SETEMBRO AMARELO – Uma Campanha de Desmistificação e de Prevenção ao Suicídio

Lidar com o suicídio é tão difícil porque envolve múltiplas camadas de dor, estigma e complexidade emocional. Este tema toca nas vulnerabilidades humanas mais profundas — o medo da morte, a dor da perda e a sensação de impotência diante do sofrimento humano. No entanto, não é mais possível adiar essa discussão, sendo esta a razão para me dispor a levar informações a público.

A Campanha Setembro Amarelo surgiu como um movimento mundial de prevenção ao suicídio e chegou ao Brasil em 2014, organizada pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM).

O marco histórico vem dos Estados Unidos, em 1994, quando um jovem chamado Mike Emme, de 17 anos, morreu por suicídio. Ele era conhecido por ser apaixonado por carros e possuía um Mustang 1968 amarelo, cor que acabou se tornando símbolo da campanha.

No seu funeral, familiares e amigos distribuíram cartões com fitas amarelas e mensagens de apoio, incentivando pessoas em sofrimento a buscar ajuda. Esse gesto inspirou o surgimento da fita amarela como ícone da prevenção ao suicídio.

O 10 de setembro foi oficializado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela International Association for Suicide Prevention (IASP) como o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. A partir disso, diversos países começaram a adotar o mês de setembro como um período de mobilização e conscientização. Por que a cor amarela? Porque remete à luz, vida e esperança, em contraposição à escuridão e ao desespero que cercam o sofrimento psíquico. O objetivo é quebrar o tabu em torno do suicídio, estimular o diálogo aberto, ampliar o acolhimento e divulgar informações sobre fatores de risco e de proteção.

Pensar em suicídio quase nunca é resultado de um único fator. Trata-se de um fenômeno multifatorial, em que se misturam aspectos biológicos, psicológicos, sociais, culturais e existenciais. Em geral, a pessoa não deseja a morte em si, mas busca alívio de uma dor insuportável que não consegue enfrentar sozinha.

Principais fatores que podem levar alguém a pensar em suicídio

1. Fatores psicológicos e emocionais

  • Depressão, transtornos de ansiedade, bipolaridade, esquizofrenia e outros transtornos mentais.
  • Sentimentos de desesperança, inutilidade, culpa intensa ou vazio existencial.
  • Traumas não elaborados (abuso, violência, rejeição, bullying).
  • Dificuldade de lidar com perdas (luto, separação, desemprego, doenças).

2. Fatores sociais e contextuais

  • Isolamento social e falta de rede de apoio.
  • Problemas financeiros, desemprego ou insegurança laboral.
  • Pressões acadêmicas e profissionais excessivas.
  • Estigma, preconceito, exclusão social (por raça, gênero, orientação sexual, identidade de gênero, etc.).

3. Fatores biológicos

  • Alterações na neuroquímica cerebral (serotonina, dopamina) que afetam regulação de humor e impulsividade.
  • Histórico familiar de suicídio ou transtornos mentais.
  • Doenças crônicas, incapacitantes ou dolorosas, que aumentam o risco.

4. Aspectos culturais e existenciais

  • Culturas que estigmatizam a busca por ajuda, reforçando o silêncio.
  • Exposição a narrativas midiáticas inadequadas (efeito contágio).
  • Falta de sentido de vida, crise existencial ou perda de valores.

5. Eventos desencadeadores

Mesmo quando existem fatores de risco de fundo, geralmente há um gatilho imediato, como por exemplo: fim de relacionamento, perda de emprego, conflitos familiares ou interpessoais, ou ainda situações de humilhação ou violência.

O suicídio, além de ser uma tragédia pessoal e familiar, traz profundos prejuízos sociais, econômicos e culturais. Ele afeta não só a vida de quem se foi, mas também reverbera em círculos sociais e na sociedade como um todo:

  • Impacto humano e familiar

Cada morte por suicídio atinge em média de 6 a 10 pessoas diretamente (familiares, amigos, colegas), que podem desenvolver luto complicado, depressão, ansiedade e até risco aumentado de suicídio, rompendo vínculos sociais, gerandoculpa, estigma e silêncio nas comunidades.

  • Consequências econômicas

O suicídio atinge majoritariamente adultos em idade produtiva, causando perda de mão de obra, experiência e inovação. Estima-se que, globalmente, o impacto econômico anual chegue a bilhões de dólares devido à redução de produtividade e custos de saúde. No Brasil, estudos apontam que o suicídio representa um dos principais custos indiretos em saúde mental, afetando empresas e políticas públicas.

  • Pressão sobre o sistema de saúde

Tentativas de suicídio geram aumento de internações hospitalares, uso de recursos emergenciais e tratamentos de longo prazo, sobrecarregam serviços já fragilizados de saúde mental (CAPS, pronto-atendimentos, hospitais).

