BENZENO AGENTE MIELOTÓXICO REGULAR, LEUCEMOGÊNICO E CANCERÍGENO

NR 4

BENZINA, é o nome comercial do benzeno, um líquido incolor de cheiro doce característico agradável e altamente tóxico. Foi identificado pelo cientista Faraday em 1825 e sua fórmula química em anel hexagonal com um átomo de hidrogênio em cada ângulo foi estabelecido por Kckulê, em 1858. É obtido da hulha e do petróleo.

Benzeno é a base para a classe dos hidrocarbonetos. Isto quer dizer que para que um composto seja classificado como hidrocarboneto aromático, é necessário que tenha pelo menos um anel ou núcleo benzênico.

benzeno cuja fórmula é C6H6, pode trazer sérios problemas para a saúde. Todos os hidrocarbonetos aromáticos possuem anéis benzênicos ou aromáticos. É produzido pela destilação do petróleo bruto, sendo um dos subprodutos formados nesse processo, ou ainda por síntese, com base em hidrocarbonetos menores como a hulha.

Qual o tratamento para expostos/contaminados pelo benzeno?

Não existe tratamento medicamentoso específico para os casos de intoxicação pelo benzeno. O acompanhamento médico para os casos confirmados de intoxicação deve ser regular e em longo prazo. As intercorrências clínicas devem ser tratadas com precocidade.

benzeno é um composto considerado altamente cancerígeno, pois seus metabolitos se instalam na medula óssea e nos tecidos gordurosos. A exposição a ele, além de poder causar câncer (leucemia), pode causar anemia e distúrbios do comportamento.

Como devemos evitar a contaminação pelo benzeno?

Ambiente de trabalho

    1. instalar bicos automáticos nas bombas de abastecimento de combustíveis líquidos com benzeno;
    2. não comercializar combustíveis líquidos com benzenoem recipientes que não sejam adequados para o armazenamento;
    3. contar com uma área exclusiva para armazenar amostras coletadas de combustíveis com benzeno;

Postos de Combustíveis

Com a publicação da Portaria 1.109 do Ministério do Trabalho os postos devem seguir uma série de procedimentos para evitar problemas relacionados ao benzeno, que na gasolina a mistura máxima permitida é de mistura máxima de substância química que pode provocar anemia, câncer, dores de cabeça, infecção pulmonar, problemas neurológicos e queimaduras na pele.

Controle médico de saúde

Para acompanhar como está a saúde dos empregados expostos ao benzeno, é necessário realizar hemograma completo com periodicidade mínima semestral. A iniciativa serve para contar a quantidade de plaquetas e reticulócitos (hemácias imaturas).

Esses exames devem ser catalogados e entregues ao empregador em, no máximo, 30 dias depois da divulgação dos resultados. Quando o contrato de trabalho for encerrado, os hemogramas devem ser entregues ao trabalhador.

Capacitação dos funcionários

Os empregados do posto de combustível devem fazer um curso de capacitação de 4 horas, caso fiquem expostos ao benzeno durante a jornada de trabalho. É necessário realizá-lo a cada dois anos.

Na atividade, os empregados e trabalhadores recebem orientações sobre vários aspectos, como:

      • riscos de exposição ao benzeno;
      • noções básicas sobre monitoramento ambiental;
      • conceitos sobre monitoramento biológico e de saúde;
      • sintomas de intoxicação ocupacional.

Capacitação de fornecedores e terceirizados

A contratação de serviços de outras empresas apenas é admitida caso esteja prevista no contrato a obrigatoriedade de cumprir as medidas de segurança estabelecidas pela portaria 1.109, do MTE.

Os postos de combustíveis devem fornecer às empresas contratadas informações relacionadas aos riscos da exposição ao benzeno e orientações sobre as medidas preventivas para minimizá-los.

Além disso, necessitam comunicar os terceirizados sobre os perigos do contato com essa substância química, instruindo-os sobre as iniciativas necessárias para prevenir danos à saúde.

Necessidade de usar o EPI

O EPI não evita o acidente ou o adoecimento não. O FATOR DE RISCO (PERIGO) CONTINUA NO AMBIENTE INDEPENDENTEMENTE DO EPI. Todavia a categoria da exposição ao perigo pode ser reduzida ou minimizada pelo uso correto do EPI adequado. Exigir e fiscalizar a utilização do Equipamento de Proteção Individual (EPI) é uma prova que estabelecimento está preocupado com o bem-estar dos empregados. Os empregados que fazem a descarga selada e a medição de combustíveis, por exemplo, devem contar com o equipamento de proteção respiratória de face inteira (máscara).

Ele deve possuir filtro para vapores orgânicos e fator de proteção não inferior a 100 com o devido controle de validade do produto. É obrigatório substituir periodicamente os filtros das máscaras. Essa ação deve seguir as orientações do fabricante.

