Ruído Ocupacional: diferenças entre avaliações com “q3” e “q5”

Muito se discute sobre qual fator de troca deve ser utilizado para avaliações em atendimento à legislação previdenciária, e estamos neste momento prestes a
futuras alterações no Anexo 1 da NR-15, que trata de ruído contínuo ou intermitente. Dependendo do que for alterado, pode acabar com a polêmica citada.

Aqui não pretendemos estender essa discussão, mas apenas mostrar brevemente as discrepâncias nos valores para um mesmo GHE (Grupo Homogêneo de Exposição).

Foi realizada recentemente uma avaliação em uma multinacional, a qual solicitou resultados em ambos os fatores de troca, 3 e 5. Abaixo os resultados e análises dos valores obtidos (no destaque colunas em amarelo).

Considerações: algumas informações foram omitidas para preservar a empresa; em GHE com mais de duas avaliações e que atendiam ao teste estatístico de distribuição lognormal foi dado um tratamento estatístico e o valor representativo para o GHE foi a Média Aritmética Estimada, calculada pela Variância Mínima Estimada Imparcial; GHE com três avaliações e que não atenderam ao teste estatístico ou com duas avaliações, teve como valor representativo para o GHE o maior valor; se observar bem, vai reparar que alguns GHE coincidiram nos resultados. Isso foi porque, para ruído, eles tinham exposição similar (mesmo GHE considerando apenas o agente ruído).

A seguir começamos a análise dos resultados, primeiramente agrupando-os em valores abaixo do NA (Nível de Ação), acima do NA e abaixo do LT e acima do LT (Limite de Tolerância):

Podemos observar que metade dos GHE ficaram com valores abaixo do NA com o fator 5, enquanto apenas 10% dos setores se enquadraram nessa condição com o q3.

A seguir, observamos as diferenças em dBA entre os dois fatores de troca:

Gráfico 2 – diferenças por GHE
Tabela 3 – Comparativo da maior e menor diferença entre os fatores de troca

Finalmente, o resumo dos valores, agrupando-os em 4 classes:

Gráfico 3 – Agrupamento das diferenças entre os fatores de troca por faixas, em dBA

Pouco mais da metade, portanto, tem diferença menor que 5 dBA, mas expressivos 35% dos resultados variaram de 5 a 9,9 dBA.

CONCLUSÃO

Considerando este pequeno case, observamos que boa parte dos resultados tiveram diferença de “apenas” 5 dBA, porém, 15% das exposições ficaram acima do Limite de Tolerância com q5, enquanto 45% das exposições ficaram acima do Limite com q3, e 50% dos GHE permaneceram com o valor em dBA abaixo do NA ao passo que 10% dos setores teriam essa condição com o q3. De acordo com a tabela 1, foi possível observar também que todos os GHE tiveram os níveis atenuados pelas proteções pessoais existentes, mesmo com o q3, fator de troca mais rigoroso.

Jadson Viana de Jesus

Técnico em Higiene Ocupacional Certificado pela ABHO – THOC 0054.

Consultor de Higiene Ocupacional.

Os artigos reproduzidos neste blog refletem única e exclusivamente a opinião e análise de seus autores. Não se trata de conteúdo produzido pela RSData, não representando, desta forma, a opinião legal da empresa.

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