Profissional de Segurança “Arroz com Feijão” ou Profissional “Diferenciado”?

Profissional de Segurança “Arroz com Feijão” ou Profissional “Diferenciado”?  Que Habilidades esperar deste profissional?

Em um processo de gestão de SST as organizações não precisam somente de profissionais com qualificações e capacidade técnica, pois isso é o básico! Atualmente precisamos de profissionais com atitude, pensamento crítico e capacidade de reaprender.

Wesley Silva – CEO da Innove Consultoria e Treinamentos

Após escrever esta reflexão e conversando com uma amiga que atua na Engenheira de Segurança do Trabalho, resolvi escrever este texto que pode até parecer um pouco polêmico.  Claro que a finalidade não é criar um conflito, mas uma reflexão sobre o que as organizações esperam dos profissionais de SST (Segurança e Saúde no Trabalho) e também como podemos pensar a nossa carreira profissional ao longo do tempo para atingir novos patamares.

Participando de conversas com outras pessoas do setor da segurança do trabalho e gestores de empresas, tenho observado que ainda temos muitos profissionais de segurança que não possuem uma compreensão clara dos objetivos da sua profissão. A meu ver, este sempre foi garantir a segurança e a saúde dos trabalhadores e o crescimento das organizações. Para atingir este objetivo, vamos precisar empregar várias técnicas, ferramentas, normas e recursos.

A ausência de um objetivo claro, pode ser um dos fatores que levam diversos profissionais a se desmotivarem na atuação em SST. É Claro que isso, pode não ser o único fator, já que existem outras variáveis neste processo.

Isso me lembra aquela frase do Livro – Alice no País das Maravilhas: “Se você não sabe para onde ir, qualquer caminho serve.”  Eu ainda acrescentaria:  Se você não sabe para onde ir, qualquer caminho serve e todo caminho pode parecer certo ou errado.

Talvez essa falta de entendimento claro dos objetivos leve a “profissionais” que realizam somente o que lhe é solicitado sem se preocupar do “por que” está realizando aquilo, ou seja, não tem um senso crítico sobre as atividades que realiza e quando é perguntado: Por que está realizando determinada ação? Por que está elaborando um programa ou procedimento? Simplesmente responde: “É porque o cliente pediu!”. Será isso que as organizações esperam de um profissional?

Pode até ser que algumas empresas pensam assim, mas são empresas que ainda não possuem a gestão de SST como um fator relevante nas suas estratégias de mercado e tendem a ficar estagnadas ou até mesmo ter o encerramento de suas atividades em algum momento não muito distante, caso não mudem sua estratégia.

Vejo também situações neste tema, quando por exemplo falo do PGR – Programa de Gerenciamento de Riscos e alguns profissionais nem sabem quando vai entrar em vigor, ou nem sabem o que é, ou estão esperando entrar em vigor para procurar entender do assunto. Um assunto que já é discutido a anos em diversos setores, empresas e países. Lembre-se não estamos inventando a roda!

Será que estes profissionais poderiam ser chamados de profissionais “Arroz com feijão”?

Na verdade, essa era a minha “Teoria inicial”, porém fazer o “arroz com feijão” seria fazer o básico bem-feito. E para fazer o básico bem-feito, exige muita dedicação, esforço, capacidade de solucionar problemas e criar formas de fazer o que precisa ser feito para gerar o resultado esperado.

Em se tratando de SST, o básico bem-feito seria eliminar os riscos do ambiente de trabalho ou no mínimo gerenciar os riscos de maneira a não termos doenças e acidentes do trabalho. Seria dar prioridade as medidas de proteção coletiva, de engenharia e administrativas antes de adotar o EPI (Equipamento de Proteção Individual). E ao adotar o EPI, fazer sua seleção de maneira adequada ao risco, realizando a monitoração do uso, inspeção, controle de eficácia, treinamento e outras ações relacionadas.  É claro que isso, dependeria da organização, já que é ela quem deve prover os recursos necessários, porém é preciso que este profissional trabalhe neste aspecto de forma que adotou as medidas de ordem individual não porque ele não apresentou ações para eliminação ou redução do risco e sim porque a organização não consegue implementar aquela ação por um motivo qualquer.

