Segurança do trabalho e complexidade: por que o controle nunca é suficiente

Adilson Monteiro, no artigo “Segurança e sua complexidade”, provoca uma quebra de paradigma ao questionar a visão simplista da Segurança baseada apenas em regras e hierarquia. À distância, tudo parece controlável. Na prática, a realidade da linha de frente revela um sistema muito mais complexo, interdependente e imprevisível. Ignorar essa complexidade cria uma falsa sensação de controle e é justamente aí que os acidentes surgem. Entender a Segurança como parte de um tecido organizacional é o primeiro passo para uma prevenção realmente eficaz.

Segurança e sua complexidade

Por: Adilson Monteiro

Muitos alegam que a Segurança é a disciplina da aplicação de regras e procedimentos de forma estável e desta forma, a simplicidade de uma estrutura hierárquica estabelece uma autoridade clara para o trabalho e áreas subordinadas. Os líderes têm autoridade e o poder de alocar recursos, ordenar, recompensar e punir comportamentos dos seus subordinados.

O simples, é somente quando olhamos à distância, pois em uma análise mais detalhada, vemos que a realidade se mostra bem mais complexa do que pensávamos. Aqui se encontra o abismo de conhecimento entre a liderança e a linha de frente, pois a hierarquização e as diversas camadas de comando criam a dificuldade de perceber o que se imagina de prevenção e saúde versus o que realmente acontece com os trabalhadores(as).

Neste cenário, fica claro que há surpresa nos líderes em se ter um acidente que foge a esse ordenamento, porém, na realidade que é complexa, destroi esta doce ilusão de comando e controle na Segurança.

Quando mergulhamos a fundo onde realmente acontece o processo (comando e tarefas) identificamos facilmente sua complexidade que pressupõe a integração e o caráter multidimensional de qualquer realidade imaginada em procedimentos e princípios pré-determinados.

Então , um sistema sociotécnico complexo é criado quando o nível de conectividade entre os atores promove a interdependência um do outro; em um sistema, a ação de um ator pode ter implicações mais amplas para outros atores conectados, essas interdependências determinam a natureza, escopo e tamanho do sistema, como no sistema sociotécnico complexo da Segurança.

“A complexidade é um tecido de constituintes heterogêneos inseparavelmente associados, colocando o paradoxo do uno e do múltiplo” Edgar Morin

Logo , a complexidade é como um tecido (do latim complexus, “o que é tecido junto”), com partes diversas e interligadas, que não podem ser separadas, e que revelam a tensão entre a unidade de um todo e a multiplicidade de seus componentes, um conceito central que busca uma visão holística e integradora da realidade,. Em sendo a Segurança a área de domínio de uma parte deste tecido , com seus fios representando procedimentos e regras, interligados como tantos outros fios das outras áreas que formam este “tecido organizacional”.

Portanto o rompimento de uma trama(s) que gera um rasgo no tecido, é o acidente, que se reflete em todas as áreas , assim como todo o tecido pode e deve dar flexibilidade ( resiliência) para que, mesmo sofrendo uma deformação, suas tramas não se rompam, a prevenção.

A Segurança não pode ser vista de forma simplista e isolada , mas sim parte do todo da Organização , do seu tecido e logo, todos (pessoas e áreas) contribuem para um ambiente seguro e saudável.

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