O papel da CIPA com relação ao EPI na prevenção de riscos

Por Sheila Rodrigues, no artigo “O papel da CIPA com relação ao EPI”.
Falar de EPI ainda é, em muitas empresas, falar quase sozinho de Segurança do Trabalho. Mas essa visão limitada enfraquece a prevenção e reduz o papel da CIPA a uma fiscalização superficial. O desafio está em fazer a comissão enxergar o EPI como parte de uma lógica maior de controle de riscos, e não como solução única. Quando a CIPA é bem orientada, ela contribui de forma mais estratégica, preventiva e conectada ao cuidado real com o trabalhador.

O papel da CIPA com relação ao EPI

Por: Sheila Rodrigues

Durante muito tempo, em ambientes de trabalho sem uma cultura organizacional e por consequência, sem uma cultura de segurança (que é um recorte da organização), falar em segurança do trabalho era, em alguns ainda é, sinônimo de referir-se quase exclusivamente aos Equipamentos de Proteção Individual – EPI´s. No entanto, este universo está em constante evolução, mudando a posição da pirâmide, que se mostra cada vez mais invertida, ao identificarmos as medidas de controle dos riscos de forma hierárquica, ou seja, quanto mais efetivo maior a probabilidade de eliminarmos o perigo, do contrário apenas reduzimos o risco de lesão ou gravidade. 

Entenda o papel da comissão: “O que significa CIPA na empresa e para que ela serve na prática”

Embora os equipamentos sejam essenciais em muitas etapas dos processos, precisamos ensinar os nossos cipeiros a enxerga-los além do recurso que protege diretamente o trabalhador. A partir daí, torna-se mais fácil visualizar, de forma prática, a importância desta, medida de controle para a atuação das comissões. Ausência ou carência desta barreira protetora é considerada uma situação de risco levando em consideração, os seguintes fatores: não é utilizado, não está adequado ao risco, apresenta más condições de uso ou quando seus níveis de conforto não foram verificados. Nesses casos, a importância da fiscalização “cai por terra”, tanto na prática quanto nos conceitos legais, perdendo-se para a ótica do observar, orientar, cuidar e proteger.

Levando em conta esses pontos, acompanhar o desenvolvimento de um equipamento no processo de implantação ou substituição, o que deve ocorrer na teoria e na prática, que chama-se “testar”. Isso ocorre por meio de um registro onde o trabalhador, durante um período determinado conforme o tipo de EPI, deverá validar o uso. Nesse contexto, a CIPA é peça-chave para identificar se o teste foi realizado corretamente; a partir desse entendimento, o registro passa a ter valor de validação.

A comissão ganha extrema relevância quando é capacitada para contribuir de forma real. Do contrário, tudo passará despercebido e a CIPA continuará limitada a observar apenas se o EPI está sendo usado ou não, sem compreender os motivos da ausência. Quando a comissão é desenvolvida para contribuir além do uso e não uso, até em uma “resposta atravessada” do trabalhador, também chamada uma lamentação, é possível detectar sinais para entender o problema e buscar soluções. Assim, trabalhamos alternativas que fogem da resposta rasa: “ele não usou porque não quis” ou “não adianta, ele não tem jeito”. Ao contribuir para enxergar outras situações de risco e medidas de controle, podemos encontrar soluções que cheguem, inclusive, a eliminar a necessidade do uso do EPI, em muitos casos de engenharia.

Vamos lá, sem que a organização entenda em primeiro lugar, dificilmente a comissão vai conseguir ter foco prevencionista e contribuir para atuar de forma hierárquica e partir para a prática do auto cuidado e proteção real.

Tire a dúvida: “O que significa CIPA em Segurança do Trabalho e qual sua importância legal”

Enfim, o papel das comissões é prevenir acidentes e doenças no âmbito do trabalho, olhando o EPI como a medida de controle menos efetiva, mas não deixando de ser importante, por ter viés de proteção e o cipeiro o papel de cuidado e não o ato de exercer vigilância.

Referência da pirâmide de medidas de controle.

Guia rápido: “O que é CIPA na Segurança do Trabalho e como ela atua na prevenção de acidentes”

Os artigos reproduzidos neste blog refletem única e exclusivamente a opinião e análise de seus autores. Não se trata de conteúdo produzido pela RSData, não representando, desta forma, a opinião legal da empresa

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