Adilson Monteiro, no artigo “Placa de Informação da Segurança”, provoca uma reflexão importante sobre o uso das placas de dias sem acidentes nas empresas. Essas sinalizações tiveram papel histórico na prevenção, mas hoje podem reforçar uma visão limitada da segurança.
Quando o foco fica apenas no número, o processo, a organização do trabalho e as ações preventivas podem perder espaço. Repensar essa comunicação ajuda a construir uma cultura de segurança mais madura, participativa e integrada.
Placa de Informação da Segurança
Por: Adilson Monteiro
A necessidade de sinalização de segurança surgiu na segunda metade do século XVIII, com a Revolução Industrial (1760) na Inglaterra, devido ao aumento elevado de acidentes e lesões causados com a introdução da máquina a vapor, resultando em ambientes de trabalho perigosos e com alto índice de acidentes gerou a necessidade imediata de alertar sobre perigos, embora as primeiras sinalizações fossem simples pinturas ou placas manuais.
Outro exemplo da evolução das placas de sinalização em relação aos números de acidentes foi nas indústrias ferroviárias nos EUA , como a placa da Topeka & Santa Fe Railway em Chicago , nos anos de 1950, indicando número de acidentes por processo (trens, pátios, estações, etc.).
No Brasil também a placa não tem uma origem certa documentada, porém, ela foi institucionalizada após a criação da CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes), em 1944, Decreto-Lei nº 7.036, durante o governo Getúlio Vargas, visando observar e relatar riscos, sendo a placa uma ferramenta visual adotada para cumprir essa missão.
Mas ela é benéfica ou não?
Há de se reconhecer o papel importante das placas com os números de acidentes na história da evolução da Segurança, como um dos primeiros meios históricos de organizar e fornecer publicidade ao tema da prevenção nas organizações , sendo fácil a sua implantação e atualização, alcançando a informação a todos os trabalhadores(as). Neste ponto foi benéfica.
Eu mesmo usando-a identifiquei condições que criaram dificuldades em tê-la como um instrumento adequado e útil, tais como:
- Como sua atualização fica a cargo da equipe da Segurança, acaba implicitamente fazendo o entendimento que a prevenção é de responsabilidade desta equipe;
- Enfatiza, erroneamente, que o problema é o trabalhador(a) representados nos números da classificação dos acidentes (com ou sem afastamento);
- Métrica perversa, pois coloca apenas um trabalhador(a) como responsável pela quebra do recorde dos dias sem acidentes, trazendo consigo um sofrimento individual e social, representando sempre um fracasso humano;
- A comemoração do crescente número de dias acumulados sem acidentes com afastamento , se contrapõe com a decepção da alta direção, pela sua queda, com a equipe da Segurança, mesmo esta em trabalho árduo;
Com a evolução dos meios de comunicação nas Organizações, tanto as novas placas como os meios eletrônicos, permitem reportar sua informações relevantes de forma mais abrangente e com uma visão integrada ( humano e processo) mostrando que a prevenção é de responsabilidade de todos na Organização e que igualmente ações preventivas estão sendo realizados por todos os níveis, e não se deter somente em métricas reativas, como o número de dias sem acidentes na empresa.
- Guia essencial: “O que é Segurança e Saúde no Trabalho e por que sua empresa precisa entender isso agora”

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