Com a recente atualização do Capítulo 1.5 da Norma Regulamentadora 1 (NR 1), que trata do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR), a atualização introduz, pela primeira vez, a identificação de Riscos Psicossociais no ambiente de trabalho. O novo texto da NR 1 obrigará as organizações a implementarem medidas para gerenciar esses riscos, garantindo que os trabalhadores não adoeçam mentalmente devido à sobrecarga de trabalho ou a ambientes tóxicos.
A entrada em vigor da nova NR 1 está prevista para nove meses após sua publicação, permitindo tempo suficiente para que as empresas se adaptem às novas exigências. Isso abre um grande questionamento sobre o tema: As organizações e seus profissionais de Segurança e Saúde Ocupacional estão preparados?
Para melhor entendimento, quando falamos de Riscos Psicossociais, inicialmente temos de compreender o subitem 17.1.1 da NR 17, que estabelece as diretrizes e os requisitos que permitem a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar conforto, segurança, saúde e desempenho eficiente no trabalho.
Mas antes disso, o que são características psicofisiológicas?
De acordo com o Manual de Aplicação da NR 17, publicado em 2002 pelo Ministério do Trabalho, as características psicofisiológicas dizem respeito a todo o conhecimento referente ao funcionamento do ser humano. Se a ergonomia se distingue pela busca de adaptação das condições de trabalho ao homem, a primeira pergunta a se colocar é: quem é este ou quem são esses seres humanos aos quais vou adaptar o trabalho?
Evidentemente, todo o conhecimento antropológico, psicológico e fisiológico está incluído, e não podemos listar todas essas características de forma completa. Ainda não temos um conhecimento acabado sobre o ser humano, mas todas as aquisições dos diversos ramos do conhecimento devem ser utilizadas na melhoria das condições de trabalho.
Os Riscos Psicossociais decorrem de deficiências na concepção, organização e gestão do trabalho.
Estes riscos estão inseridos em contextos sociais de trabalho problemáticos, podendo ter efeitos negativos a nível psicológico, físico e social, como:
- Estresse relacionado ao trabalho,
- Esgotamento ou depressão,
- Carga de trabalho excessiva,
- Exigências contraditórias e falta de clareza na definição de funções,
- Comunicação ineficaz, falta de apoio da chefia e dos colegas,
- Falta de participação nas tomadas de decisões que afetam o trabalhador e falta de controle sobre como o trabalho é executado,
- Assédio psicológico, moral, sexual ou violência.
Complementando, a natureza dos riscos psicossociais:
| CONTEÚDO DO TRABALHO | Falta de variedade ou ciclos de trabalhos curtos, trabalho fragmentado ou sem sentido, sob uso de habilidade, alta incerteza. |
| SOBRECARGA DE TRABALHO E RITMO DE TRABALHO | Sobrecarga de trabalho ou sob carga, ritmo de máquina, altos níveis de pressão de tempo, continuamente sujeitos a prazos. |
| CONTROLE | Baixa participação na tomada de decisão, falta de controle sobre a carga de trabalho, ritmo, etc. |
| HORÁRIO DE TRABALHO | Turnos de trabalho, turnos noturnos, horários de trabalho inflexíveis, horas imprevisíveis, horas longas ou anti-sociais. |
| AMBIENTE E EQUIPAMENTOS | Disponibilidade, adequação ou manutenção do equipamento inadequada, condições ambientais precárias, como falta de espaço, iluminação deficiente, ruído excessivo. |
| PAPEL NA ORGANIZAÇÃO | Ambiguidade do papel, conflito de papéis e responsabilidade pelas pessoas. |
| CULTURA ORGANIZACIONAL E FUNÇÃO | Má comunicação, baixos níveis de apoio para resolução de problemas e desenvolvimento pessoal, falta de definição ou acordo sobre os objetivos organizacionais. |
| RELAÇÕES INTERPESSOAIS NO TRABALHO | Isolamento social ou físico, relacionamentos pobres com superiores, conflito interpessoal, falta de apoio social, “Bullying”, assédio. |
| DESENVOLVIMENTO DE CARREIRA | Estagnação da carreira e incerteza, em promoção ou sobre promoção, salários baixos, insegurança no trabalho, baixo valor social para o trabalho. |
| INTERFACE TRABALHO – CASA | Demandas de conflito de trabalho e casa, baixo apoio em casa, problemas de dupla carreira. |
Os Riscos Psicossociais envolvem uma análise mais aprofundada.
As organizações deverão realizar avaliações contínuas dos riscos e estabelecer estratégias para prevenir situações de assédio e violência no trabalho.
Quando se trata de avaliações contínuas, surge uma pergunta simples:
- QUAL OU QUAIS SERIAM OS TIPOS DE AVALIAÇÕES A SEREM APLICADAS?
As organizações terão que gerir os ambientes de trabalho para que não levem os trabalhadores ao adoecimento mental, garantindo um ambiente de trabalho saudável.

“O maior erro que um homem pode cometer é sacrificar a sua saúde a qualquer outra vantagem.”
Arthur Schopenhauer
Arthur Schopenhauer (1788 – 1860) foi um filósofo alemão do século XIX. Fez parte de um grupo de filósofos considerados pessimistas.

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