Um profissional de destaque, precisa ter o desejo de ir além do que o governo solicitado em sua legislação, precisa buscar novas soluções e agir proativamente. É preciso que ele busque novos conhecimentos nas diversas áreas de competências necessárias para a Gestão de Riscos.  Não fique no conhecimento básico adquirido naquele curso técnico de segurança ou até mesmo da engenharia.

Muitos conhecimentos adquiridos há alguns anos não possuem mais aplicabilidade prática nos dias de hoje, ou já existem novos entendimentos, normas relativas à aquele tema e até maneiras diferentes de aplicar aquele aprendizado. Isto está relacionado a capacidade de aprender e reaprender.

Alvin Tofflern escreveu: “O analfabeto do século XXI não será aquele que não consegue ler e escrever, mas aquele que não consegue aprender, desaprender e reaprender.”

Por que desaprender?

Algumas ações feitas anteriormente deram certo, mas hoje se aplicadas podem não obter o mesmo resultado, pois estamos constantemente mudando a forma de soluções com base em novos conhecimentos. Precisamos ter ciência que nem toda mudança trará melhorias, no entanto, é preciso considerar a possibilidade de mudar e analisar os impactos da mudança, e isso implica em correr alguns riscos e superar certos medos, pisando muitas vezes na incerteza.

Com estas mudanças constantes do mundo, em normas, nas formas de fazer, na forma de interagir, nas tecnologias e outras, precisamos de um mindset ou uma mentalidade de crescimento, inclusive algumas organizações utilizam em seus processos de recrutamento, perguntas para saber como é o seu mindset, pois aquele que deseja aprender costuma ter mais sucesso que a pessoa que já aprendeu “tudo” e só “tem” a ensinar.

Um profissional de SST precisa ter atitude e um sentimento de dono do processo, de dono do negócio, trabalhando para antecipar possíveis riscos e problemas que podem surgir no ambiente de cada empreendimento.

Posso trazer um exemplo de uma situação que aconteceu com uma amiga que atua na gestão de contratadas que ao chegar em um canteiro de obras. Observou que o processo de varrição, realizado por uma empresa produzia grande quantidade de poeira. Neste momento notou que um profissional de segurança da contratada observava a operação e foi indagar por que os trabalhadores não estavam utilizando respirador tipo PFF e somente a máscara de tecido (proteção para Covid). A resposta, foi que no laudo da empresa a sílica estava abaixo do limite de tolerância. Detalhe é que essa atividade não era rotineira. Ou seja, estava seguindo somente o que estava no documento ou norma e não havia realizado um processo de análise de risco adequado. Neste momento minha amiga teve que explicar a importância da atitude do profissional de SST de acordo com cada situação e não ficar preso somente ao texto.

Alguns especialistas afirmam que as habilidades ou se você quiser um termo mais sofisticado, as soft skills do século XXI se resumem a quatro itens:

  • Comunicação
  • Pensamento crítico
  • Criatividade
  • Colaboração

Na minha opinião, com as mudanças que vem acontecendo no mercado e nas organizações, não seremos desejados pelas empresas somente por saber aplicar as normas regulamentadoras, pois isso é uma obrigação de um profissional de SST, é por isso que possuímos uma certificação que leva a um registro, e posso dizer que isso é a condição NORMAL. Seremos desejados pelo nosso diferencial. O que temos além das Normas Regulamentadoras para oferecer. O que você acha?

Precisamos atuar de maneira independente e em grupos, mesmo em um ambiente com tecnologia altamente avançada, devemos estar preparados para uma interação diária com pessoas de culturas e formações diferentes e atuando em processos diversos. Pensar de forma criativa, adaptável e flexível as mudanças e entender como planejar, construir e incluir a colaboração de parceiros em suas áreas de atuação.

Espero que este texto gere alguma reflexão sobre o tema e ajude você no seu crescimento profissional.

Contribuição: Desirée Arêdes e Jaciléia Pinheiro

Por: Wesley Silva

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