No artigo “Conhecimentos Tácito vs Teórico na Segurança”, Adilson Monteiro provoca uma reflexão clássica na área de SST. Afinal, o que pesa mais: a experiência prática ou o conhecimento teórico?
Enquanto profissionais de campo defendem a vivência, a academia sustenta a evolução por meio da pesquisa.
O verdadeiro desafio está em integrar esses dois mundos para construir uma Segurança mais eficaz, conectada à realidade e capaz de evoluir.
Conhecimentos Tácito vs Teórico na Segurança
Por: Adilson Monteiro
Uma discussão sempre vem à tona com respeito aos conhecimentos da prática e acadêmico: qual é mais importante?
Alguns defendem que a prática é o que faz a Segurança acontecer , enquanto outros alegam que sem a teoria a Segurança não evolui.
Na busca de respostas sobre esta inquietação trago aqui o excelente livro do Jean-Christophe Le Coze “Safety Science Research” (CRC Press, 2020), no qual dedicou o capítulo 14 para discorrer sobre este tema.
- Guia essencial: “O que é Segurança e Saúde no Trabalho e por que sua empresa precisa entender isso agora”
Le Coze inicia esta pseudo dicotomia entre a pesquisa e a prática ilustrando-as como se fossem “ilhas separadas”, sendo as principais atividades dos que estão em cada ilha são:
Atividades dos pesquisadores:
– Escrever propostas de pesquisa ;
– Conduzir a pesquisa no tema proposto;
– Ler e escrever artigos científicos;
– Lecionar e supervisionar alunos;
– Trabalhar em comitês de estudos e universidades;
Atividades dos profissionais praticantes:
– Realizar avaliação de riscos, auditorias e escrever procedimentos;
– Reportar e analisar acidentes;
– Realizar treinamento para equipe e trabalhadores(as) ;
– Troca experiências com profissionais de outras empresas via grupos e eventos de Segurança;
– Monitora indicadores de gestão da Segurança;
Para equilibrar estas atividades na evolução da Segurança Le Coze nos indica que a saída é integrar as atividades de pesquisa e prática, de forma a termos profissionais práticos-pesquisadores, podendo assim , termos a teoria criada, não pela “prática imaginada”, mas sim, através da construção de dados práticos colhidos na linha de frente.
Infelizmente não é uma tarefa fácil, principalmente dentro das organizações , onde os principais desafios são :
– Tempo dedicado à pesquisa e custos envolvidos, sem o imediatismo do retorno de investimento;
– Profissionais práticos com conhecimento de técnicas acadêmicas de pesquisa;
– Profissionais acadêmicos com motivação para fazerem a rotina da Segurança organizacional;
– Liberdade nas Organizações para publicar trabalhos de pesquisa interna sem as proibições da propriedade intelectual e dos segredos industriais;
Portanto , as duas ilhas, teoria e prática, devem possuir uma ponte de interligação para movimentar ambos práticos e teóricos , capazes de aprender com as duas áreas e termos finalmente um prático -pesquisador criando teorias no trabalho real.
Agradeço ao Jean-Christophe Le Coze, pelo seu excelente trabalho e publicações que nos ajudam, em muito, na evolução da Segurança.

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