O Engenheiro Sérgio Ussan, hoje nos traz o artigo “O Risco Psicossocial do Trabalho na Construção Civil. Por que complicar o que é fácil?” que desafia um dos temas mais debatidos na Segurança e Saúde do Trabalho: como tratar os riscos psicossociais de forma simples, objetiva e eficaz.
Em vez de repetir conceitos teóricos, Ussan propõe uma abordagem prática baseada na “teoria da exclusão”, que ajuda empregadores e profissionais de SST a identificar a origem real dos riscos, distinguindo o que vem do ambiente de trabalho e o que está fora dele.
O RISCO PSICOSSOCIAL DO TRABALHO NA CONSTRUÇÃO CIVIL. PORQUE COMPLICAR O QUE É FÁCIL?
Por Sergio Ussan
Considerando as diversas interpretações dadas ao Risco Psicossocial do Trabalho volto ao tema com foco na construção civil, não com críticas e definições deste risco e seus malefícios aos trabalhadores, isto todos os profissionais que de uma ou outra forma estão ligados à Segurança do Trabalho dominam.
A ideia é abordar, ou melhor, sugerir solução prática e simples para que todos entendam o caminho a ser seguido para conseguir a eliminação, ou pelo menos, a diminuição de sua ocorrência em canteiros de obras.
Inicialmente, de forma expedita, cabe listar os Riscos Psicossociais que podem surgir à frente dos trabalhadores, lista esta que pode ser ampliada a partir de situações específicas dos locais de trabalho:
- Jornada de trabalho: extensas e ininterruptas.
- Ambiente do trabalho: inadequado, falta de privacidade.
- Condições de conforto no trabalho: mobiliário e ferramentas inadequados.
- Organização do trabalho: situações de desencontros nas ações a serem desenvolvidas.
- Metas dadas ao trabalhador: acima de sua capacidade.
- Relações interpessoais: conflito com colegas ou líderes e assédios moral, sexual ou psicológico.
- Reconhecimento: falta de reconhecimento ou recompensas insuficientes.
- Autonomia: falta de autonomia, poder de decisão ou controle sob o trabalho.
- Liderança superior: autoritária ou sem empatia.
Por óbvio estes riscos tem como origem o local de trabalho, os quais podemos denominar Riscos Internos.
Mas, também óbvio, existem riscos que podemos denominar Riscos Externos, aqueles que o trabalhador está submetido no seu dia a dia fora do local de trabalho.
Estes riscos são inúmeros, sendo os mais comuns:
- Pressões familiares: situações de conflito ou desacordos no seio da família.
- Pressões financeiras: situações que são constantes.
- Problemas de saúde: pessoal ou familiar.
- Trânsito: condições desconfortáveis enfrentadas nos deslocamentos diários.
- Insegurança: na região de moradia.
- Clima: prejuízos decorrentes de situações climáticas.
Neste momento da leitura pode o leitor pensar “sim, isto eu sei, mas qual a solução ou as soluções?”
Certamente o leitor ampliará seu pensamento para a seguinte dúvida.
Como o empregador poderá ser responsável pelo atendimento ao trabalhador que apresentar consequências oriundas de Risco Psicossocial se a origem é externa e não pode ser creditada ao trabalho?
Certo, este é o cerne da questão, das dúvidas e das perguntas comuns e decorrentes do tema.
Para responder vamos raciocinar tomando como exemplo uma situação médica.
Médica?
Sim médica.
Um indivíduo vai consultar um médico apresentando dor sem saber sua origem.
Certamente o médico solicitará uma série de exames relacionados a diversas partes do corpo do paciente.
Com os resultados dos exames o médico, analisando-os, irá descartando premissas que não levam ao problema do paciente e ao final ficará com a origem do mesmo.
Ou seja, por exclusão das situações corretas apontadas nos exames o médico chegará ao diagnóstico correto.
Isto mesmo, por exclusão.
Aí está o caminho para entender como poderá o empregador separar os riscos internos e externos aos quais o trabalhador está exposto.
Nova pergunta que poderá surgir no leitor “como, não entendi?”
Seguindo o caminho do óbvio.
Se no local de trabalho os fatores de risco psicossocial forem eliminados ou elididos ali não será a origem do(s) problema(s) que o trabalhador apresentar.
Reforçando a teoria: se o empregador disponibilizar ao trabalhador locais e condições para suas atividades corretos só restará voltar a busca da origem dos riscos fora dos mesmos.
O empregador conseguirá esta situação seguindo o seguinte roteiro expedito (lembrando que estamos tratando do trabalhador da construção civil), que pode ser ampliado a seu critério.
– Trabalhador com a documentação exigida pela legislação e normatização vigente em dia com ênfase para os treinamentos e decorrentes qualificações.
– Propiciar ao trabalhador palestra de Integração ao ambiente de trabalho e às normativas a serem ali seguidas.
– Disponibilizar Áreas de Vivência que atendam as Normas Regulamentadoras Brasileiras (NRs).
– Entregar aos trabalhadores equipamentos de proteções individual e coletiva conforme determinado nas NRs.
– Ter controle sobre as jornadas de trabalho e metas a serem atendidas.
– Controlar e desenvolver o reconhecimento e autonomia do trabalhador.
– Possuir equipes de comando devidamente treinadas e preparadas com o trato ao trabalhador com ênfase para a empatia.
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– Desenvolver processos para a existência de boas relações interpessoais sobre as equipes de trabalho.
– Estimular a participação dos trabalhadores em discussões visando a criação e manutenção de ações voltadas para a segurança, saúde e meio ambiente de trabalho através de grupos de trabalho, diálogos diários, semanais ou mensais.
– Disponibilizar Caixa de Sugestões e apresentar Questionários para saber o que pensam os trabalhadores sobre os diversos métodos de trabalho e meio ambiente.
E possível considerar no até aqui exposto a necessidade de complementação de apoio psicológico, tema que deixo para especialistas neste segmento, apesar de considerar que ao atender o normatizado esta ação não será de responsabilidade do empregador.
Consideração Relevante;
Se o leitor achar que o texto é confuso, saiba que é proposital, pois sua finalidade é levar o leitor a analisar e ampliar todas as providencias citadas definindo quais os procedimentos serão seguidos ou desconsiderados adaptando-os às peculiaridades de suas atividades.
Aqui prevalece a frase que encerra todos meus Artigos e que é bom aqui citar “O contraditório será bem-vindo” acrescentando que “A discordância é a mãe da criatividade”.
Espero que o leitor atenda este desafio e registre sua opinião sobre “A Teoria da Exclusão” aqui apresentada.
Lembrando que o óbvio muitas vezes é esquecido.
Aqui estamos valorizando o óbvio.
Simples assim.
Reitero minha esperança que este mal traçado texto traga à luz a simplificação do que estão tentando complicar.
Para encerrar, palavras criadas para alertar como deve ser vista a Segurança do Trabalho.
“Segurança do Trabalho é como água do chimarrão em chaleira, se não levar ao fogo constantemente esfria”
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