Titan: tragédia anunciada em um mar de dúvidas

Em 18 de junho de 2023, encerrou-se a trajetória da empresa OceanGate , do empresário Stockton Rush, em sua última viagem turística para observar os destroços do navio Titanic.

Este exemplo é muito instrutivo de como uma tragédia anuncia-se, não pelo comportamento dos trabalhadores(as) no projeto, mas sim pelas decisões de Negócio e que estão somente nas  mãos da Liderança.

Na série recentemente lançada da Netflix, traça a trajetória da vida desta empresa e do projeto. Então, pode-se traçar a visão baseada nas três linhas de suporte da Cultura Organizacional voltada para a Segurança: pessoas, processos e liderança.

Do ponto de vista dos processos, era claro que o mesmo era vendido como de sucesso pelo Rush e assim até iniciou-se com apoio de uma universidade e certificação, porém os estudos e testes mostraram a fragilidade da tecnologia aplicada, um misto de estrutura de titânio e fibra de carbono com resina, dada pelas análises do som da quebra das fibras quando submetidas à pressão que deveria suportar (Titanic está a uma profundidade de 3.843 m e a uma pressão em torno de 400 atm), mas era a tecnologia mais barata para viabilizar o Negócio comercialmente e assim decisão adotada.

No caso das pessoas, a equipe de projeto, segundo a série, foi trocada algumas vezes, pelo mesmo motivo: dúvidas a respeito do sucesso da capsula de vida feita em fibra de carbono. Apesar do alto nível de conhecimento e capacidade das pessoas, estavam mergulhadas em um ambiente tóxico (obsessivo) e assim a importância do processo superou a Segurança. Resultado: a certificação foi abandonada e também a técnica para a prevenção.

Já a Liderança, liderada por Rush, impunha suas ideias e não admitia contrariedades, apresentando o medo da demissão como argumento para que as pessoas ficassem e algumas destas, decidiram deixar a equipe já prevendo a tragédia e , por isto, não querendo participar como responsáveis técnicos.

Uma triste ironia, é que em outo documentário à respeito do Titanic, nos indica que sua tragédia foi da mesma forma uma decisão de Negócio. O documentário nos dá conta que o porão de carvão do barco começou uma combustão espontânea do carvão, gerando um alto calor, deformando e fragilizando as chapas do casco e inutilizando o sistema de compartimentação da água, usado no caso de inundação e para combate-lo, a única forma extingui-lo, era lançá-lo nas fornalhas dos motores, o que dava mais e mais velocidade ao navio tendo dificuldades de desviar de obstáculos, como o iceberg. A decisão do Negócio ao capitão, mesmo sabendo da situação perigosa, foi continuar a viagem.

Concluo, portanto, baseado nestes exemplos, que as empresas deveriam primeiro, em preocupar-se com a Segurança das pessoas de forma Ética ao buscar o sucesso do Negócio, antes mesmo de preocupar-se com o comportamento destas nos processos, ou seja, uma Ética empresarial para a Segurança.

Os artigos reproduzidos neste blog refletem única e exclusivamente a opinião e análise de seus autores. Não se trata de conteúdo produzido pela RSData, não representando, desta forma, a opinião legal da empresa.

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