Adilson Monteiro destaca que a Segurança não pode assumir o papel de juiz dentro da organização. Quando o discurso passa a girar apenas em torno do que “deve” ser feito, o líder deve apoiar, o empregado deve seguir, todos devem cumprir. Cria-se uma imagem de cobrança constante que afasta as pessoas ao invés de aproximá-las. Essa postura gera medo, resistência e um ambiente negativo que prejudica a própria prevenção.
Segundo o autor, a Segurança é um fenômeno que nasce das relações humanas, e não da imposição. Por isso, o profissional da área precisa deixar de lado a influência coercitiva baseada apenas em normas e punições, e adotar uma influência de referência: aquela que inspira, apoia e constrói pontes. Somente assim a prevenção se torna integrada ao contexto organizacional e realmente eficiente.
Segurança não é juiz da Organização
Por: Adilson Monteiro
O que mais ouvimos na Segurança ( conversas, artigos e abordagens ) é que “deve” ser feito algo, “o líder deve apoiar“, “o empregado deve seguir”, deve isto, deve aquilo etc.
É como se adotássemos a investidura de um juiz com capacidade de avaliar comportamentos e ditar regras para trabalhadores(as) e lideranças. Acreditando que através desta postura, reclamando e apontando “dedos” para a Organização, estamos fazendo nosso trabalho como um baluarte da moral e dos costumes da prevenção.
De forma contraditória, esta postura afasta todos do nosso trabalho, isolando o nosso trabalho da vida comum de todos pelo medo ou relação sempre conflituosa.
O resultado só acontece com as pessoas e pelas pessoas, pois a Segurança é um fenômeno emergente das relações humanas na Organização de forma harmoniosa e credível.
As reclamações constantes por parte da Segurança criam uma percepção negativa e se espalha naturalmente entre indivíduos, funcionando como uma forma de contágio emocional, resultado é um ambiente tóxico onde todos sofrem as consequências da negatividade constante.
Quando acreditamos em uma postura “juiz“ da prevenção, buscamos apoio em duas influências:
– Coercitivo : baseado nas leis e standares ( NR´s, ISO etc.) onde o profissional da Segurança se apoia tecnicamente, porém usa isto para fomentar medos de multas e outras imposições;
– Organizacional: dado pelo papel estipulado na estrutura Organizacional para os profissionais da Segurança para seus deveres e obrigações. Este poder é relativo em relação aos outros poderes organizacionais, hierárquicos, não sendo, portanto, absoluto ou definitivo.
Isso realmente não ajuda em nada a prevenção, apesar de ser uma situação comum.
Esta postura de avaliador e punidor dos comportamentos não conformes sem a devida análise do contexto compromete a integração do profissional da Segurança no Negócio, sendo este um que não contribui efetivamente dos objetivos organizacionais.
Entendo que somos, acima de tudo, servidores e construtores de pontes no relacionamento com todos, com objetivo de criar um contexto de ajuda e promoção conjunta da prevenção.
A mudança dessa postura é necessária, para um encontro do contexto com a prevenção entendida pela Segurança.
Logo a influência a ser desenvolvida é a da Referência, ou seja , o reconhecimento natural de que a Segurança pode ajudar as pessoas a atingirem seus objetivos com prevenção. Acreditar que apontar problemas e acreditar que as pessoas são “obrigadas” a fazer da forma indicada e que “devem” obediência à sua fala é uma ilusão que os profissionais da Segurança que comprometem sua imagem e eficiência na prevenção.
Conteúdo Relacionado: Aprofunde Sua Gestão de Segurança e Liderança
Para aplicar a visão de que o profissional de Segurança deve ser um “servidor e construtor de pontes” e desenvolver a “influência da Referência”, é crucial entender como essa postura se integra à cultura, liderança e gestão da organização.
Explore outros conteúdos da RS Data que complementam a necessidade de mudar a abordagem de “juiz” para um parceiro estratégico:
- Cultura de Segurança: o maior desafio da SST nas empresas – Este artigo discute como a segurança deve deixar de ser apenas uma obrigação para se tornar um valor compartilhado, o oposto da obediência forçada ou da relação conflituosa gerada pela postura de “juiz”.
- Como desenvolver a liderança para fazer a gestão de pessoas – Suporta a ideia da influência da Referência e da criação de um contexto de ajuda mútua, em contraposição ao poder coercitivo ou hierárquico.
- Como fazer uma boa gestão em segurança do trabalho? – Menciona elementos fundamentais como Confiança e Coerência na liderança, que são os pilares para o profissional de segurança alcançar a influência de Referência e sair da negatividade das reclamações constantes.
- Oportunismo na Segurança do Trabalho – Falta de ética e ameaça – Embora o artigo base não trate de oportunismo, a ideia de buscar apoio apenas em coerção e leis e a falta de análise do contexto podem ser um deslize ético, comprometendo a imagem do profissional. Este link serve como um contraponto sobre a qualidade e ética na atuação do profissional de SST.

Os artigos reproduzidos neste blog refletem única e exclusivamente a opinião e análise de seus autores. Não se trata de conteúdo produzido pela RSData, não representando, desta forma, a opinião legal da empresa.


