SST – Processos regulatórios emocionais e o apoio para a  tomada de decisões

É por óbvio que na vida, somos chamados o tempo inteiro para fazer escolhas, tomar decisões. Que para cada escolha feita,  há uma série de renúncias. Nunca saberemos se boas ou ruins, pois não vivemos as renúncias! São caminhos que a vida nos oferece. No campo da prevenção de acidentes e doenças do trabalho, não nos é diferente. Anualmente, são milhares de adoecimentos, invalidez e mortes pelo exercício do trabalho, Afinal mesmo presumido o resultado nefasto, persistimos ou somos induzidos ao erro pela ignorância, pela teimosia ou pela “negociata”. Sim,  negociamos o que não tem preço, tem é valor – a saúde, a segurança e a vida de quem produz!

Nos faz muita falta o hábito, a cultura prevencionista e a maturidade em SST. Sabemos perfeitamente a resultante de nossa precariedade na SST, mas prefere-se acreditar no “milagre”. A responsabilidade é sempre do “outro”, quem sabe do governo, não é mesmo?

Para a neurologia, argumenta-se que que os sentimentos são a pedra angular da nossa sobrevivência, e acontecem quando o cérebro interpreta as emoções, que são sinais do corpo reagindo a estímulos externos —o que nos ajuda a tomar decisões. Podemos chamar de segurança “instintiva ou irracional” na qual todos nós já nascemos com o instinto de sobrevivência, quase que doentio – a negação da morte!

A recente pandemia parece ter exacerbado um pouco o que já era ruim. Embora o mundo pareça estar buscando o “novo normal” após a Covid.  Ainda assim, pairam dúvidas – qual dos “leões que existe dentro de cada um, vai vencer? O Bom ou o ruim? Temos dúvidas. Nossos sentimentos se contradizem, algumas pessoas vivem no limite da paciência, da racionalidade, de temperança. A radicalização aflorou demasiadamente revelando o que há de fato dentro de boa parte das pessoas; é como se estivéssemos em uma incessante montanha-russa na qual as emoções nos sacodem para cima e para baixo. “A pandemia teve um impacto nas nossas vidas em geral, e em especialmente na nossa saúde mental – órgão alvo do coronavírus afetou mesmo é o sistema nervoso, tanto psicologicamente como em termos neurológicos”, observa de Los Angeles o português António Damásio, professor de psicologia, filosofia e neurologia da Universidade do Sul da Califórnia e diretor do Instituto do Cérebro e da Criatividade. “A falta de preparação para lutar contra as consequências do vírus de maneira efetiva provoca um sentimento de humilhação”, observa. “Nossos itinerários e rotinas foram rompidos, os marcos que haviam sido criados se dissolveram. O medo aflige o processo de tomada de decisão”, acrescenta. O neurologista argumenta que os sentimentos são a pedra angular da nossa sobrevivência, e acontecem quando o cérebro interpreta as emoções, que são sinais do corpo reagindo a estímulos externos —o que nos ajuda a tomar decisões.

“Há uma luta desmedida, uma guerra no íntimo das pessoas, entre o sentimento e a razão”. Estamos virando mais emoções, instintivo do que racionalizar o que é real, o atendimento das expectativas e as necessidades do ser humano nesta sociedade de trabalho):  seríamos nós criaturas que pensam e também sentem, ou criaturas que, sentindo, podem pensar? “Há uma profunda distinção, mas não oposição, entre o sentimento e a razão. Os sentimentos não são apenas pura percepção convencional do corpo, e sim híbridos; estão arraigados tanto no corpo como no cérebro. Passamos pela vida sentindo ou raciocinando, ou ambos, conforme as circunstâncias exijam: “Somos governados por dois tipos de inteligência, que dependem de dois sistemas cognitivos: a primeira, que foi amplamente estudada e apreciada durante muito tempo, baseia-se no raciocínio e na criatividade, depende da manipulação de padrões informativos explícitos. A segunda, a das emoções, é a da competência não explícita; é a variedade de inteligência da qual a maioria dos organismos vivos na terra dependeram —inclusive as bactérias— e continuam dependendo para sua sobrevivência, e que escapa ao escrutínio mental” – o instintivo.

Em seus emblemáticos estudos, Damásio se interessou pelo papel crucial das emoções na tomada de decisões. “Na linguagem cotidiana, usamos os termos indistintamente, o que mostra como estas emoções estão estreitamente ligadas aos sentimentos”, diz ele. Para o português, “as emoções são reações complexas no corpo perante determinados estímulos. Quando temos medo de algo, nosso coração se acelera, a boca seca, a pele fica pálida e os músculos se contraem; esta reação emocional se produz de forma automática e inconsciente —uma emoção é um conjunto de mudanças fisiológicas produzidas por um programa de ação, em grande parte inato. Já os sentimentos ocorrem depois que nos damos conta em nosso cérebro essas mudanças físicas, e só então experimentamos o sentimento de medo”. A região do cérebro onde emoção e razão se juntam é o córtex pré-frontal.

