Adilson Monteiro, em seu artigo “O paradoxo do distanciamento da Segurança na Operação”, aborda um tema provocativo: a percepção negativa da segurança no trabalho por parte dos próprios trabalhadores, vista muitas vezes como um inimigo em vez de um aliado. Monteiro destaca como práticas como a super valorização de procedimentos e a preferência pela punição contribuem para esse distanciamento, e propõe uma mudança de postura para uma abordagem mais humana e servidora, enfatizando a importância de ouvir, agir prontamente nos problemas e adaptar a comunicação às diferentes audiências. Este artigo é um convite à reflexão e ação para todos os profissionais de segurança do trabalho, sugerindo caminhos para reconstruir a confiança e melhorar a relação entre segurança e operação.
O Paradoxo do Distanciamento da Segurança na Operação
O paradoxo pode ser definido como argumento que contraria os princípios básicos e gerais que costumam orientar o pensamento humano.
A Segurança tem como senso comum trabalhar a favor dos trabalhadores (as) para a sua saúde e ambiente seguro, porém, muitas vezes , a Segurança , é vista como algo ruim pelo seu tom de punição ou de vigia da empresa nos seus procedimentos , estabelecendo-se como verdadeiro inimigo dos trabalhadores (as), constituindo assim um verdadeiro paradoxo de intenções.
O distanciamento da Segurança em relação a Operação se dá por alguns comportamentos típicos :
– Super valorização de procedimentos: esta atitude faz com que a Segurança não tenha empatia para as situações reais dos trabalhadores (as) , criando neste o sentimento de falta de apoio;
– Reducionismo da condição humana no trabalho : A Segurança constantemente minimiza as reclamações feitas pelos trabalhadores (as) nos seus problemas individuais ou em equipe, criando antagonismo ;
– Ter a punição como primeira opção na solução de acidentes: isso cria uma situação de medo e revolta por parte dos trabalhadores (as) tendo um sentimento de injustiça geral , isolando e escondendo fatos ;
– Soberba: comportamento arrogante, presunçoso; prepotência da área da Segurança em termos de supor que conhece todos os trabalhos feitos pelos Trabalhadores(as) , o que não é verdade , deixando estes descrentes que podem receber uma ajuda válida da área.
Diante destas situações, a Segurança deve alterar sua forma de ver e agir na Operação. Uma postura servidora é muito bem vinda para reduzir este distanciamento e criar novos laços de relacionamento como os trabalhadores (as) , tais como :
– Ouvir mais do que falar : a atenção genuína em um relato ou uma preocupação , não prometendo nada , apenas se comprometendo em levar o assunto à frente, pelo menos e trazer feedback , seja qual for;
– Ter postura de ação nos problemas : ações interinas são muito bem vindas , mesmo as de pequeno porte ( uma sinalização , uma alteração mínima no processo , etc.), mostrando boa vontade e proatividade naquilo que nos é demandado;
– Falar muitas “línguas operacionais”: dependendo do grupo de pessoas que se interage a forma de comunicação muda ( exemplos , contexto , etc.) e assim importante se adaptar/ajustar termos e exemplos, ou seja , a apresentação de um problema para a linha de frente não é da mesma forma de se apresentar para a diretoria;
– Humanizar todas as relações : não há outra forma de aproximar das pessoas sem um olhar empático e de acolhimento, independente se há ou não há ação a ser feita. A sinceridade na relação deve começar por nós como exemplo .
O combate ao paradoxo do isolamento da Segurança é fundamental para ajudar a eliminar o silêncio organizacional , que prejudica a todos na Organização e uma das razões das surpresas na falta da prevenção e consequente acidentes ocorrem.

FONTE: Adilson Monteiro: O paradoxo do distanciamento da Segurança na Operação
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