FISPQ para FDS: sua gestão de produtos químicos está atualizada?

Wesley Silva, no artigo “O Fim da FISPQ e a Era da FDS”, alerta para uma mudança importante na gestão de produtos químicos nas empresas. A transição da FISPQ para a FDS não é apenas uma troca de nome: ela exige revisão de documentos, compras, estoque e inventário.
O desafio está em evitar que fichas antigas continuem circulando como se estivessem em conformidade. Atualizar esse processo é essencial para reduzir riscos, fortalecer a SST e transformar informação química em prevenção.

O Fim da FISPQ e a Era da FDS: Sua Gestão de Químicos Parou no Tempo?

Por Wesley Silva

No cenário dinâmico da Saúde e Segurança do Trabalho (SST), poucas mudanças geraram tantas dúvidas recentes quanto a atualização da NBR 14725. Se você ainda trata a documentação dos seus produtos químicos apenas como “papelada de gaveta”, é hora de acender o sinal de alerta.

Em uma recente transmissão focada nas dúvidas jurídicas do segundo semestre de 2025, especialistas jurídicos destacaram um ponto crucial que muitas empresas estão ignorando: o prazo para a transição da antiga FISPQ (Ficha de Informações de Segurança de Produtos Químicos) para a nova FDS (Ficha com Dados de Segurança) já expirou para os fabricantes. Mas e para você, que compra e armazena?

A Mudança: Mais que uma Sigla, uma Harmonização Global

A atualização da norma NBR 14725 (versão 2023) veio para alinhar o Brasil de forma definitiva ao GHS (Sistema Globalmente Harmonizado de Classificação e Rotulagem de Produtos Químicos). O prazo chave para essa adequação por parte dos fabricantes e fornecedores foi o dia 3 de julho de 2025.

Isso significa que, legalmente, qualquer produto químico fabricado ou comercializado após essa data obrigatoriamente deve vir acompanhado da FDS, e não mais da FISPQ.

O “Limbo” das Compras e o Passivo Oculto no Almoxarifado

Aqui reside o ponto cego da gestão de riscos em muitas empresas. Muitas  empresas estão comprando novas remeças de produtos químicos que já utilizava. Por exemplo uma empresa utiliza um produto a muitos anos na limpeza de peças, sempre teve a FISPQ do produto em arquivo, porém não atualizou para FDS.

Se a sua empresa realizou compras de produtos químicos após julho de 2025 e o fornecedor entregou uma FISPQ, há uma não conformidade na cadeia de suprimentos. A responsabilidade de manter o inventário atualizado não é apenas do fornecedor, mas também de quem adquire e utiliza o produto. A gestão de SST precisa atuar como uma barreira de controle no recebimento.

Diante deste cenário, deixo aqui a provocação central para a sua gestão de segurança:

“Você já atualizou as FISPQ dos produtos químicos de uso e armazenamento de sua empresa para FDS?”

O Que Fazer com o Estoque Antigo?

Uma dúvida comum esclarecida na análise é sobre o “estoque legado”. Se você comprou um produto químico antes de julho de 2025 e ele ainda está no seu almoxarifado com a FISPQ antiga, você não está necessariamente irregular. A exigência incide sobre a comercialização e fabricação a partir da data de corte.

No entanto, a boa prática de Higiene Ocupacional e gestão de riscos recomenda a proatividade. Mesmo para produtos antigos, solicitar a FDS atualizada ao fabricante garante que você tenha as informações toxicológicas, de transporte e de emergência mais recentes e alinhadas ao GHS.

Reflexão: A Ficha é Viva

A transição para a FDS não é um mero exercício burocrático de troca de nomes. Ela impacta diretamente:

  1. Treinamentos: Seus colaboradores sabem interpretar a nova FDS?
  2. Emergências: As informações da seção de combate a incêndio e primeiros socorros podem ter sofrido alterações críticas de classificação.
  3. Transporte: A classificação para transporte e números ONU devem ser checados na nova ficha para garantir conformidade com a Resolução ANTT 5998.

Próximos Passos para o Gestor de SST

Não espere a fiscalização ou, pior, um acidente químico para rever seus documentos.

  • Audite suas compras recentes: Verifique todas as aquisições pós-julho de 2025. Se houver FISPQ, notifique o fornecedor imediatamente (RNC).
  • Treine a equipe de recebimento: O almoxarife deve ser a primeira barreira, sabendo diferenciar uma FISPQ de uma FDS.
  • Atualize o Inventário: Utilize softwares de gestão ou planilhas de controle para monitorar a versão das fichas.

A segurança química começa na informação correta. Transforme a “papelada” em inteligência de prevenção.

Os artigos reproduzidos neste blog refletem única e exclusivamente a opinião e análise de seus autores. Não se trata de conteúdo produzido pela RSData, não representando, desta forma, a opinião legal da empresa.

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