RISCOS PSICOSSOCIAIS – UM INIMIGO INVISÍVEL E PRESENTE NA VIDA DE TODOS

Este artigo explora os riscos psicossociais presentes no trabalho, na família e em eventos sociais. Lúcia Simões Sebben aborda como esses desafios afetam nossa saúde mental, destacando o estresse como um sintoma alarmante. Descubra como priorizar o autocuidado se torna essencial para um estilo de vida equilibrado e saudável. Vamos conferir?!

Se você ainda não ouvir falar em riscos psicossociais, logo ouvirá. Falo das pressões da vida diária presente em vários ambientes, situações e cenários com potencial de prejudicar significativamente a saúde mental.
Há alguns anos, este tema vem sendo amplamente discutido nas empresas tendo em vista o aumento considerável dos casos de afastamentos e de acidentes de trabalho causados por fatores emocionais mal administrados. Mas para deixar mais claro sobre o que estamos falando, vou trazer alguns exemplos em cenários distintos, e você muito provavelmente irá se identificar.
No trabalho podemos observar situações em que o sujeito se vê tomado por cobranças excessivas, sobrecarga, exigências demasiadas, ou ainda situações de assédio, bullying ou outros tipos de relacionamentos tóxicos. Já no ambiente familiar podemos identificar crises familiares devido a desemprego, litígios, endividamento ou até mesmo agressões domésticas.
Estes são os ambientes onde cultivamos os relacionamentos mais significativos de nossas vidas e onde passamos a maior parte do tempo. Daí sua relevância!
Paralelo a estes ambientes, temos cenários que podem variar, mas que igualmente impactam em nosso bem-estar e qualidade de vida. Por exemplo, recentemente tivemos eleições e desde o início das campanhas um clima de polarização e intolerância se apresentou em nossas vidas causando cancelamentos, rupturas, conflitos em todos os ambientes sociais e nos relacionamentos em geral. Atitudes agressivas e de impaciência passam a caracterizar as conversas que rapidamente são dirigidas para temas de ordem política. O resultado disso? Pai que não fala com filho, amigos bloqueando no WhatsApp, trabalhador sendo ameaçado de demissão (neste caso caracterizado como assédio eleitoral). Do mesmo modo, lembrando do cenário pandêmico, vivemos tempos de isolamento social e de risco de contaminação que representou na vida de todos o medo de adoecer, de morrer, medo de contagiar alguém,
incertezas quanto ao futuro, medo do desemprego e o custo emocional em consequência disso tudo.
É importante deixar claro que o estresse não é um risco psicossocial, mas uma consequência em decorrência de tantos desgastes. E o que torna este inimigo tão perigoso é sua presença insistente em nossos dias, sem que nada seja feito para contê-lo. ideias limitantes e distorções, levam a crença de que tudo isso é normal, de que faz parte da vida moderna e é o preço que pagamos por viver em sociedade em um mundo que “somos o que produzimos”, seguindo as
premissas capitalistas vigentes.
E na medida em que aceitamos e permitimos que esta “normose” se perpetue em nossas vidas, o final da história será um só – pessoas doentes, exaustas e sem perspectivas.
Hoje, as novas gerações, filhas dos pais workaholic privilegiam seu bem-estar e abordam temas relativos à saúde mental sem tabus e sem estigmas, entendendo que trabalho sem qualidade de vida não é opção. Estresse não é normal, e portanto, não pode ser parte de uma realidade aceita.
A vida moderna precisa ser capaz de equilibrar trabalho x família x vida social x lazer e o que mais for do interesse de cada um. A prática do autocuidado que foi tanto abordada durante o homeoffice pandêmico veio para ficar, passando a ser parte de rotina de todos que desejam viver com longevidade, saúde e bem-estar.

Categoria

Últimas Postagens

Siga a RSData

Inscreva-se em nossa Newsletter:

Pular para o conteúdo