A palavra puxadinho nos remete a uma prática, bastante disseminada no Brasil, de ampliar uma moradia, adicionando uma construção, de forma desestruturada com pouco investimento para acomodar uma necessidade não prioritária.
Muitas vezes a Segurança é tratada desta forma, como se fosse um apêndice à cultura da empresa, dando até um nome em separado: a tal da “cultura de Segurança”, porém sem o tratamento merecido.
O “puxadinho” começa a se construir com algumas frases clássicas da Liderança , tais como :
– Não temos recursos para a SIPAT, veja o que consegue fazer com o que temos aqui na empresa;
– Essa máquina que você quer é muito cara, precisa de tudo isso para a Segurança mesmo ?
– A NR pede mas, dá para ir levando;
– Precisamos reduzir o custo dos EPI´s por modelos mais baratos, afinal tudo é a mesma coisa;
– Tem que ficar em cima dos funcionários para cumprirem os procedimentos de Segurança;
E tantas outras frases que poderia elencar aqui e, com certeza, você tem ótimos exemplos também.
Isto mostra a baixa integração da Segurança no Negócio , entendida somente como gasto, legalista e fiscalizadora, ou seja , uma obrigação amarga e que só traz notícias ruins.
Para começar a abandonar o puxadinho e entrar na sede como moradia, os profissionais da Segurança devem:
– Ter um discurso mais amplo tecnicamente no Negócio do que na legislação , ou seja conhecer a empresa, seus produtos e serviços, colaborando para estes terem melhor desempenho justo aos clientes;
– Incorporar a análise financeira na mentalidade dos projetos da Segurança, em vez de só pedir recursos, criando argumentos do retorno de investimento (ROI) e impactos na sustentabilidade;
– Dialogar com TODAS as áreas da empresa sobre como a Segurança pode ajudar e não somente contatar a maioria desta buscando gente para palestras da SIPAT;
– Colocar no discurso da prevenção na ética e nos princípios da organização voltados para a Segurança, dando a esta um valor imaterial estimado e não somente comemorar os indicadores reativos quando estes estão baixos;
-Trazer o humano e a empatia no centro das decisões , da Segurança e influenciando nas da Liderança, como elementos chaves para uma segurança psicológica de alto nível;
O contexto dirige o comportamento, como diz um princípio do HOP, mas não só se aplica no comportamento seguro mas também é o reverso para a criação de mais e mais contextos pelo nosso comportamento colaborativo para com os objetivos e metas de cada departamento.
Precisamos arrumar as “malas” ( técnica e gestão) e mudar para o mesmo lugar que todos na organização estão, como integrante da cultura Organizacional e não como apêndice.
Ou ainda temos que morar no puxadinho cultural, fora da empresa,?

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