Prevenção: um fardo pesado para a Cultura Organizacional

Nas minhas andanças pelo ambiente da Segurança sempre encontro profissionais descontentes e pensando até em deixar a profissão, apesar de gostarem bastante dela.

Problemas ligados diretamente à vida do profissional nas empresas são muitos, tais como:

  • Condição salarial e benefícios pouco atraentes;
  • Recursos disponíveis extremamente limitados;
  • Cultura organizacional reconhecendo a prevenção como burocrática e de custos desnecessários.

Realmente ainda temos, como sociedade brasileira, a noção que a prevenção, especialmente no setor privado, como um peso enorme a ser carregado por motivos primordialmente legalistas, sem os quais, por eles, nem área da prevenção existiria. Assim, o mínimo é colocado sobre a mesa para servir os profissionais da prevenção.

Pensar desta forma é um contrassenso, já que as empresas estão inseridas em uma sociedade que paga pelos acidentes, tal como indica a Organização Internacional do Trabalho (OIT) que cerca de 4% do PIB nacional é gasto com acidentados e, desta forma, contribui para as empresas gastarem mais com impostos e terem dificuldades em conseguir financiamento barato.

Segundo Liberty Mutual Workplace Safety Index aponta que para cada dólar que uma empresa investe em Segurança, o resultado equivale a quatro (4) dólares de retorno sobre o investimento (ROI) sobre vários aspectos, tais como aumento da produtividade e redução dos custos fixos.

Mas então por que esta visão de economia com a a boa gestão da Segurança não é assumida por muitas empresas?

As razões são inúmeras, abaixo algumas que julgo as mais importantes:

  • Profissionais da Segurança não letrados no Negócio, limitando-se somente na burocracia legalista da área;
  • Exclusão da área da Segurança na discussão estratégica da empresa, perdendo assim oportunidades de redução de custos operacionais;
  • Visão limitada dos gestores empresariais que se apoiam nos recursos governamentais no tratamento de acidentados, não fazendo sua parte de prevenção destes para a Sociedade.

No Mundo altamente globalizado, a maioria de produtos e serviços tendem a ser commodities e sendo assim a sustentabilidade das empresas residem em sua eficiência operacional em produzir mais e com menores custos fixos em que em sua maioria, tem grande parcela dedicada à mão de obra. Assim, cuidar dos trabalhadores(as), além da importância social, tem um aspecto estratégico-econômico de suma importância para os empresários.

Logo, cabe aos profissionais da prevenção também assumirem o seu papel dentro da gestão do Negócio, além do de prevencionista, entendendo-o e buscando alternativas para aumentar sua eficiência de modo seguro e saudável no processo e constatarão que o peso que hoje sentem, carregando sozinhos como prevenção, torna-se opostamente aquilo que os elevam a uma condição de reconhecimento e facilitação do trabalho quando integrados ao Negócio. , E quais são as suas dificuldades ?

Os artigos reproduzidos neste blog refletem única e exclusivamente a opinião e análise de seus autores. Não se trata de conteúdo produzido pela RSData, não representando, desta forma, a opinião legal da empresa.

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