levando a atenção de, não apenas os profissionais da saúde, mas de cidadãos comuns, trabalhadores e líderes de diferentes setores para as questões relativas à saúde mental.

Conforme já era anunciado pela OMS em 2021, uma nova pandemia de avizinhava, porém desta vez, uma pandemia em saúde mental onde os casos de depressão, transtorno de ansiedade e estresse se destacariam. Hoje isso já é uma realidade, porém, sem a facilidade de uma vacina para ajudar na contenção.
O suicídio já é sabido como um fenômeno multicausal, o que significa que fatores genéticos e socioeconômicos contribuem para este desfecho, segundo a FIOCRUZ (2022). Observa-se ainda: crise sanitária, esgotamento físico e mental no trabalho e tabus frente a saúde mental. Este último merece uma atenção especial considerando o quanto pode estar impedindo a busca por ajuda devido a ausência do reconhecimento e o consequente desleixo ao tratamento dos transtornos mentais.

O número de suicídios no Brasil cresceu 11,8% em 2022 na comparação com 2021. O levantamento faz parte do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em julho. Em 2022, foram 16.262 registros, uma média de 44 por dia.

O suicídio é a segunda causa de morte entre jovens entre 15 e 29 anos no mundo hoje. Cerca de 90% poderiam ter sido evitados com medidas pontuais e responsáveis. Segundo a OMS o Brasil é o 8º pais do mundo em índices de suicídio.

No trabalho, observa-se casos crescentes de suicídio laboral, e por suicídio laboral compreende-se todas as iniciativas de interromper sua própria vida no ambiente de trabalho, ou por causa do trabalho. Nestes ambientes, falar sobre suas demandas pessoais e saúde mental parece ser uma dificuldade ainda maior reforçada pelo tabu de que “no trabalho não se fala em assuntos pessoais”. Pesquisas revelam que cerca de 72% dos trabalhadores não se sentem à vontade em falar sobre sua saúde mental com seu líder ou gestor. O medo de ser julgado, de perder o emprego ou ainda de ser rejeitado impede muitas pessoas de tratarem de suas demandas e de pedirem ajuda.

Burnout e Assédio Moral são parte de uma realidade ainda negada e não abordada pela maioria das empresas, o que gera ainda mais condições para ações de desesperança. Mas por trás de tudo isso, o medo de falar, o constrangimento e as inseguranças causados por inúmeros tabus que passam a ser um grande obstáculo na condução de soluções efetivas.

Não vivemos isolados. Precisamos uns dos outros. Pedir ajuda deve ser incentivado, mas para isso, é importante desenvolver ambientes psicologicamente seguros, em que a dignidade, a conexão e o cuidado com a vida sejam prioridade máxima, como um caminho o bem-estar social necessário para a prevenção de suicídio.

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