Riscos Psicossociais no Trabalho: por que a NR-1 ainda gera tanta confusão

No artigo de Adilson Monteiro, “Riscos psiconfusossociais”, o autor mostra como a inclusão dos riscos psicossociais no GRO da NR-1 trouxe mais dúvidas do que soluções. Embora esses fatores já estivessem presentes na NR-17, sua formalização na NR-1 veio sem método claro de avaliação — criando incertezas, adiamentos e insegurança para as empresas. A dor central está em como mapear, classificar e comprovar riscos mentais em um ambiente multifatorial. Entender essas lacunas é essencial para que organizações se preparem de forma realista e eficaz.

Riscos psiconfusossociais

Por: Adilson Monteiro

A NR1 através do Gerenciamento dos Riscos Ocupacionais (GRO) deve abranger os riscos decorrentes de agentes físicos, químicos e biológicos, acidentes e os riscos relacionados aos fatores ergonômicos, incluindo os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho (subitem 1.5.3.1.4 da NR-1).

Porém ao incluir os riscos psicossociais, não detalha o método a ser utilizado para mapeá-los e gerenciá-los, tornando a aplicação confusa para as empresas. A confusão foi tanta que acabou por postergar um ano até maio/26 o inicio da fiscalização.

Não é por menos pois:

·       Os riscos psicossociais já estavam presentes na NR-17, que trata de ergonomia e organização do trabalho, mesmo que não fossem nomeados explicitamente como tal até a atualização recente da NR-1. Assim a gestão da ergonomia, incluindo os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho, que já era abordada pela utilização de dois métodos previstos: a avaliação ergonômica preliminar (AEP) e a análise ergonômica do trabalho (AET). Ela  já regulamentava fatores como ritmo de trabalho, conteúdo das tarefas, relações interpessoais e autonomia, que são aspectos psicossociais que afetam a saúde do trabalhador. Não era mais fácil aplicar  o que já existe?

·      A inclusão dos riscos psicossociais no mesmo ranking dos outros riscos indica o mesmo tratamento em qualificar e quantificar para priorizar as ações do GRO porém, sem indicar de uma forma clara como isto deva ser realizado. O método tradicional é a aplicação de uma pesquisa e os dados são analizados sobre todos os trabalhadores(as), o que dificilmente mostra um problema crônico geral e  assim, os outros riscos são facilmente priorizados à frente deste. Será efetivo esta inclusão?

·       A dificuldade em determinar a origem de uma doença mental reside na sua natureza multifatorial, pois ela pode ser desencadeada tanto por fatores de vida pessoal quanto pelo ambiente de trabalho, ou seja , foi o trabalho “a gota ou o grande volume que transbordou o balde”. Como provar esta linha tênue?

Finalmente o Governo lançou uma cartilha para tentar explicar toda esta confusão o que acabou repetindo aquilo que já se sabia e sem clareza , ou seja , indica a pesquisa por questionário por empresa/profissional especializado.

No mercado há um alvoroço para “abocanhar “ este filão de trabalho com discussões de quem pode fazer este  trabalho , outra confusão. Na minha opinião, somente o psicólogo organizacional, com  especialização em psicologia do trabalho, tem a expertise para identificar, analisar e propor medidas de controle, tendo todos os outros profissionais do SESMT como assistência colaborativa.

E a confusão continua…

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