No artigo anterior eu escrevi um pouco sobre o que era a síndrome de suspensão inerte e em que momento ela poderia ocorrer. Síndrome de suspenção Inerte – Como reduzir seus danos?
Se você não leu o artigo, não se preocupe acesse aqui.
Como já comentado a Síndrome de Suspenção Inerte irá ocorrer quando o trabalhador sofrer uma queda e ficar suspenso pelos sistemas de proteção individual contra queda o SIPQ.
Podendo até mesmo ir a óbito após algum tempo de suspensão e caso ocorra o organização e responsáveis pela atividade poderão responder legalmente pelo acontecido.
Mas o que fazer para proteger o trabalhador desta condição?
A primeira coisa que precisamos fazer é obedecer a hierarquia das medidas de controle prevista na NR 35.
Segundo a norma no planejamento do trabalho devem ser adotadas, medidas de acordo com a seguinte ordem:
- a) medidas para evitar o trabalho em altura, sempre que existir meio alternativo de execução;
- b) medidas que eliminem o risco de queda dos trabalhadores, na impossibilidade de execução do trabalho de outra forma;
- c) medidas que minimizem as consequências da queda, quando o risco de queda não puder ser eliminado. Neste ponto estaremos entrando com os equipamentos de proteção individual.
Passados esta etapa do planejamento e sendo observado que realmente será necessário a realização da atividade em altura com o uso de equipamentos de proteção individual contra quedas, vamos precisar se preocupar, com a síndrome e outros riscos.
Mais quais as ações que vão ajudar na redução da síndrome de sustentação inerte?
A síndrome e seus danos estão ligados a 3 fatores principais:
– O fato de existir a condição de suspensão;
– A inercia ( ou trabalhador imóvel ou sem movimentar principalmente os membros inferiores)
– E o tempo, ou seja, quanto tempo o trabalhador irá permanecer nessa condição.
Entendendo, isso precisamos estabelecer ações para atuar nestes 03 fatores.
Percebo que evitar a suspensão está diretamente ligado a evitar a queda. Ocorrendo a queda a atuação direta do cinto e demais componentes é a retenção da mesma e consequentemente manter o trabalhador suspenso.
Logo, medidas de proteção coletivas que evitam a queda serão mais adequadas, neste ponto.
O outro fator é o tempo e a pergunta ligada a ele é:
Como reduzir ao máximo o tempo que o trabalhador vai permanecer nessa condição?
Dentro da análise de risco é preciso prever quais as situações de emergência podem ocorrer no trabalho em altura e como será a resposta a emergência e salvamento a cada uma delas.
Entendo que praticamente todo trabalho em altura tem potencial para no mínimo 03 situações de emergências básicas:
1ª Trabalhador tem um mal súbito e permanece sobre a estrutura: Ex.: Trabalhador tem um desmaio sobre o andaime e fica deitado do piso.
2º Trabalhador sofre uma queda da estrutura e estava sem o SPIQ ou sem conectar o sistema e cai ao solo.
3º Trabalhador sofre uma queda da estrutura e estava utilizando o sistema de proteção contra quedas corretamente e fica suspenso.
Como o tema do vídeo é síndrome , vamos nós concentrar a 3ª situação.
Como você deve ter percebido, essa síndrome exige muita atenção e rápida intervenção para reduzir os danos e o risco de morte. Nesse cenário, o objetivo principal do resgate é o rápido salvamento do acidentado . Seja pelo autorresgate e quando não for possível, a equipe especializada deve entrar em ação.
Algumas situações o resgate envolve uma complexidade menor e a equipe de trabalhadores, sendo bem treinada poderá efetuar o resgate. Utilizando por exemplo soluções de pré engenharia já instaladas no local, prevendo uma eventual queda.
Para outras situações será necessária uma equipe mais especializada e a organização deve garantir:
- Meios para acionamento da equipe de resgate;
- Equipe treinada e apta para aquele tipo de situação;
- Equipamentos para uso dos resgatistas e para os primeiros socorros;
- Uma resposta rápida.
Em algumas organizações consideram neste tipo de situação equipes públicas como o Corpo de Bombeiros para executar o resgate, porém como garantir que eles estarão disponíveis para fazer o resgate no tempo necessário? Pois, já podem estar envolvidos em um outro acidente? Como colisão de veículos.
Como o fator que estamos discutindo é tempo, preciso lhe fazer uma pergunta. Considerando a possibilidade de contar com equipe pública em caso de uma queda do trabalhador, quanto tempo o corpo de bombeiros mais próximo de sua empresa irá demorar chegar no local onde ocorreu a queda e fazer o resgate?
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Se você chegar à conclusão que o tempo será significativo, é um bom sinal que você precisa avaliar melhor o seu plano de resposta a emergência. Uma equipe privada ou em conjunto com outras empresas pode ser uma solução.
Nos momentos emergenciais, o treinamento faz toda a diferença! O plano de resgate de uma atividade em altura deve contemplar um resgate do trabalhador em aproximadamente 20 minutos após a queda e consequente início da suspensão inerte. Executar corretamente as manobras e estar preparado para lidar com os acidentes aumenta bastante a chance de sucesso.
Claro que após o resgate a síndrome de suspensão inerte, ainda exige cuidados especiais e os primeiros socorros são crucias.
Ficou faltando alguma ação para reduzir um último fator que é a Inercia .
Uma das opções que temos no mercado são as Fitas Anti Trauma de Suspensão Inerte são indicadas para ajudar o trabalhador a evitar possíveis impactos à saúde causados pelo trauma de suspenção . Elas, permitem que o trabalhador, suspenso, fique de pé no cinto e alivie a pressão aplicada às veias. Além disso, permitem que ambos os lados do cinturão aliviem a pressão aplicada nas pernas. As Fitas se encaixam à maioria dos cinturões tipo paraquedista. Estas fitas são adquiridas como acessórios aos sistemas de proteção contra quedas.
Porém, preciso destacar duas coisas: O trabalhador precisa ser treinado no uso e ela somente terá utilidade se o trabalhador estiver consciente.
Vou deixar na descrição do vídeo alguns links de acesso a este tipo de equipamento: Mas quase todos os fabricantes de EPI para trabalho em altura já possuem este equipamento.
E Agora que você já sabe um pouco mais sobre a síndrome; faça uma análise das atividades em altura de sua empresa e veja se seu plano de resposta de emergência responde corretamente e se você vai garantir o resgate do trabalhador antes que que a suspensão e a inercia levem a condição a vítima a um quadro crítico…
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