Acreditamos ter nossa opinião formada por alguns assuntos. Acreditamos ser livres para expressar o que pensamos. E muitos se dizem à vontade de discordar ou de expressar uma ideia contrária, se for o caso. Será mesmo?

Um fenômeno observado por pesquisadores revela que temos a tendência de lembrar, interpretar ou pesquisar informações de maneira a confirmar e validar crenças que já trazemos ou hipóteses iniciais. A isso chama-se “Viés de Confirmação”, ou seja, a propensão a buscar informações que reforcem algo que já acreditava, e a rejeitar toda a informação que for diferente disso.
Para a pesquisadora Noelle Newmann, as pessoas têm medo de sentirem-se isoladas ou rejeitadas socialmente levando-as a observar o que é aceito e o que é rejeitado. A partir deste senso comum, passam a exercer uma certa “pressão de isolamento” sobre as demais de modo a comunicar ao grupo o que é permitido ou não. Assim, inconscientemente o grupo passa a barrar aquele comportamento divergente chamando a este fenômeno de “Expiral do Silêncio”.
Outro movimento que se pode observar, diz respeito à quando julgamos ou tratamos outras pessoas em função de estereótipos e pressupostos muitas vezes pouco conhecidos ou precipitadamente conceituado sobre o que grupo a que pertence, ao que se denomina “Viés de Percepção”.
O que existe em comum nestes três conceitos é a distopia, ou seja, a visão limitada e por este motivo, disfuncional da realidade em que se vive, gerando uma onde de polarização, ruptura e intolerância impedindo a conexão entre as pessoas e formação da comunicação desobstruída e fluida. Ocorre que socialmente é gerado um afastamento através de atitudes de desconfiança e não aceitação de simples diferenças individuais. De certa forma, isso tudo é premiado pelo grupo em que já está inserido sendo percebida a admiração, a aceitação, encorajamento e todos os reforços necessários para que este sujeito se mantenha “do nosso lado”.

Se deixar levar por estes fenômenos pode ainda afetar as nossas lembranças nos levando a selecionar o que será assimilado e retido, descartando as demais informações que não servem ao propósito da inserção e aceitação social. Desta forma, construímos memórias tendenciosas que vão cada vez mais, reforçando nossas crenças, paradigmas e pressupostos.
Isso tudo é facilmente observado nas redes sociais: aqueles que fizerem posts ou comentários que estiverem de acordo com as premissas que trazem aceitação, são seguidos e curtidos. A página seguirá enviando a você novas postagens e sugerindo novos contatos de acordo com as crenças que já foram expressas por você em algum momento. Gradualmente você é estimulado e incentivado a práticas de polarização, intolerância e cancelamentos.
Estes movimentos estão em nosso dia a dia, em todos os lugares e somos fortemente estimulados a praticálo. No entanto, se deixar levar por esta onda representa anular nosso pensamento crítico e nossa capacidade VIÉS DE CONFIRMAÇÃO • Buscar informações que confirme seu paradigma • Não confiar em qualquer ideia contrária EXPIRAL DO SILÊNCIO • Calar para ser aceito • Ceder as pressões do grupo VIÉS DE PERCEPÇÃO • Lembrar apenas do que confirma suas crenças • Julgar e discriminar quem pensa diferente questionadora. Nos tornamos manada!!! Perdemos a capacidade de empatia, de aprender com as diferenças de criar e inovar ficando refém da triste e ilusória necessidade de aceitação e de pertencimento.
Mas não pára por ai. Seguirá cada vez com mais força podendo gerar rupturas dentro do ambiente familiar. Será percebido a censura, o medo de falar, o medo de pensar diferente, ataques a autoestima construindo muros onde deveríamos estar construindo pontes.
Muito provavelmente você se identificou em alguma medida. Mas posso garantir que estamos todos neste barco aceitando ou rejeitando, falando ou calando, com medo ou com coragem, com questionamento ou com passividade, de forma crítica ou submissa. É hora de fazer escolhas: conectividade ou disruptividade?

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