Os 6 Elementos Básicos do GRO

Hoje nosso convidado Wesley Silva nos traz uma reflexão sobre o GRO e PGR relacionando ao filme Matrix. Entenda um pouco melhor!

Qual Pílula você vai escolher?

Em 1999 foi lançado o primeiro filme Matrix e uma das cenas mais famosas é a que protagonista Neo recebe a opção de escolher entre tomar duas pílulas: a vermelha ou a azul. É uma decisão grande, já que sua escolha determinará a maneira com que ele compreenderá tudo que existe ao seu redor. A escolha de qual pílula tomar é algo cercado de filosofia. Vamos entender um pouco mais da simbologia desta cena.

Pílula azul

Se Neo escolhesse essa pílula significaria que ele escolheu continuar inconsciente do fato que ele percebe a realidade como uma ilusão e assim fugir da verdade ou da verdadeira realidade. Dessa forma, ele ficaria preso a uma sociedade que não questiona, pois acredita que tudo ao redor dele é perfeito e não precisa ser mudado. E não precisaria passar pelos desafios que acompanham uma mudança.

Pílula vermelha

Por outro lado, se Neo escolhesse a pílula vermelha, ele acordaria desta ilusão criada e tudo que acreditaria seria questionado e assim poderia ver as coisas como elas realmente são. Talvez poucas pessoas se arriscariam a tomar a pílula vermelha, pois ela leva a verdade e isso levaria aos questionamentos, dúvidas, incertezas e a mudanças. Muitas pessoas não são capazes de lidar com a realidade da vida e preferem criar suas próprias ilusões.

Mas o que eu quero com a relação de Matrix e o PGR e GRO?

Muitos profissionais e organizações ainda estão na dúvida do que escolher. Um Gerenciamento de Riscos Ocupacional realmente efetivo ou um “Novo PPRA de gaveta” chamado de PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos).

A NR-01 deixa bem claro, que antes de pensar em um PGR é preciso estruturar um Gerenciamento de Riscos. Podemos dizer que o Gerenciamento de Riscos é um processo sistêmico de identificar, mensurar, avaliar, monitorar, reportar, controlar e mitigar incertezas, através do uso eficaz dos recursos disponíveis, com o objetivo de eliminar ou reduzir a probabilidade da ocorrência e/ou impactos do risco. Gerando oportunidades ou ganho para a corporação.

O PGR é uma ferramenta para o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais, mas não é a única e nem deve ser utilizado de maneira isolada.

Podemos ter um documento chamado de PGR, mas se ele não for algo dinâmico, aplicado no dia a dia da organização, revisado conforme novos riscos são gerados ou alterados, não será possível dizer que a organização possui um GRO.

A Gestão de Riscos é algo vivo, personalizado e dinâmico. 

Quais são os elementos básicos do GRO?

É importante destacar que o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais precisa ter em sua estrutura alguns elementos básicos, como:

a) evitar os riscos ocupacionais que possam ser originados no trabalho;

b) identificar os perigos e possíveis lesões ou agravos à saúde;

c) avaliar os riscos ocupacionais indicando o nível de risco;

d) classificar os riscos ocupacionais para determinar a necessidade de adoção de medidas de prevenção;

e) implementar medidas de prevenção, de acordo com a classificação de risco

f) acompanhar o controle dos riscos ocupacionais.

Ainda adicionaria a essa estrutura a comunicação de riscos.

Neste último elemento é realizado o compartilhamento dos riscos com as partes interessadas e as principais informações e percepções dos riscos, obtidas a partir das fases de identificação e avaliação dos riscos. Um ponto fundamental é que a gestão de risco deve incluir uma comunicação e feedbacks sobre a eficácia desse processo, desde o nível operacional até o nível mais alto da tomada de decisão na organização.

O processo de Gerenciamento de Riscos Ocupacionais dentro de uma organização requer um envolvimento contínuo e proativo. Não é algo para se tratar de maneira isolada, mas sim construído como um processo dinâmico com passos firmes e objetivos claros e com meios de comunicação em todos os níveis da organização e de todas as partes interessadas.

 Algumas organizações realmente vão querer tomar a Pílula azul, dizendo que o PGR é igual ao PPRA e irão manter como um documento de gaveta. Não entendendo a sua real aplicação.

Por quê?

Mas penso que seja porquê mudar é algo trabalhoso, traz desafios e gera um desgaste. Entender que na realidade não é o documento que conta, mas a aplicação prática. Pois, na realidade o que conte de verdade é uma Gestão de Riscos que garanta um ambiente e um trabalhos mais seguro para todos os envolvidos. Que o fato de entregar um EPI não elimina um risco.

Podem justificar: Sempre fizemos assim e ninguém fiscaliza isso direito!

Por outro lado, outros vão escolher a pílula vermelha. Pois, sabem que a realidade precisa ser mudada, que as organizações precisam ter um sistema de Gerenciamento de Riscos Ocupacionais que realmente garanta a segurança dos trabalhadores e auxiliem no crescimento das organizações, Estes vão se questionar, questionar o que é feito e pensar de que maneira podem criar melhorias e inovações.

Mas podem se perguntar. Será que se eu escolher o GRO preciso abrir mão do PGR?

Sim e não. Pois a materialização da gestão de riscos pode ser feita não somente pelo PGR. Este programa é uma ferramenta para o GRO.

Segundo o item 1.5.3.1.2 O PGR pode ser atendido por sistemas de gestão, desde que estes cumpram as exigências previstas nesta NR e em dispositivos legais de segurança e saúde no trabalho.

E agora fica a pergunta?

Qual pílula você irá escolher? 

Por Wesley Silva

WESLEY SILVA
• Diretor da Innove Consultoria e Treinamentos;
• Engenheiro de Segurança do Trabalho;
• Pós-graduado em Ergonomia, Direito Trabalhista e Previdenciário;
• MBA em Liderança, Gestão e Inovação;
• Consultor em Segurança do Trabalho em empresasdo ramo de siderurgia, mineração e telecomunicações;
• Especialista na Gestão de SST com mais de 13 anos de experiência;
• Capacitado em Gestão de Riscos pela University of Chicago

Os artigos reproduzidos neste blog refletem única e exclusivamente a opinião e análise de seus autores. Não se trata de conteúdo produzido pela RSData, não representando, desta forma, a opinião legal da empresa.

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