No artigo “Profissional da Prevenção Bravo: em nada Resolve”, Adilson Monteiro questiona a postura recorrente de profissionais de segurança que vivem em modo reclamação. Em vez de fortalecer a prevenção, a atitude de “rabugento” apenas reforça a distância entre problema e solução. A dor é clara: mesmo com boas intenções, só reclamar não muda a consciência coletiva nem transforma cenários sociotécnicos complexos. O valor está em adotar uma postura estratégica, objetiva e baseada em dados, capaz de influenciar a organização de forma real e colaborativa.
Profissional da Prevenção Bravo: em nada Resolve
Em todos os anos na Segurança , um fato recorrente é encontrar profissionais da prevenção reclamando do seu trabalho. Eu mesmo, no início, também era um “rabugento” da Segurança , tudo reclamava : falta de gente , baixo apoio, falta de recursos, falta de comprometimento, etc.
“Reclamar” significa expressar insatisfação ou desconforto, seja através de críticas orais ou escritas, seja por lamentação pessoal.
Com o tempo , vi que é uma necessidade de sair da posição de “reclamação” para uma “ação” de uma forma coordenada e estratégica.
Para tanto, uma das abordagens da situação de mudança do contexto atual é enxergar o fato sociológico que ser quer mudar na prevenção. Esta abordagem tem como referências nos estudos de Émile Durkheim que foi um psicólogo, filósofo e sociólogo francês do século XIX.
Para Durkheim , os fatos sociais são maiores que qualquer consciência individual e eles criam o que o sociólogo chamou de consciência coletiva.
Assim , ter uma visão particularizada sobre a prevenção, não é suficiente para alterar a consciencia coletiva da organização. É preciso mais para influenciar uma realidade sociotécnica complexa.
Durkheim, teve formação em Direito e Economia , então, seus estudos incluiem a realidade vivida pelas organizaçõe e dentro da suas assertivas, elenco aqui as que ajudam nós , prevencionistas, estruturar a ação a ser apresentada e assim aumentar a influência sobre as ações da mudança de um contexto complexo:
– Examine a generalidade: Verifique se o fato identificado é geral na organização e se possui uma existência própria, independente das manifestações individuais dos trabalhadores(as). Exemplo apesar da rega do uso de óculos de segurança, o desvio desta regra é normalizada, especialmente pela liderança;
– Busque dados e informações: Use exemplos, dados estatísticos e pesquisas para embasar sua análise estruturando de uma forma coerente e lógica usando os valores e ética da organização;
– Mantenha a objetividade: Em vez de expressar apenas sua opinião, descreva o fenômeno de forma objetiva, mostrando todas as implicações possíveis;
– Estruture sua argumentação: Organize suas observações e análises de forma clara e concisa, elaborando um relatório ou apresentação conclusiva.
Assim, ficar bravo ou mesmo ficar reclamando de uma condição na organização, da liderança, de recursos etc., de nada adianta como uma posição isolada dentro da área da Segurança, sendo necessário o envolvimento de todos na organização de uma forma propositiva, como racionalidade e dados, estruturados e de forma colaborativa, pois a busca é do bem coletivo e não posições individuais ou departamentais.
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