Segundo Adilson Monteiro, no artigo “Regras de Ouro: aplicação boa ou má?”, diretrizes simples podem ajudar a destacar riscos severos e padronizar práticas de segurança. O problema aparece quando essas regras passam a focar apenas no comportamento do trabalhador, sem considerar o contexto em que a atividade acontece.
Generalizações, checklists e pouca adaptabilidade podem reduzir o pensamento crítico e até favorecer uma cultura de punição. Por isso, as Regras de Ouro funcionam melhor quando integradas ao design do trabalho, ao diálogo e à análise do contexto real. Mais do que exigir cumprimento, a prevenção precisa criar condições para que comportamentos seguros sejam possíveis.
Regras de Ouro: aplicação boa ou má?
Por: Adilson Monteiro
A implementação de “Regras de Ouro” de segurança é uma estratégia muito comum nas organizações para promover a prevenção e focar nos riscos severos no processo. Essas regras consistem, tipicamente, em um conjunto conciso de diretrizes ou princípios fundamentais de segurança, particularizados para cada processo em função dos riscos importantes presentes ou acidentes severos já ocorridos historicamente.
Bons motivos para sua implantação:
- Orientação clara e simples: oferecem orientações claras e concisas, fáceis de compreender sobre a prevenção de riscos severos;
- Padronização: as organizações promovem práticas de segurança consistentes e isso ajuda a criar uma abordagem unificada para a gestão da segurança no tratamento dos riscos severos identificados.
- Maior conscientização: ajudam a aumentar a conscientização sobre perigos e riscos críticos, destacando os aspectos mais importantes da segurança.
- Engajamento: por ser uma determinação da organização, facilita sua aplicação com menor resistência por todos os setores da empresa.
Maus motivos para sua aplicação:
- Foco comportamental: frequentemente enfatizam comportamentos, não indicando necessariamente a construção de contextos seguros no processo e assim criando uma forma de culpabilização e punição dos trabalhadores(as).
- Falta de especificidade: são frequentemente princípios gerais, que podem não oferecer orientações específicas para todos os cenários ou perigos encontrados no local de trabalho e isso pode gerar confusão ou incerteza.
- Simplificação excessiva: depender exclusivamente delas pode, inadvertidamente, incentivar uma mentalidade de mero cumprimento de requisitos (“check-list”) reduzindo o pensamento crítico e a consciência situacional.
- Adaptabilidade limitada: muitas vezes podem não adaptar-se facilmente ao contexto vivido no momento podendo criar desvios normalizados dado a necessidade da tarefa.
Assim , a melhor forma da aplicação das Regras de Ouro é no design, construindo em conceito, melhores práticas de prevenção e direcionando o comportamento ( contexto dirige comportamento – HOP). Sua aplicação como princípio para os trabalhadores(as) deve ser no sentido de alerta para entender o contexto e os riscos severos , com abertura ao diálogo da sua adaptabilidade na tarefa específica, reduzindo assim uma generalidade “burra” usada somente para a punição. Afinal se aplicação de regras fossem o sucesso na prevenção, a simples existência das Normas Regulamentadoras (NRs), seriam suficientes para não termos mais acidentes severos.

Os artigos reproduzidos neste blog refletem única e exclusivamente a opinião e análise de seus autores. Não se trata de conteúdo produzido pela RSData, não representando, desta forma, a opinião legal da empresa.


