O que é o método da árvore de causas?

Em “Método de Árvore de Causas: Origem e Conceito“, Wesley Silva oferece uma exploração concisa e esclarecedora deste método revolucionário na investigação de acidentes de trabalho. Mas, você já se perguntou verdadeiramente por que os acidentes ocorrem e como podemos preveni-los de forma eficaz? Através de uma abordagem direta, Silva desvenda as camadas que compõem a Árvore de Causas, desde sua origem histórica até sua aplicação prática, destacando como essa ferramenta pode ser a chave para desbloquear uma cultura de segurança mais robusta e preventiva. Este artigo é um convite para profissionais de segurança do trabalho e gestores a mergulharem nas profundezas das causas subjacentes dos acidentes, proporcionando insights valiosos para a implementação de estratégias preventivas efetivas. Se você busca entender melhor os mecanismos por trás dos acidentes e como preveni-los, a leitura deste artigo é essencial.

Método de Árvore de Causas: Origem e Conceito

Há alguns meses, venho escrevendo sobre metodologias de investigação de acidentes de trabalho, e neste texto, vou abordar o Método de Árvore de Causas. Embora seja amplamente aplicado em todo o mundo, ainda não é muito divulgado no Brasil. Portanto, este texto tem como objetivo servir como uma base para iniciar o seu conhecimento sobre o tema.

A Árvore de Causas

A Árvore de Causas é uma metodologia utilizada para investigar acidentes de trabalho. Ela auxilia na identificação das causas subjacentes que levaram a um incidente ou acidente específico. Abaixo, apresento alguns aspectos importantes sobre essa abordagem.

A Origem da Árvore de Causas

A Árvore de Causas tem suas raízes na área de segurança industrial e saúde ocupacional. Foi desenvolvida para analisar e compreender os fatores que contribuem para acidentes e lesões no ambiente de trabalho. Seus primeiros fundamentos foram apresentados em um texto publicado em 1970, intitulado “Prática de Análise de Acidentes de Trabalho na Perspectiva Sociotécnica da Ergonomia de Sistemas”, de autoria de Cuny e Krawsky. Dois anos depois, o INRS (Institut National de Recherche et de Sécurité) publicou o texto intitulado “Método prático de pesquisa de fatores de acidentes e princípios para aplicação”, de autoria de Krawsky, Monteau e Cuny.

Nos anos seguintes, várias publicações sobre o método Árvore de Causas surgiram. Em 1974, por exemplo, o texto “Método Prático de Pesquisa de Fatores de Acidentes: Princípios e Aplicação Experimental”, de autoria de Monteau. Em 1983, a metodologia evoluiu, envolvendo a identificação de variações ou desvios que antecederam o acidente. O objetivo era entender as relações entre essas variações e os eventos finais, permitindo uma análise mais profunda das causas.

Outros autores que contribuíram para o tema incluem:

Lucien Bergey: Engenheiro e especialista em segurança do trabalho, Bergey foi um dos primeiros autores a escrever sobre o método da Árvore de Causas na França.

André Cohet: Engenheiro e pesquisador, Cohet desenvolveu uma variante do método da Árvore de Causas chamada “Árvore de Causas e Consequências”.

Jean-Pierre Oudin: Engenheiro e professor, Oudin é um dos principais especialistas em segurança do trabalho na França. Ele escreveu vários livros e artigos sobre o método da Árvore de Causas.

Potencialidades do método da Árvore de Causas

O Método de Árvore de Causas oferece diversas potencialidades na investigação de acidentes de trabalho.

Didática e Comunicativa: A representação gráfica da Árvore de Causas torna-se uma ferramenta didática. Ela facilita a comunicação entre os analistas e aqueles que desvendam a história do acidente. Ela permite visualizar a sequência de eventos ajuda a compreender as relações causais.

Compreensão das Etapas: O método permite construir um diagrama que apresenta a relação das variações que levaram ao acidente. Esse quadro detalha as etapas que culminaram no evento indesejado.

Identificação de Lacunas: Durante a construção da relação entre os eventos, é possível que alguns fatores fiquem sem explicação. Essas lacunas ficam evidentes para todos os envolvidos, indicando a necessidade de buscar informações complementares.

