Adilson Monteiro, no artigo original “Programas para manipulação danosa na Segurança”, denuncia programas que tratam as pessoas como o problema da Segurança.
Quando todo acidente é explicado pelo “erro humano”, liderança e processos seguem intocados, como se fossem perfeitos.
Essa lógica cria treinamentos simplistas, tipo “Pare, Pense, Aja, Revise”, que ignoram o trabalho real, feito em grupo, num contexto complexo.
O resultado? Programas que manipulam comportamentos, culpam o trabalhador e fracassam em reduzir acidentes de verdade.
Ao contrário, abordagens como o HOP (Desempenho Humano e Organizacional) enxergam a Segurança como algo emergente do sistema, fortalecendo barreiras, aprendizados e design para apoiar decisões mais seguras e saudáveis, de forma participativa e não como marionetes.
Programas para manipulação danosa na Segurança
Por: Adilson Monteiro
Existe grande equívoco quando na Segurança desenhamos um programa partindo de um pressuposto que as pessoas são o problema no processo.
Desta forma, qualquer estudo de acidente apontará para o comportamento humano inseguro que levou ao evento, olhando este somente com a perspectiva do humano como ponto falho no sistema , enquanto todo o resto, como liderança e processos, são tidos como perfeitos em sua decisão ou construção.
Conceitos de alguns programas que estão no mercado, que elencam o indivíduo na organização como algo que pode ser programado e padronizado, foram amplamente vendidos para as organizações como “bala de prata” para eliminar os acidentes .
Partem de uma sequência de ações como doutrina para igualar comportamentos e decisões das pessoas, mas que não levam em conta um contexto complexo e dinâmico, e assim fracassam.
Linhas de treinamento que reduz o humano em algo programável para ações, como:
– Pare: fazer uma pausa e concentre-se na tarefa em questão.
– Pense: considerar os riscos potenciais e as etapas necessárias para concluir a tarefa com segurança.
– Aja: executar a tarefa ou avalie a situação usando medidas e ferramentas de segurança apropriadas, como os equipamentos de proteção individual (EPIs) adequados.
– Revise: Após a conclusão da tarefa, revisar o resultado.
Veja que esta maneira como um trabalhador(a) pode executar sua tarefa de forma isolada e imaginada , não faz sentido algum em um mundo real e complexo do trabalho como é feito e em GRUPO.
A busca destes programas é o foco no “erro humano” e nos “estados de espírito” individuais (como pressa, frustração, fadiga e complacência) sendo usado para culpar o trabalhador quando ocorre um acidente, eximindo a liderança e/ou processo da sua deficiência ou responsabilidade, nascem fracassados.
Com este foco obtuso, não se leva em conta questões sistêmicas sendo insuficiente para abordar as influências organizacionais e as lacunas processuais que levam os funcionários a agir de forma insegura, ou seja no contexto produzido.
No HOP , desempenho humano e organizacional, estudamos a complexidade das relações entre pessoas , liderança e processo de uma forma a respeitar os fatores humanos, as interações pessoais e em grupo, entendendo que a Segurança é um fenômeno emergente do sistema e por conta disso, devemos encontrar meios de desenvolver capacidades no sistema (barreiras, aprendizados tácitos, design etc.) que ajudem as pessoas a tomarem decisões seguras e saudáveis de forma participativa e não ajustáveis como marionetes.

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