Saúde Mental no Trabalho – Brasil lidera em afastamentos por ansiedade e depressão
A saúde mental no trabalho tem se tornado uma pauta prioritária no Brasil, especialmente diante do aumento expressivo dos afastamentos por transtornos como ansiedade e depressão. Dados recentes apontam que, em 2024, mais de 440 mil trabalhadores foram afastados por problemas psicológicos, um crescimento de 67% em relação ao ano anterior. Esse cenário reforça a necessidade de uma abordagem mais estruturada para o gerenciamento dos riscos psicossociais dentro das empresas.
Diante dessa realidade, o governo federal atualizou a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-01), tornando obrigatório, a partir de maio de 2025, que as empresas identifiquem, avaliem e controlem fatores de risco psicossociais no ambiente de trabalho. Assédio, sobrecarga, estresse e condições organizacionais inadequadas passaram a ser reconhecidos como fatores de risco ocupacional e devem ser gerenciados da mesma forma que os riscos físicos, químicos e ergonômicos. A fiscalização será conduzida pelos auditores do trabalho, e o não cumprimento da norma poderá resultar em penalidades.
Aqui no blog da RSData, já abordamos essa mudança no artigo “Riscos Psicossociais no Trabalho: O que Muda com a NR 1 e Como Adequar sua Empresa“, onde destacamos os principais desafios que as organizações enfrentarão para se adaptar a essa nova exigência. No texto, explicamos como mapear os fatores de risco, implementar estratégias de prevenção e promover um ambiente de trabalho mais saudável.
A matéria exibida pela Band ressalta justamente essa transição no cenário corporativo brasileiro e a importância da adaptação das empresas para mitigar os impactos da saúde mental no ambiente de trabalho. A seguir, trazemos a transcrição da reportagem com comentários e reflexões sobre os pontos mais relevantes dessa nova realidade.
Confira abaixo a transcrição da matéria exibida pela Band, [Brasil é campeão em afastamentos de trabalho por ansiedade e depressão], publicada dia 15 de março de 2025.

Brasil é campeão em afastamentos de trabalho por ansiedade e depressão
O Brasil é campeão nos afastamentos de trabalho por ansiedade e depressão. A partir de maio, as empresas vão ter que adotar medidas para proteger a saúde mental dos funcionários.
A pressão por resultados no ambiente de trabalho afeta cada vez mais os brasileiros. O Douglas sabe bem como é isso, ele trabalha na área de compras de uma empresa de tecnologia, e precisou de atendimento psicológico devidos as crises de ansiedade.
“A gente escuta bastante dizer que a gente não pode deixar o pessoal misturar com o profissional, mas querendo ou não, a gente é ser humano, então está tudo sempre envolvido”, diz Douglas Klakoski.
A empresa onde ele (Douglas) trabalha desenvolve pesquisas sobre a Saúde mental de funcionários e gestores, e promove convenções anuais que tratam do tema.
“Nos últimos 2 anos a gente vem tendo uma queda dos níveis de ansiedade, dos números de atestado de saúde mental que são entregues dentro da empresa”, explica Gisleine Schimud, psicóloga empresarial.
Em 2024, mais de 440 mil trabalhadores foram afastados por causa de problemas relacionados a saúde mental no Brasil – isso é 67% a mais do que 2023, e a partir de maio desse ano (2025) entra em vigor a atualização da NR 01, a norma reguladora que estabelece as regras básicas de segurança e saúde do trabalhador.
Fatores como assédio, estresse, transtornos de ansiedade e carga mental excessiva precisam ser identificados e combatidos pelos gestores.
A medida não especifica exatamente o que cada empresa precisa fazer na prática, mas deixa claro que a partir de agora, a saúde mental do trabalhador ganha status de um ‘EPI’ – um equipamento de proteção individual, ou seja, o ambiente de trabalho, além de ser seguro fisicamente, também precisa ser saudável na parte psicológica.
As normas valem para todas as empresas, não importa o tamanho. Quem não cumprir as regras estará sujeito à multa. A fiscalização será feita inicialmente por auditores do trabalho, que em caso de descumprimento das medidas também poderão denunciar o caso ao ministério público.
“Ainda está muito embrionário […], eu acredito que ainda vão vir algumas regras, um ‘how’, o Ministério do trabalho vai ter com certeza uma lista de orientação, até para essas empresas, do que fazer, como fazer, muitas estão com essa dificuldade de saber como agir, como se adequar, isso eu acredito que vá acontecer para o futuro, mas é o início e o futuro a gente espera que só melhore”, comenta Ana Cláudia Cericatto, advogada trabalhista.
(Confira a matéria completa em: www.band.uol.com.br/videos/brasil-e-campeao-em-afastamentos-de-trabalho-por-ansiedade-e-depressao-17333307)

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