O QUE NÃO PODE FALTAR NO SEU GRO/PGR?

Parte 1 – Organizando o Inventário de Riscos

Respira, não pira e vamos lá!

O inventário de riscos é a descrição detalhada de todos os riscos presentes nas atividades e/ou ambientes de trabalho. Propõe-se fazê-lo em formato de planilha, para que seja visualmente possível verificar como cada risco será identificado, avaliado e controlado. Essas três etapas são os fundamentos do inventário, funcionam de forma encadeada e processual e, culminam no plano de ação, onde o PGR ganha vida.

A primeira decisão será como organizar o inventário: por unidade operacional e/ou por atividades e/ou por áreas/setores. A estratégia de análise parte sempre dessa premissa e pode variar de uma organização para outra. Acredito que a melhor estratégia seja aquela que possibilite a aplicação das medidas de controle de forma mais efetiva, levando sempre em consideração os trabalhadores expostos e o poder de ação que a organização entende possuir sobre as questões de Segurança e Saúde do Trabalho.

É importante também verificar o que a organização já tem estabelecido como gerenciamento de riscos, tais como seu PPRA, Análise Ergonômica do Trabalho, Plano de Atuação em Emergências, PCMSO – Programa de Controle Médico e Saúde Ocupacional, PVE – Programa de Vigilância Epidemiológica, dentre outros.

Parte 2 – Identificando os perigos

Existe uma infinidade de ferramentas que podem auxiliar na etapa de identificação de perigos: as famosas árvores de eventos/falhas, FMEA – Análise dos Modos de Falha e Efeitos, HAZOP – Hazard and Operability Study, dentre outras.

Particularmente, gosto muito da APR – Análise Preliminar de Riscos, com a abordagem da identificação das condições perigosas associadas às energias como fonte dos perigos (ex. energia: cinética –> condição perigosa: partes móveis rotativas).

Como a maioria dos acidentes envolve transferência de energia, que causa o dano a quem se expõe a ela, essa pode ser uma abordagem bastante assertiva. Também auxilia muito na descrição dos possíveis danos ou agravos à saúde e na indicação do grupo de trabalhadores sujeitos aos riscos, que devem estar atrelados a cada perigo identificado.

Importante ressaltar que a identificação de perigos é uma etapa que precisa ser realizada de forma multidisciplinar e multisetorial com a participação das lideranças, áreas de suporte (como manutenção, qualidade, engenharias, recursos humanos, por exemplo), além dos profissionais de Segurança e Saúde do Trabalho (engenheiros, técnicos, médicos, enfermeiros, auxiliares de enfermagem, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, educadores físicos, psicólogos, bombeiros civis) e, fundamentalmente, dos trabalhadores.

São os trabalhadores que conhecem profundamente as atividades que executam e o ambiente de trabalho que estão inseridos. O saber tácito dos trabalhadores vem do conhecimento e da experiência pessoal e, muitas vezes, consideram procedimentos e regras informais, que podem ser o “pulo do gato” nas questões de Segurança e Saúde do Trabalho.

Na prática, para cada unidade operacional e/ou atividades e/ou áreas/setores poderá ser formado um squad autogerenciado, de até oito pessoas, capaz de escanear todas as atividades e ambientes numa visão 360°. Uma boa folha de campo em formato de checklist também é importante para direcionar os trabalhos práticos em campo e as entregas, porém deve haver sempre espaço para aquilo que não é óbvio. Pode ser justamente nesses casos que exista um novo perigo.

Parte 3 – Avaliando e controlando os riscos

Sobre a avaliação do risco, é preciso ter em mente que esse é um dado que deve indicar o nível de risco, ou seja, seu tamanho. Para tanto, será necessário determinar a combinação da severidade das possíveis lesões ou agravos à saúde com a probabilidade ou chance de sua ocorrência e transformar esses dados em uma classificação qualitativa (pequeno, médio ou grande, por exemplo). As organizações podem lançar mão de vários tipos de matrizes que combinem severidade versus probabilidade para chegar a essa classificação. Acredito sempre que o modelo mais simples seja o de mais fácil compreensão a todos, o que torna a etapa de controles mais eficiente.