Conceitos importantes para aplicação da metodologia

Toda a situação de trabalho é realizada em um sistema em que cada indivíduo executa uma tarefa com a ajuda de um material em um meio de Trabalho.

Desta forma, temos quatro elementos ou componentes que constituem uma atividade. Sendo eles:

Indivíduo (I): Refere-se ao trabalhador e suas características.

Tarefa (T): Representa as ações executadas pelo indivíduo.

Material (M): Engloba os meios técnicos utilizados pelo trabalhador para realizar a tarefa.

Meio de trabalho (MT): designa o quadro de trabalho e o ambiente físico e social que o indivíduo executa a tarefa. É toda causa que envolve o meio ambiente em si (poluição, calor, poeira, etc.) e, o ambiente de trabalho (layout, falta de espaço, dimensionamento inadequado dos equipamentos, etc.).

Árvore de causas: É um diagrama que representa as causas de um acidente de trabalho.

O acidente: é considerado como o último evento de uma série de perturbações ou variações desses elementos, ocorridas durante o desenvolvimento de uma atividade realizada pelo trabalhador.

Etapas do Método de Árvore de Causas

A análise de um acidente de trabalho deve ser realizada o mais cedo possível após o evento e no próprio local da ocorrência. Durante esse processo, é essencial distinguir a coleta de fatos da interpretação ou julgamentos.

Sendo que a coleta dos fatos deve ser realizada com o cuidado da objetividade, por pessoa que tenha bom conhecimento do modo de execução habitual do trabalho e de ferramentas para coleta de dados. 

Para aplicar o método de Árvore de Causas, para investigação de um acidente a equipe de análise precisa seguir no mínimo as seguintes etapas:

Coleta de Informações: Reúna dados relevantes sobre o acidente, incluindo testemunhos, registros, evidências físicas e relatórios.

Organização das Informações: Classifique e organize as informações coletadas para entender a sequência de eventos.

A interpretação: Inicie a interpretação quando o máximo possível de fatos já tiver sido coletado e ordenado. A interpretação deve basear-se em fatos comprovados, evitando suposições que possam influenciar o ponto de vista do analista.

Construção da Árvore: Crie uma representação gráfica (a “árvore”) que mostra as causas e subcausas do acidente. A árvore começa com o evento final (o acidente) e se ramifica em causas mais profundas.

Leitura e Interpretação da Árvore: Analise a árvore para identificar os fatores contribuintes. Isso ajuda a entender como os eventos se conectam.

Identificação de Medidas Preventivas: Com base nas causas identificadas, sugira medidas preventivas para evitar recorrências.

Escolha de Medidas Preventivas: Avalie as opções de prevenção e selecione as mais adequadas.

Vantagens e Limitações da Árvore de Causas

Vantagens: A Árvore de Causas permite uma análise abrangente, considerando múltiplas causas inter-relacionadas. Ela ajuda a equipe de segurança a entender melhor os eventos e a tomar medidas eficazes. Além disso, é um método eficaz para a tomada de decisões.

Limitações: A metodologia requer habilidade na construção da árvore e na interpretação dos dados, o que pode ser demorado e dispendioso, principalmente para acidentes de baixo potencial. Além disso, pode ser difícil quantificar algumas causas.

Método de Árvore de Causas emerge como uma ferramenta valiosa e abrangente para a investigação de acidentes de trabalho, oferecendo uma abordagem sistemática e detalhada para identificar e compreender as causas subjacentes aos incidentes. À medida que a segurança no local de trabalho continua sendo uma prioridade fundamental, é essencial que os profissionais de estejam equipados com as melhores práticas e metodologias disponíveis de investigação.

Portanto, encorajo você profissional de segurança do trabalho a explorar mais profundamente o Método de Árvore de Causas, familiarizando-se não apenas com suas origens e conceitos fundamentais, mas também com suas potencialidades e aplicações práticas. Ao compreender plenamente o potencial desta metodologia, você poderá aplicar de forma a melhorar o processo de gestão da sua empresa;

Mas lembrando que essa é somente uma das metodologias que você poderá empregar.

Os artigos reproduzidos neste blog refletem única e exclusivamente a opinião e análise de seus autores. Não se trata de conteúdo produzido pela RSData, não representando, desta forma, a opinião legal da empresa.

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