Qual deve ser o resultado da análise de acidente de trabalho?

O acidente de trabalho não é praga divina e nem má sorte, é fruto de disfunções presentes no ambiente de trabalho.

Apesar de um acidente de trabalho ser um evento de baixa probabilidade ele deve ser estudado para que se possa aprender com ele.

APRENDER E MELHORAR

Aprender com o acidente de trabalho é um enorme desafio para as organizações. Isso porque na busca por respostas rápidas é mais fácil culpar alguém e punir do que aprender e melhorar…

O acidente de trabalho oferece um campo de aprendizado extraordinário para organização. Infelizmente muitas empresas fazem mal uso da análise do acidente, a utilizam para culpar alguém ao invés de aprender e melhorar.

A NR 01 deixa claro que que a análise de acidente deve fornecer evidências para apoiar e revisar as medidas de prevenção existentes na organização, na prática, o resultado da análise de acidente é como se fosse uma bússola, nos indicando o caminho da melhoria.

1.5.5.5.2 As análises de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho devem ser documentadas e:

c) fornecer evidências para subsidiar e revisar as medidas de prevenção existentes.

É preciso estar atento para não permitir que nossas crenças pré-concebidas conduzam análise de acidente no sentido de culpar alguém.

FUGIR DAS CRENÇAS PRÉ-CONCEBIDAS NA ANÁLISE DE ACIDENTE

Nós temos a tendência de “ver (ou escutar) mais aquilo que cremos” do que crer naquilo que vamos ou escutamos.

Se um gerente ou um representante de pessoal está convencido de que os acidentes acontecem unicamente por erros humanos ou “atos inseguros”, ele não terá dificuldade em criar uma teoria que embase esse pensamento.

No livro Fatores Humanos e Organizacionais da Segurança Industrial os autores em dado momento falam sobre o viés de confirmação e trazem o seguinte relato.

Apresenta-se a algumas pessoas um filme sem o som1 e nele se veem duas pessoas discutindo. Pede-se as pessoas que o assistiram, em seguida, que avaliem as características do caráter das duas pessoas filmadas. No entanto, foi dito a alguns que a pessoa A era Assistente Social e B alguém com dificuldades sociais, ao passo que a outros disseram o contrário.

Os indivíduos que viram o filme tiveram a tendência de vincular os traços de personalidade “calma, profissional” àquela pessoa que foi nomeada como assistente social e os traços “agitada, inquieta” àquela que foi nomeada como caso social! Eles não viram o “mesmo filme”.

Reflita o quanto isso é louco! Mesmo as pessoas tendo visto o mesmo filme, eles não viram o mesmo filme! Isso porque as crenças pré-concebidas determinaram o que eles realmente conseguiram ver…

É preciso que os profissionais de segurança estejam com as suas mentes abertas para analisar os acidentes de trabalho pensando sempre no caminho da melhoria. Talvez para fugir das crenças pré-concebidas seja importante envolver mais pessoas nas análises de acidente, talvez além da CIPA alguns líderes de setor, e que tal envolver algumas pessoas que nem conhecem o trabalhador acidentado?

REVISAR AS MEDIDAS DE CONTROLE

O trecho da NR 01 que vimos acima, deixa muito claro que a empresa deve levar em conta os dados da análise de acidente para revisar e melhorar as medidas de prevenção existentes.

Apesar de da análise acidente ser uma ação que visa gerar um relatório, ir para a gaveta, ela deve ir além, deve fornecer subsídios para melhoria.

NENHUM ACIDENTE É EM VÃO!

O Lito do canal Aviões e Músicas sempre disse que “nenhum acidente em vão”, isso porque ele sempre traz aprendizados que nos ajudam a evitar acidentes parecidos no futuro. Espero que os profissionais de segurança, muitos deles, quem sabe a maioria, também pensem da mesma forma.

A análise de acidente pode pavimentar o caminho inicial para a melhoria do clima e cultura de segurança, o profissional de segurança precisa deixar claro que pegar esse caminho deve ser decisão e responsabilidade de todos, ou pelo menos da maioria, começando pelo alto escalão da organização.

Nestor W. Neto
Técnico em segurança do trabalho;
Professor coach;
Palestrante;
Criador e editor do blog/site segurança do trabalho NWN;
Professor e escritor.

Os artigos reproduzidos neste blog refletem única e exclusivamente a opinião e análise de seus autores. Não se trata de conteúdo produzido pela RSData, não representando, desta forma, a opinião legal da empresa.

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