  • Efeitos sociais e culturais

O estigma e o tabu dificultam o diálogo sobre sofrimento psíquico, perpetuando ciclos de silêncio, afeta a percepção coletiva de segurança e bem-estar social, e ainda pode gerar efeito contágio (fenômeno “Werther”), aumentando risco de novos casos se não houver cuidado na comunicação.

  • Prejuízos educacionais e comunitários

Em ambientes escolares e universitários, a perda de jovens pode provocar traumas coletivos, queda no rendimento e evasão. Em comunidades pequenas, a repercussão pode ser ainda maior, gerando sensação de vulnerabilidade social.

O suicídio ainda é cercado por muitos estigmas sociais, culturais e religiosos, o que dificulta tanto a prevenção quanto o apoio adequado às pessoas em sofrimento. Esses estigmas alimentam preconceito, silêncio e medo de falar sobre o tema. Entre estes estigmas podemos citar:

  1. Tabu e silêncio social
    • Falar sobre suicídio é visto como algo proibido ou “perigoso”, quando na realidade o diálogo aberto é uma das principais formas de prevenção.
    • Muitas famílias ocultam casos por vergonha ou medo de julgamento.
  2. Associação com fraqueza ou covardia
    • A pessoa que tenta ou morre por suicídio é, muitas vezes, rotulada como “fraca”, “sem fé” ou “covarde”, desconsiderando o sofrimento psíquico intenso que leva a esse ato.
  3. Crenças religiosas punitivas
    • Em algumas tradições, o suicídio é visto como “pecado imperdoável” ou como algo que condena a pessoa, aumentando a culpa da família e o isolamento social.
  4. Rotulação da pessoa sobrevivente
    • Quem tentou suicídio frequentemente é tratado como “instável”, “incapaz” ou “perigoso”, o que dificulta sua reinserção no trabalho, nos estudos e nos relacionamentos.
  5. Visão de que é “apenas para chamar atenção”
    • Tentativas de suicídio muitas vezes são deslegitimadas como “drama” ou “chantagem emocional”, o que impede que a dor real da pessoa seja reconhecida.
  6. Responsabilização da família
    • Familiares podem ser acusados de “não terem percebido os sinais” ou “não terem feito o suficiente”, o que gera sentimento de culpa e vergonha.
  7. Mitos prejudiciais à prevenção
    • “Quem fala não faz” – quando, na verdade, a maior parte das pessoas dá sinais verbais ou comportamentais.
    • “Falar sobre suicídio incentiva” – quando, na verdade, falar de forma responsável ajuda a reduzir o risco.

Por consequências, esses estigmas podem acarretar outras limitações e barreiras que prejudicam sua prevenção e tratamento. Observa-se comportamentos como:

  • Dificuldade em pedir ajuda profissional.
  • Isolamento social e vergonha.
  • Atraso na implementação de políticas públicas de saúde mental.
  • Sofrimento ampliado para familiares e sobreviventes.

Uma forma de combater esses estigmas é educação e informação: falar sobre saúde mental com responsabilidade, incentivar ambientes acolhedores e disseminar que suicídio não é fraqueza, é um problema de saúde pública que pode ser prevenido.

Por isso, a informação aliada a psicoeducação se mostra como o caminho necessário para a transformação cultural que trará condições de combater este fenômeno devastador. Estigmas, tabus e dogmas não podem ser mantidos, e a sua remoção passa por cada indivíduo, revisando seus comportamentos, escolhas e preconceitos dando lugar a uma nova consciência social.

Diante desse cenário, não basta apenas promover conscientização. É necessário que empresas e instituições assumam o compromisso de transformar a saúde mental em parte central da gestão.

É exatamente nesse ponto que o software da RSData faz diferença: com o módulo de Riscos Psicossociais, as organizações conseguem mapear fatores de risco de forma estruturada, atender às exigências legais da NR-1 (com validade obrigatória em maio de 2026), integrar dados da saúde mental à gestão de SST e monitorar indicadores em tempo real para ações preventivas. Mais do que cumprir a norma, trata-se de transformar dados em decisões que protegem vidas.

E para aprofundar esse diálogo, a RSData promove no dia 17/09, às 16h, a live AO VIVO, clique no link abaixo e ative o LEMBRETE!

Cuidando da Saúde Mental sem abrir mão da empatia humana– A IA como apoio, nunca substituto da escuta terapêutica

Um bate-papo com:

  • Lucia Sebben – Psicóloga
  • Sérgio Rezende – Engenheiro e Pai Atípico (filhos neurodivergentes: autista nível 1 de suporte e TDH)
  • Aleff Pimenta – Especialista em Inteligência Artificial

💡 Uma oportunidade de refletir sobre como tecnologia e humanidade podem caminhar juntas na prevenção e no cuidado com a saúde mental.

Os artigos reproduzidos neste blog refletem única e exclusivamente a opinião e análise de seus autores. Não se trata de conteúdo produzido pela RSData, não representando, desta forma, a opinião legal da empresa.

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