Como podemos aumentar a percepção de risco?

percepção de risco

Já imaginou quantos riscos podem passar despercebidos no ambiente de trabalho, mesmo quando acreditamos seguir rigorosamente as normas estabelecidas? Segundo as análises de Adilson Monteiro, a percepção de risco na segurança ocupacional ainda é tratada de forma tradicional, vendo os trabalhadores apenas como engrenagens de uma máquina previsível e linear. Esse modelo ultrapassado ignora a crescente complexidade dos processos e das relações humanas, resultando em uma verdadeira “cegueira” diante dos perigos reais.

Na medida em que os cenários produtivos se tornam mais dinâmicos e imprevisíveis, abordar a gestão de riscos apenas a partir de uma perspectiva tecnicista, linear e hierárquica deixa de ser eficaz. Por isso, emergem as chamadas Novas Visões em Segurança, baseadas na participação ativa dos profissionais, no respeito mútuo, na segurança psicológica e no Design for Safety. Essas iniciativas priorizam a colaboração, a comunicação fluida e a construção coletiva de um ambiente intrinsecamente seguro, reduzindo a culpabilização individual e fortalecendo a resiliência organizacional.

Ao adotar estratégias mais humanas e complexas, gestores e equipes deixam de enfrentar apenas sintomas dos problemas e passam a atuar nas raízes estruturais da segurança. Assim, a percepção de risco deixa de ser “cega” e torna-se um processo integrado, transparente e, acima de tudo, eficaz, garantindo melhorias significativas não apenas na proteção, mas também na produtividade e no bem-estar de todos os envolvidos. Vamos então a leitura do artigo?

A percepção ”cega” dos riscos na Segurança

A percepção de risco está fortemente ligada a como os indivíduos se comportam no local de trabalho e como gerenciam sua segurança pessoal e em grupo. Assim a Segurança Ocupacional Tradicional foi moldada a uma  forma de pensamento como a extensão da administração técnica de trabalhadores(as) como peças padrão dentro de um mundo organizado, previsível e linear. Pontos como culpabilidade, disciplina hierárquica que leva a ditadura dos procedimentos e a centralização do processo decisório no trabalho impacta sobremaneira a forma de gestão da Segurança em detrimento da boa relação humana com o processo e sua gestão.

(Leia também: “O que mudou na segurança do trabalho em 2024?“)

Organizações hierárquicas são projetadas para impor correções no comportamento humano principalmente por meio da influência da estrutura hierárquica de comando-controle. Em uma hierarquia ideal, todas as influências/comunicações entre dois “trabalhadores” devem passar por um gestor comum.

Porém, nos dias atuais , dada a complexidade crencente do comportamento coletivo, aumenta o número de influências independentes e um gestor torna-se incapaz de processar/comunicar eficientemente em todas as situações emergentes, ou seja, a complexidade vai  para além da complexidade de um indivíduo, e a gestão colapsa.

Nesta situação cabe um paralelo na gestão de risco, onde o gestor incapaz de gerenciar parte para acreditar em práticas de gestão que o favorece , como incentivar uma “percepção de risco” como meio de prevenção e de total responsabilidade do trabalhador (a). Ora , se o gestor não tem condição de gerir adequadamente os riscos, mesmo todo os seu conhecimento do processo , como pode a linha de frente fazê-lo com conhecimento parcial deste?

Programas de capacitação da avaliação de riscos fornecidos aos trabalhadores(as), tais como sensibilização ao risco, carecem de profundidade para compreender este novo ambiente de trabalho em redes complexas. Não trabalhamos como um  fluxograma, mas sim,  trabalhamos em um ecossistema sociotécnico complexo e a abordagem da Segurança Tradicional não tem a capacidade adequada para articular essa realidade.

(Veja também: “Qual a técnica mais indicada para identificar riscos?“)

Nas Novas Visões, tem uma abordagem com base na complexidade humana (HOP), crescente participação dos trabalhadores(as) na gestão do risco em ambiente preparado para respeito às suas opiniões (Segurança Psicológica), redução da ação do comando-controle e a criação de contextos intrinsecamente seguros ( Design for Safety) o que efetivamente ajuda os gestores nestes tempos modernos. Grandes empresas já estão neste caminho e será uma questão de tempo para que a maioria perceba também as vantagens das Novas Visões.

(Fonte: “A percepção ”cega” dos riscos na Segurança“)

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