Segurança não tem a mesma “régua” para todas as pessoas.

Segurança não tem a mesma régua para todas as pessoas

A Segurança Tradicional foi construída com foco em mudar comportamentos dos trabalhadores, esperando que isso resultasse em uma redução significativa nos acidentes de trabalho. Diversos métodos de avaliação do comportamento, baseados na comparação com padrões e procedimentos, são aplicados de forma linear, sem considerar o contexto em que as pessoas estão inseridas.

Esse modelo de segurança gera um sentimento de fracasso, pois mais treinamentos, mais burocracia, mais controle e mais punições não necessariamente resultam em menos acidentes.

Na realidade, os comportamentos dos trabalhadores são apenas um componente do processo que leva à segurança. Ela é um resultado de múltiplas vertentes operacionais e organizacionais dos contextos aos quais está sujeita.

As estratégias de comunicação, o design do sistema e o comprometimento geral, baseados na Segurança Tradicional e na cultura de comando e controle, dificultam que a liderança insira o cuidado com as pessoas efetivamente no processo. Elas deixam de lado a complexidade da realidade ao tentar medi-la como se todos tivessem a mesma “régua” de comparação.

As consequências negativas dessa abordagem são imediatas: a política de consequências (punição) desencoraja os trabalhadores a contribuírem com suas ideias para a melhoria do processo e para sua própria proteção. Esse sistema fomenta a “cultura do silêncio” e a “cultura dos dados falsos”, em que os trabalhadores buscam sobreviver em seus empregos e atender às metas lineares, mesmo que isso vá contra a segurança e o bem-estar.

Felizmente, há uma corrente de empresas que busca caminhos diferentes para avaliar a segurança, como as Novas Visões, que corrigem essa visão linear, reconhecendo que há muito mais a ser trabalhado no processo do que no comportamento humano.

Programas estão sendo avaliados, incluindo:

  • Treinamento para ensino, incorporando conceitos de andragogia e heutagogia em suas abordagens de aprendizagem;
  • Cultura justa, onde a punição é o último recurso, aplicado somente a violações que não decorrem do cumprimento do processo ou da tarefa;
  • Liderança servidora, com a compreensão de que o contexto demanda mais alterações organizacionais do que mudanças no comportamento humano (as pessoas fazem o melhor que podem com os recursos que têm);
  • Design de contextos seguros, planejados conceitualmente para o bem-estar das pessoas.

Medir todos os trabalhadores pela mesma “régua” não é a forma mais inteligente e eficaz de melhorar a segurança. No entanto, aprimorar os processos considerando os fatores humanos no design eleva a qualidade da prevenção de forma sustentável.

Leia também: segurança de mão dada com a Inteligência Artificial

Adilson-Monteiro

Os artigos reproduzidos neste blog refletem única e exclusivamente a opinião e análise de seus autores. Não se trata de conteúdo produzido pela RSData, não representando, desta forma, a opinião legal da empresa.

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