O que é Síndrome da Suspensão Inerte no Trabalho em Altura?

O que é Síndrome da Suspensão Inerte no Trabalho em Altura?
Muitos trabalhadores e até mesmo profissionais de segurança do trabalho ainda tem um pouco de dificuldade em entender ou explicar o que é a Síndrome de Suspensão Inerte.
Vou tentar explicar um pouco sobre este tema neste artigo, todo trabalhador que executa atividades em altura, precisa adotar uma série de medidas de segurança previstas na NR 35, como: Treinamento, exame médicos e planejamento da atividade.
Com relação ao planejamento de um trabalho em altura, um fator essencial é a elaboração de uma Análise de Risco, ela terá como referência o item 35.4.5.1 da referiria norma. E um dos itens que devem constar nesta AR são as situações de emergência e o planejamento do resgate e primeiros socorros, de forma a reduzir o tempo da suspensão inerte do trabalhador.

Mas por que desta preocupado com relação ao tempo de suspensão inerte do trabalhador?
A última medida de controle para trabalho em altura é o uso do Sistema de Proteção Individual Contra Queda o chamado SIPQ que é composto basicamente de cinto de segurança, elemento de ligação e ancoragem. Quando o trabalhador utiliza seu cinto de segurança, ele confia que em caso de um mal súbito ou descuido que possa causar a queda o cinturão reterá essa queda – evitando, assim, um acidente com maiores proporções à vítima.
E ele estará correto com relação a isso, pois é a função básica do sistema. Porém, ao mesmo tempo em que o cinto proporciona segurança ao trabalhador, ele poderá ser causador de um agravante que estará sempre presente após uma queda onde a vítima fique suspensa. Esse agravante é a Síndrome da Suspensão Inerte.
Há mais de 40 anos o trauma de suspenção inerte vem sendo estudado pela medicina de resgate em montanha, porém ainda é pouco divulgado no ambiente de trabalho. Os primeiros registros de fatalidades envolvendo este tido de trauma ocorreu no princípio dos anos 80, quando alguns trabalhadores foram encontrados mortos suspensos e sem lesões.
Porém, as primeiras pesquisas sobre a investigação da síndrome de suspensão inerte remontam ao final dos anos 60. No laboratório de pesquisas espaciais Harry G. Armstrong Aerospace Research (NASA – EUA). Onde foram realizados testes em cinco voluntários. Sendo que um deles perdeu sua consciência após 27 minutos de suspensão.
Para que ela aconteça, são necessários dois requisitos básico: suspensão e imobilidade.

O que é a síndrome da suspensão inerte?
A síndrome da suspensão inerte também é conhecida como, trauma de suspensão inerte. É o produto da condição em que uma pessoa suspensa e inerte em um cinto de segurança pode apresentar sinais como: como o aumento da frequência cardíaca e da pressão das vias de condução sanguínea , palidez, suor frio, náusea, vertigem, sensação de desmaio, perda de consciência e eventualmente a morte.
Além disso, o estrangulamento causado pelas fitas do cinto é capaz de promover edemas e liberação de toxinas (acidose) por isquemia leve, cujos desdobramentos podem gerar trombose venosa, insuficiência renal, embolia pulmonar e fabricação de ácidos nos músculos.
Isso ocorre porque os membros inferiores do corpo do trabalhador suspenso sofrem um represamento de sangue, pois as fitas do cinto acabam comprimindo a passagem do sangue pelas veias e artérias, fazendo com que o sistema circulatório entre em colapso, o que gera alterações pelo corpo.
O tempo decorrido até o surgimento dos sintomas da síndrome da suspensão inerte varia de acordo com cada indivíduo. Cada organismo responde de uma forma diferente. Normalmente, os primeiros sintomas acontecem a partir de cinco minutos de exposição, progredindo perigosamente a cada segundo.
A progressão do quadro citado acima pode levar o trabalhador à morte entre 5 e 8 minutos.
É importante destacar que fatores como condição física do trabalhador, cinemática da queda, modelo de cinto utilizado podem influenciar no tempo para ocorrência de danos aos trabalhadores.
Atualmente, nenhum cinto de segurança consegue evitar que a Síndrome aconteça, independente do modelo, com ou sem acolchoamento nas pernas.
Para finalizar vem a minha dica de gestão: Sempre que ocorrer trabalhos em altura em sua organização, deve ser estabelecido um procedimento para resposta a emergência, que reduza o tempo de suspenção inerte e sempre que possível crie meus alternativos para evitar o trabalho em altura. Todas estas medidas devem fazer parte do PGR ( Programa de Gerenciamento de Riscos).

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