Neurociência explica por que precisamos de abraços

Um conjunto de componentes cerebrais se encarrega de mapear as mudanças que ocorrem continuamente dentro do organismo; é conhecido como sistema nervoso interoceptivo (INS, na sigla em inglês). Estas características únicas do INS contribuem para a produção de sentimentos, que ocorrem quando o cérebro lê os mapas e se torna evidente que foram registradas mudanças emocionais em todo o organismo. Mas esse mapeamento nunca é exato: o estresse, o medo ou a dor alteram a maneira como interpretamos a informação que chega ao cérebro vinda de outras partes do organismo. Tendemos a priorizar nosso eu racional quando se trata de tomar decisões; entretanto, as boas decisões são as que respondem às emoções geradas pelo nosso sistema interoceptivo. Em um mundo ambíguo, ele nos ajuda a compreender sentimentos complexos e cheios de nuances, que frequentemente estão em conflito com situações que a sociedade pinta como binárias. O afeto ambivalente é um fenômeno complexo que exige múltiplos níveis de processamento, onde se produzem e finalmente se integram diferentes tipos de informação.

Nossos processos regulatórios emocionais internos não só preservam nossas vidas como também, de fato, dão forma à criatividade.  O sentimento é uma modalidade de conhecimento que vem com um aspecto musical, por assim dizer, com variação no tempo, daí a importância de ouvir nossos sentimentos e de prestar atenção a como se conectam com o corpo”. “Embora estejamos presos a algo que tem aspectos de tragédia, apesar da humilhação, vamos superando os problemas”. Não obstante, perdemos muito o bom senso quando nossos sistemas emocionais são danificados; para superar as lutas emocionais, nos valemos das emoções.

É exatamente neste cenário, mal comparando a um pós guerra (pandemia), é que precisamos nos desconstruir e nos reconstruir em outro padrão de qualidade e de excelência para continuar a luta pela proteção, pela prevenção de acidentes e de doenças ocupacionais. O trabalho como um meio de conquistas e realização, como protetor da saúde mental, social e espiritual do indivíduo produtivo com relação ao meio. Precisamos do equilíbrio pra ter saúde.

Mais uma vez, é hora de tomada de decisões no campo da Segurança e Saúde no Trabalho:

Urge que ousemos valorar a inteligência criativa e transformadora a partir das emoções, do sentimento e realizações. A decisão de mudar comportamento é de cada um de nós. Afinal, o que de realmente importante e relevante estamos construindo em SST e entregando para a sociedade de trabalho? Quais são os resultados gerados, produzidos e, efetivamente entregues, valorados pelo nosso “trabalho prevencionista? Estes resultados são realmente percebidos pelas partes interessadas – Trabalhador – Empregador – Governo – Sociedade?

O caminho se faz com as pessoas, para as pessoas e pelas pessoas convencidas do ganho apesar das perdas. Mudar comportamentos, flexibilidade para aceitar as necessárias mudanças e readaptações. Preparar pessoas para:

  • Mudança Comportamental.
  • Entender e atender os requisitos legais, aspectos trabalhistas, previdenciários, fiscais e tributários com impactos e reflexos em ações e processos judiciais onerosos, e condenatórios.
  • Estimular o emprego de práticas & técnicas de gestão e gerenciamento estratégico com avaliação de desempenho e melhoria contínua a partir do requisito legal.
  • Adequar seus processos de Gestão de SST para atendimento do requisito legal e do estado da técnica;
  • Ampliar propostas alternativas para assegurar benefícios a todas as partes envolvidas;
  • Aperfeiçoar instrumentos de gestão e gerenciamento estratégico de SST;
  • Permitir amplitude de escolhas para orientar a tomada de decisão;
  • Atualizar conceitos de SST estimulando a inovação, resultados e melhoria contínua;
  • Capacitar profissionais de SST e demais envolvidos para a melhoria do desempenho de SST;
  • Desenvolver a consciência, cultura e maturidade em proteção, prevenção de acidentes e doenças do trabalho;
  • Reduzir custos, evitando tributação excessiva, danos materiais, ambientais e humanos;
  • Entregar mais, com assertividade, melhor e para todos!

A abordagem sistêmica da SST propicia a melhoria do desempenho, produzindo resultados significativos, entre os quais podemos destacar:

  1. Um ambiente de trabalho seguro e saudável, com a conseqüente redução dos acidentes e doenças ocupacionais;
  2. O conhecimento das suas deficiências operacionais envolvendo critérios de saúde e segurança que possam representar gargalos no processo produtivo;
  3. A melhoria das relações de trabalho, em virtude de um maior comprometimento dos trabalhadores nas definições dos processos da Empresa;
  4. A melhoria das relações com os organismos fiscalizadores, com redução de penalidades;
  5. A redução da probabilidade de passivos trabalhistas, resultantes de uma melhor qualidade da documentação, registros e melhorias efetivas dos ambientes de trabalho;
  6. A melhoria das relações comerciais com clientes, que exigem de seus fornecedores uma abordagem com visão sistêmica nas questões de SST e meio ambiente;
  7. A correta política de SG-SMS melhora o desempenho da Empresa, gerando ganhos de produtividade, competitividade e possibilita a expansão do negócio.

*** Adaptado da obra o Erro dos Descartes – do neurologista António Damásio

Os artigos reproduzidos neste blog refletem única e exclusivamente a opinião e análise de seus autores. Não se trata de conteúdo produzido pela RSData, não representando, desta forma, a opinião legal da empresa.

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