No caso dos frentistas, é fundamental o uso de luvas, que são consideradas um EPI. Por outro lado, eles não têm necessidade de usar, s.m.j., um equipamento de proteção respiratória. Todavia, o monitoramento do Benzeno na atividade ocupacional, na ausência de legislação Brasileira, deve seguir os rigores da ACGIH que estabelece o Limite de Tolerância de TWA 0,5 ppm e STEL 2,5 ppm.

Ambiente de trabalho

Um dos fatores que os proprietários dos postos devem estar atentos é em relação à sinalização referente ao benzeno. É obrigatório manter, em local visível, as indicações dos riscos da substância, na altura das bombas de abastecimento. Elas devem possuir dimensões de 20 por 14 cm e as seguintes informações: “A gasolina contém benzeno, substância cancerígena. Risco à saúde.”

Essa medida tem como objetivo mostrar ao empregado e à sociedade os riscos de contaminação oriundos do benzeno, que compõe a gasolina. Para manter o ambiente de trabalho com um alto nível de segurança, os proprietários devem adotar entre outras, ações como:

      • instalar bicos automáticos nas bombas de abastecimento de combustíveis líquidos com benzeno;
      • não comercializar combustíveis líquidos com benzeno em recipientes que não sejam adequados para o armazenamento;
      • contar com uma área exclusiva para armazenar amostras coletadas de combustíveis com benzeno;
      • oferecer uniformes em bom estado de conservação e que sejam limpos semanalmente;
      • impedir o uso de flanelas e outros similares para limpeza resíduos gasolina;
      • aconselhar a não permanência de estranhos dentro da bacia de risco (área de periculosidade NR 16)

Como detectar benzeno na urina?

Atualmente, o indicador biológico utilizado no Brasil para o benzeno é o ácido trans, transmucônico na urina (AttM-U), que substituiu a partir de 1.994 um mais antigo, chamado fenol urinário, que demonstrou ter baixa sensibilidade quando a concentração do benzeno no ar é baixa, inferior a 1,0 ppm (Limite para misturas no Brasil). Independentemente de outros exames, devem realizar, com frequência mínima semestral, hemograma completo com contagem de plaquetas e reticulócitos.

Fatores intercorrentes – A exposição conjunta ao benzeno e tolueno diminuem a concentração urinária do ATTM. Tabagistas têm maior excreção urinária. A monitorização biológica da exposição ocupacional ao benzeno segue o estabelecido pela Portaria 34 (Ministério do Trabalho, 2001). A coleta de material biológico para análise deverá ser ao final da jornada no terceiro dia de jornada consecutiva.

SINAL VERMELHO

A substância é considerada um agente mielotóxico regular, leucemogênico e cancerígeno, mesmo em baixas concentrações.

Requer atenção do Profissional de SSO, empregadores e trabalhadores. Se necessário, inclusive requer a atenção do poder Judiciário Trabalhista, ante a necessidade de se tutelar o direito fundamental à vida”, conforme afirma a procuradora do MPT-RJ responsável pela ação, Dra. Viviann Brito Mattos em recente ação judicial contra a Petrobrás***. Ação acolhida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 1º Região RJ que determinou a Petrobras que subsidie uma série de exames médicos de trabalhadores que lidam direta, indireta e remotamente com o benzeno. A decisão ocorre no âmbito de uma ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público do Trabalho no Rio de Janeiro (MPT-RJ).

***Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2021/11/justica-do-trabalho-determina-que-petrobras-subsidie-exames-de-trabalhadores-que-lidam-com-benzeno.shtml


Autor: Pedro Valdir Pereira
Safety Technician-Ergonomics, Occupational hygienist, Health and Safety /Reg. MTb. 45/00069-2 Formação Profissional Coaching Gerencial;
Técnico Internacional em Emergências Químicas – Especialista em Atendimento de Emergências – NFPA 472 U.S.A;
HazMat Technician Standard for Professional Competence of Responders to Hazardous Materials Incidents – Technician Level – transportation technology center, University of Texas at Austin – inc. USA;
Instrutor Credenciado CMBM / CBM RS REG. N° 000.185 / 2011, N° 0.379 / 2013, 551/2015, 733/2017, 078/2019;
Juiz do Tribunal de Mediação e Arbitragem do RS / TMA RS – Matrícula TMA/RS 1328;
Consultor Técnico – Defesa Civil RS;
Membro da Cruz Vermelha Internacional – Vale do Taquari;
Delegado Eleito para representar o RS na Conferência Nacional de Defesa Civil – Brasília em NOV 2014;
Instrutor, Professor, Comunicador, Palestrante, Coordenador de SST, Consultor Técnico em SST.

Os artigos reproduzidos neste blog refletem única e exclusivamente a opinião e análise de seus autores. Não se trata de conteúdo produzido pela RSData, não representando, desta forma, a opinião legal da empresa.

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