Por que a saúde ocupacional é importante?

No cenário em constante evolução da segurança do trabalho e da medicina ocupacional, a gestão de dados emerge como um pilar fundamental para a tomada de decisões informadas e eficazes. Neste artigo, Dr. Geraldo Cavalcante relata como a análise e a gestão de dados desempenham um papel vital na saúde ocupacional, na segurança dos trabalhadores e no sucesso das empresas.

A Importância dos dados na saúde ocupacional

Há vinte anos, quando me formei em Medicina do Trabalho, a parte de gestão de dados era importante, mas não tanto quanto é hoje. Falávamos sobre controle de absenteísmo, sobre relatório anual do PCMSO, sobre controle dos exames periódicos.

Hoje a gestão de dados é muito mais importante. Como exemplo, temos na NR7 as vigilâncias ativa e passiva. Quando o médico do trabalho entende o que significa fazer vigilância ativa e passiva, entende que sem um controle robusto dos dados não há como fazê-las.

Sem uma forma de trabalhar que ligue cada atestado do empregado, cada queixa apresentada, cada alteração de exame complementar às listas de doenças presentes no Decreto 3048, em seu Anexo II, o médico do trabalho não consegue fazer as análises necessárias para o entendimento de se há ou não componente ocupacional na doença/queixa/alteração de exame. Além da necessidade de saber de pronto se o atestado/queixa/alteração de exame está listado no citado anexo, não há como fazer uma análise para confirmar ou afastar o nexo se o médico não tem de forma fácil quais são os riscos (físicos, químicos, biológicos, ergonômicos) associados aos empregados que apresentam os atestados/queixas/alterações em exames. Por fim, feita a análise, o resultado dessa análise deve ficar cadastrado para, ao final de um período, fazer parte do relatório analítico do PCMSO. E também para servir de base para decisões acerca de ações que possam, inclusive, fazer parte do plano de ação previsto na NR1, visando a diminuição da exposição a perigos/riscos. Veja aí a importância da integração dos dados, da importância da gestão desses dados para acompanhamento, por exemplo, das análises e dos resultados dessas análises.

Outro exemplo é o controle evolutivo das audiometrias. Para definir se as audiometrias alteradas o são por exposição ao ruído ocupacional, deve o médico do trabalho fazer a comparação entre a audiometria alterada com a audiometria de referência, conforme NR7. Mas para fazer essa comparação, deve ter de forma fácil o controle evolutivo das audiometrias, que mostra o resultado de cada uma das audiometrias realizadas pelo empregado ao longo de sua atividade laboral na empresa, em cada uma das frequências testadas. Com o controle evolutivo em mãos é bem mais fácil e acertado fazer a decisão sobre existência ou não de nexo. Também entra aqui a importância da integração de dados (exposições a ruído do empregado à época de cada audiometria x resultado de cada audiometria), da gestão de dados para acompanhamento e gestão dos resultados das análises, que também fazem parte do relatório analítico.

Para empresas que optam por trabalhar a saúde dos empregados de forma mais ampla, coletando dados para construção de um perfil epidemiológico, contendo informações como idade, gênero, etilismo, tabagismo, atividade física, perfil de saúde mental, IMC, risco cardíaco etc., também é de suma importância que a massa de dados tenha uma boa gestão. Uma vez comparada com a literatura existente ou com dados da evolução desses empregados ao longo do tempo, se possível com uma pitada de machine learning, essa massa de dados serve para tomada de decisões que venham a beneficiar a saúde dos empregados da empresa, os tornando menos propensos a adoecimento e a aposentadoria precoce.

Um último exemplo da importância da gestão de dados que gostaria de dar envolve tributação. Para uma empresa ter controle dos seus gastos jurídico/tributários relacionados ao trabalho, importante ter a gestão de EPI, que nas grandes empresas é difícil de ser feita sem um bom software. A simples comprovação de entrega do EPI não é hoje suficiente para livrar a empresa de onerosos pagamentos. Tem importância também a gestão dos benefícios acidentários concedidos aos seus empregados, bem como das contestações realizadas quando da concessão desses, para garantir o controle do FAP.  Sem a gestão dessas informações em mãos a empresa corre o risco de ter surpresas desagradáveis ao receber processos ou o seu FAP a cada ano.

Enfim, hoje está claro que o profissional de segurança e saúde ocupacional que não está atendo aos dados, que não tem uma boa gestão dos dados, está, por assim dizer, fadado a cometer enganos ou omissões que podem levar prejuízos para a saúde do empregado e para a saúde financeira da empresa.

Os artigos reproduzidos neste blog refletem única e exclusivamente a opinião e análise de seus autores. Não se trata de conteúdo produzido pela RSData, não representando, desta forma, a opinião legal da empresa.

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