Os controles dos riscos devem, obrigatoriamente, respeitar uma hierarquização das medidas de prevenção. É preciso sempre pensar na sua eliminação ou redução antes de quaisquer outras ações administrativas, de organização do trabalho ou aplicação de EPIs – Equipamentos de Proteção Individual.

Para tanto, é necessário sempre verificar os requisitos exigidos pelas normas regulamentadoras e outras legislações vigentes, a classificação dos riscos e os controles médicos da saúde, buscando sempre harmonizar essas variáveis com as ações de controle.

Parte 4 – Estabelecendo o plano de ação

O plano de ação então precisa ser a materialização dos controles através de um cronograma, com a proposição de um planejamento de implementação e acompanhamento das medidas de prevenção determinadas na etapa anterior: monitoramentos quantitativos (quando aplicáveis), projetos de mudanças estruturais no ambiente de trabalho e/ou equipamentos e/ou atividades, inspeções, procedimentos, treinamentos, dentre outros.

É importante considerar os recursos financeiros e humanos para cada ação, de forma a tornar o plano factível, participativo e vivo.

A participação promove um aumento da consciência sobre a cultura de prevenção e, nesse sentido, quanto mais envolvidos, melhor.

A cultura de prevenção de uma organização precisa ter base sólida para que questões menores sejam sanadas na fonte e não tomem corpo ou se tornem potenciais incidentes.

Empoderar e promover a capacitação e o envolvimento dos trabalhadores em todas as questões de Segurança e Saúde do Trabalho deve ultrapassar a barreira da obrigatoriedade normativa e ser parte da estratégia do negócio. Colaboradores com saber e participação nas questões de Segurança e Saúde do Trabalho relacionadas à organização passam a ter “visão de dono”, exercendo o que chamamos de accountability, ou seja, tornam-se colaboradores responsáveis pelo resultado, engajados e proativos.

Parte 5 – Você está preparado?

Para tornar isso tudo possível, é importante pensar se somente a formação técnica é suficiente para que os profissionais do SESMT gerenciem os riscos de forma efetiva nas organizações onde estão inseridos.

Com a proposta amplificada do GRO/PGR, será necessário um aprofundamento de alguns saberes, tais como Higiene Ocupacional, Ergonomia, Análise de Incidentes, Saúde Ocupacional e Prevenção e Combate a Emergências.

Existem inúmeras instituições formais de educação que possuem cursos sobre esses temas em formatos livres e/ou pós-graduação. Há também as instituições já conhecidas da área como ABHO, ABERGO e FUNDACENTRO, que comumente realizam cursos de capacitação e atualização. Os sindicatos de classe também atuam nesse sentido e podem ser importantes fontes de conhecimento.

No campo da autoeducação, atualmente é possível encontrar muitos materiais interessantes sobre todos esses temas na internet. Com a pandemia, muitas instituições passaram a promover lives e webinars, que ficam gravadas e podem ser utilizadas como fonte de atualização. Há também canais especiais no Youtube e Instagram (e blogs como este!), com profissionais da área que fazem um excelente trabalho de discussão e aprofundamento de temas relacionados à Segurança e Saúde do Trabalho, além da literatura (livros e revistas técnicas) que julgo sempre uma excelente e fundamental fonte contínua de saber.

Outro caminho pode ser, nas grandes organizações, onde o SESMT é composto por outros profissionais além dos determinados pela lei (fisioterapeutas, educadores físicos, psicólogos, ergonomistas, bombeiros civis, dentre outros), o envolvimento e a participação de todos esses profissionais na construção do GRO/PGR.

Trabalhos onde se misturam saberem de diversas escolas tendem a ser mais completos e a abranger uma gama maior de possibilidades. Aprender entre colegas também pode ser uma forma bastante interessante de se manter atualizado.


Autora: Loredana Di Giuseppe
Gestora Engenharia Segurança do Trabalho – Atento Brasil S/A
Mestre em Gestão Integrada Saúde do Trabalho e Meio Ambiente
Especialista em Planejamento Estratégico | Técnica em Segurança do Trabalho
Contatos:
loredana.giuseppe@gmail.com
www.linkedin.com/in/loredana-di-giuseppe

Os artigos reproduzidos neste blog refletem única e exclusivamente a opinião e análise de seus autores. Não se trata de conteúdo produzido pela RSData, não representando, desta forma, a opinião legal da empresa.

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