Segurança do Trabalho: por que enxergar além do preto e branco transforma resultados

No artigo “Realidade da Segurança em Cores ou Preto e Branco?”, Adilson Monteiro questiona a forma tradicional e linear com que muitos profissionais ainda analisam eventos de Segurança.

Somos treinados a enxergar o mundo em categorias rígidas, certo ou errado, culpado ou inocente, conforme ou não conforme. Mas essa visão simplista não dá conta da complexidade humana que existe no trabalho.

A dor começa quando percebemos que ferramentas lineares não explicam comportamentos multicausais, nem sistemas que se reorganizam e evoluem.

O valor do texto está em mostrar que a Segurança é multicolorida, sociotécnica e cheia de nuances, e só avançamos quando aceitamos essa complexidade e aprendemos a gerenciá-la, não a controlá-la.

Realidade da Segurança em Cores ou Preto e Branco?

Por: Adilson Monteiro

Estamos acostumados desde nossa formação como profissionais da Segurança, em pensarmos de forma racional e linear, ou seja, a lógica e o “ver para crer“ tem povoado nossa mente para analisar eventos e entender o ser humano no trabalho.

Ferramentas das mais diversas formas de lógica racional nos são apresentadas e somos doutrinados a seguí-las como uma paleta de cores em preto e branco. Pensamos em causa raiz, gatilhos comportamentais como lançamentos de atitudes comuns a todos,  eventos como dominós etc.

Tudo passa por um filtro dual como culpado ou não, certo ou errado, conforme ou não conforme, como se o Mundo real fosse exatamente feito desta dualidade e simples por natureza.

Assim vemos o mundo da Segurança em duas cores, preto e branco e até nos sentimos confortáveis com essa maneira de pensar pois não exige muito até algo estar fora desta lógica simplista e percebemos a complexidade, nos escancarando para uma realidade multicolorida de nuances particulares como cada ser humano na terra.

Essa complexidade derruba as certezas da linearidade, onde comandar e controlar não se mostra eficiente. Pessoas pensam e agem nesta realidade multi causal e tentamos com ferramentas simples podermos equacioná-las em entendimento simples, o que, até logicamente, não funciona.

Não podemos controlar um sistema complexo mas podemos gerenciar seus surgimentos.

Na realidade complexa, como nos ensina o Prof. Edgar Morin, tem sua própria forma de existir:

– Não-linear: linearidade não funciona e as parte interagem entre si, criando  saídas diferentes dependendo do contexto que também se altera;

– Surgimento: o ser humano em grupo naturalmente se adapta e cria novas formas de pensar e agir;

– Auto-organizado: pelo surgimento o acordo grupal é estabelecido, mesmo diferente dos procedimentos, para que as tarefas sejam feitas pelo entendimento e facilidades encontrados pelo grupo;

– Evolução: o conhecimento gerado pela interação em grupo (tácito) é o modo que se torna natural no seu comportamento;

Logo nasce a necessidade de vermos a Segurança na forma sociotécnica complexa e multifacetária diversa, ou seja, um mundo colorido, onde para entendê-lo, devemos abraçar e ver a complexidade com ferramentas sociais e que a variabilidade seja captada por tendências não como certeza.

O Erro humano deve ser entendido como uma tentativa de acertar e assim, precisa ser visto como oportunidade na evolução e não como culpa para estagnação.

Aceitar esse colorido de contextos e estabelecer a forma de gerenciar resiliências, não padrões rígidos, permitem conviver mais harmonicamente com a realidade sociotécnica complexa na Segurança.

Os artigos reproduzidos neste blog refletem única e exclusivamente a opinião e análise de seus autores. Não se trata de conteúdo produzido pela RSData, não representando, desta forma, a opinião legal da empresa.

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