A Previsibilidade dos Acidentes e a Negligência na Gestão de Riscos

Em uma análise perspicaz, Wesley Silva revela a previsibilidade dos acidentes no ambiente de trabalho e a negligência na gestão de riscos. Silva argumenta que os sinais de degradação e falhas são frequentemente visíveis e detectáveis, mas muitas vezes ignorados, levando a consequências desastrosas. Ele destaca que uma abordagem abrangente e uma cultura de segurança são essenciais para a prevenção eficaz de acidentes, citando exemplos como os desastres da Deepwater Horizon e Bhopal para ilustrar a importância de uma gestão de riscos proativa e responsável.

Gestão de Riscos e Prevenção de Acidentes

A Previsibilidade dos Acidentes e a Negligência na Gestão de Riscos Acidentes são eventos que, embora muitas vezes inesperados, não são verdadeiramente imprevisíveis.

“O acidente é algo previsível, e os sinais de degradação e falhas no gerenciamento de riscos são facilmente detectáveis. Esses sinais se acumulam com o passar do tempo e a questão principal é por que desperdiçamos as oportunidades de evitá-los.”.

Essa reflexão nos leva a considerar a natureza dos acidentes e a importância de uma gestão eficaz de riscos. Na maioria dos casos, os acidentes não são resultado de um único erro ou evento isolado, mas sim de uma série de falhas que se acumulam ao longo do tempo.

Essas falhas podem ser decorrentes de problemas como a falta de manutenção adequada, treinamento insuficiente, supervisão negligente, comunicação ineficaz e uma cultura organizacional que não prioriza a segurança.

Cada um desses fatores contribui para um ambiente onde os riscos são elevados e os acidentes se tornam inevitáveis. O conceito de multicausalidade nos acidentes reforça a ideia de que, para prevenir acidentes, é essencial adotar uma abordagem abrangente.

Isso envolve não apenas a identificação e correção de falhas técnicas e operacionais, mas também a promoção de uma cultura de segurança que valorize a prevenção e a proatividade. Infelizmente, muitas organizações falham em reconhecer e agir sobre os sinais de alerta que indicam degradação e falhas na gestão de riscos.

Esses sinais de alerta são frequentemente visíveis e podem ser identificados através de inspeções regulares, auditorias de segurança, feedback dos trabalhadores, abordagens de segurança, gestão de incidentes e monitoramento contínuo dos processos.

No entanto, mesmo quando esses sinais são detectados, muitas vezes são ignorados ou subestimados, seja pela liderança, gestores ou até mesmo equipes do SESMT. Isso ocorre por diversos motivos, incluindo complacência, falta de recursos, prioridades conflitantes e uma falsa sensação de segurança.

Gosto de destacar que a ausência de acidentes não significa que a operação ou organização está segura. Pode-se ficar algum tempo sem acidente por outros fatores, já que risco não é uma certeza, e sim uma possibilidade, e certos fatores aumentam ou reduzem essa probabilidade. Mas bastará um erro em um determinado momento para gerar um evento de grandes consequências.

Se analisarmos melhor as operações de uma organização, veremos que os sinais de alerta estão lá, só precisamos saber o que e onde procurar. Por exemplo, um aumento nas taxas de incidentes menores, reclamações de funcionários sobre condições de trabalho ou falhas frequentes em equipamentos são indicadores precoces de problemas.

A questão central é entender por que as oportunidades de prevenir acidentes são desperdiçadas. A resposta, infelizmente, é complexa. Pode ser a falta de investimento em segurança, a cultura de “acomodação”, a pressa, o excesso de confiança, a falta de compromisso com a segurança como um valor fundamental da organização ou simplesmente a falta de conhecimento sobre os riscos envolvidos.

Quando a segurança é vista como uma prioridade secundária, as medidas preventivas são negligenciadas e as falhas se acumulam até que ocorra um acidente.

Quantas vezes após um acidente não escutamos frases do tipo: “Uma hora isso iria acontecer” ou “Isso não aconteceu antes por sorte”, indicando que o acidente já era algo perceptível, mas que não foi tratado antes de sua manifestação concreta.

Exemplos de Grandes Acidentes

Desastre da Plataforma de Petróleo Deepwater Horizon

Podemos considerar que o acidente, então, seria a materialização da consequência de um perigo presente, porém não gerenciado. Um exemplo de um grande acidente que ajuda a entender a negligencia sobre os sinais de alerta seria o Desastre da Plataforma de Petróleo Deepwater Horizon.

O acidente ocorreu em abril de 2010, a plataforma de perfuração Deepwater Horizon, operada pela BP, explodiu no Golfo do México, resultando em 11 mortes e um derramamento de petróleo devastador.

Segundo a investigação, havia sinais claros de problemas, incluindo falhas repetidas nos testes de segurança e problemas técnicos conhecidos que não foram abordados. A combinação de falhas técnicas, decisões gerenciais que priorizaram a economia de custos sobre a segurança e a falta de treinamento adequado contribuiu para o desastre.

Desastre de Bhopal

Outro exemplo seria o Desastre de Bhopal. Em dezembro de 1984, um vazamento de gás na fábrica de pesticidas da Union Carbide em Bhopal, Índia, resultou na morte de milhares de pessoas e afetou gravemente a saúde de centenas de milhares.

De acordo com relatórios, vários sinais de alerta sobre problemas de segurança, incluindo vazamentos anteriores e condições de trabalho inseguras, já haviam sido reportados à gestão da Union Carbide, que ignorou repetidos avisos. A causa do acidente foi uma combinação de falhas no equipamento, falta de manutenção, treinamento inadequado dos trabalhadores e cortes de custos.

Conclusão

Em um mundo ideal, a detecção desses sinais seria suficiente para promover ações preventivas e evitar tragédias. No entanto, a realidade nos mostra que essa premissa muitas vezes não se concretiza. Para mudar essa realidade, é crucial que as organizações desenvolvam uma cultura de segurança robusta, onde a identificação, análise e avaliação de riscos sejam parte integrante das operações diárias.

Isso inclui investir em treinamento contínuo, realizar manutenções preventivas, implementar sistemas de monitoramento eficazes, cultivar uma atitude de vigilância constante entre todos os membros da equipe, construir um processo de comunicação transparente e a implementação de sistemas de gerenciamento de riscos eficazes.

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Os artigos reproduzidos neste blog refletem única e exclusivamente a opinião e análise de seus autores. Não se trata de conteúdo produzido pela RSData, não representando, desta forma, a opinião legal da empresa.

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