Quando se fala em prevenção, quase sempre a primeira resposta é: “use o EPI”. O capacete e as luvas se tornaram símbolos universais da segurança, tão fortes quanto uma marca global. Mas será que esse pensamento não é um atalho perigoso? No artigo abaixo, Adilson Monteiro nos provoca a refletir: a verdadeira prevenção não está no corpo do trabalhador, mas sim no desenho do processo.
Por que os EPI´s são os queridinhos da Liderança para a Prevenção?
Para responder esta pergunta , pode-se abordá-la de diversas formas, tais como:
– Custo: colocar EPI´s nos trabalhadores(as) é bem mais barato que mudar o processo para que não os tenham. Muitas vezes acabam sendo a alternativa final pois a mudança de processo além dos investimentos a necessidade de atrasos ou mesmo limitações no processo que causariam redução da produtividade. Logicamente estas ações são tardias em relação à concepção do projeto, no design, local mais adequado para a eliminação, substituição e controle de engenharia para os riscos objetos da necessidade do uso de EPI´s.
– Cultural: a imagem do “capacete com luvas “é tão firmada na nossa cultura popular como a marca “Coca-Cola” na cultura pop, associando a Segurança a este símbolo universa da luva e capacete. Isto nos coloca em um lugar comum onde não se questiona a apresentação de EPI´s como solução na prevenção, sendo quase unanimidade aos Líderes sua necessidade. Seu questionamento na aplicação, causa estranheza e até um sentimento de perda da prevenção, já que o foco é proteger o indivíduo e nada mais lógico que haja uma defesa pendurada no corpo, como a de cavaleiros medievais se encaminhando para a batalha. Afinal quem ião carregar os os EPI´s são os outros.
– Comodismo: especialmente aqueda da equipe de gestão da Segurança, que podem compactuar com o custo e cultura do EPI, também tem facilitado seu processo de gestão, já que em caso de acidentes, já é elencada facilmente uma causa ligada ao uso ou na falta de determinação de um EPI que poderia preveni-lo ou minimizar suas consequências. Quanta vezes ouvimos a primeira frase em uma análise de acidentes: “mas ele estava usando os EPI´s?”, mesmo que estes não estejam diretamente ligados à prevenção do evento, como se ao buscar uma culpa do trabalhador(a) reduzisse o trabalho em corrigir situações do contexto em que ocorreu o acidente.
Assim fecha-se o círculo de razões “racionais” na aplicação prioritária do EPI: custo , cultura e processo.
Ora , convenhamos, EPI´s não são de todo tranquilo o seu uso e nem sua efetividade é total na proteção, já que sempre tem limitações técnicas ou de adequação à diversidade humana. A melhor prevenção é a quela que o processo protege as pessoas e não as pessoas se protegerem do processo, necessitando portanto destes desenhados com o humano ao centro, buscando as ações mais naturais e de bem-estar na execução das tarefas.
LEIA TAMBÉM O ARTIGO: EPI com CA Vencido no eSocial: Declarar ou Não?
No Design for Safety (DfS), buscamos soluções salutogênicas, ou seja , que a saúde e a prevenção sejam naturais e já estejam na concepção do trabalho e consequentemente a prevenção seja emergente do processo, de forma sustentável e humana, priorizando a eliminação , substituição e controles de engenharia , além da falha segura em detrimento ao uso de EPI´s ou mesmo de procedimentos, o que já está preconizado na NR1 quando aborda a hierarquia de controles na prevenção.

Os artigos reproduzidos neste blog refletem única e exclusivamente a opinião e análise de seus autores. Não se trata de conteúdo produzido pela RSData, não representando, desta forma, a opinião legal da empresa.


