Adilson Monteiro, no artigo “O peso da mudança na Segurança”, reflete sobre o desafio de aplicar novas teorias e modelos na gestão da Segurança do Trabalho. Entre conceitos acadêmicos e a realidade do negócio, o profissional da Segurança assume uma grande responsabilidade. A dor está em promover mudanças culturais em estruturas consolidadas há anos. O valor do tema aparece ao mostrar que mudar a Segurança exige empatia, estratégia e tempo, não soluções imediatistas.
O peso da mudança na Segurança
Por: Adilson Monteiro
Todos os dias temos nos deparado, como profissionais da Segurança, com métodos , teorias, filosóficas que nos mostram caminhos para a gestão da nossa área.
Pesquisadores renomados de diversas áreas ( sociologia , psicologia, administração, etc.) produzem material acadêmico que nos mostram formas diferentes de encarar a Segurança e assim, somos quase impelidos a assumirmos a mudança para nos mantermos atualizados com as tendências mundiais.
No entanto, na sua grande maioria destes pensadores, não tem a ampla visão sobre a gestão do dia a dia da Segurança dentro de uma empresa. Lógico que nem é seu escopo de trabalho deles terem esta atividade ampliada mas, resta aos gestores da prevenção “costurar “ os conceitos teóricos na realidade particular de cada Negócio.
Ao tomar a atividade de incorporar a teoria /filosofia escolhida como um ponto de mudança da gestão na Segurança , este profissional assume um peso enorme na responsabilidade pessoal, em contraposição às estruturas organizacionais já consolidadas.
De nada é efetivo o teórico ou consultor apresentar mudanças necessárias ao profissional da Segurança eliminar: placa do número de dias sem acidentes com afastamento, regras de ouro, pirâmide de eventos , análise de causa raiz etc., sem uma transição de conceitos em um longo caminho de convencimento da liderança para que estes artefatos culturais da Segurança sejam alterados, pois foram tidos como válidos anos e anos a fio e só agora não servem mais , portanto, causa estranheza à organização.
Da mesma forma os famosos indicadores reativos como as taxas de acidentes e suas metas eternamente de redução ou mesmo uma política de “acidente zero, são extremamente desafiadores, na prática, a sua mudança ou mesmo incluir outros proativos com a mesma validade. Isto não depende só do gestor da Segurança convencido da necessidade da mudança.
Vejo que é necessário a empatia e flexibilidade na apresentação de mudanças na gestão da Segurança , especialmente para com os seus gestores ( em uma visão ampla), para que a mudança necessária não seja apresentada de forma imediatista e com grande probabilidade de frustração , já que a Segurança está no Negócio e assim , lida com o financeiro , sistemas de gestão (até certificados) difíceis de alterar, administração de indicadores ligados a bonificações dos líderes etc., ou seja , é necessária grande energia na gestão de mudança.
Cultura não é um simples algoritmo que se muda em uma linha, mas sim, leva tempo de estruturação e com exemplos de sucesso, como na Segurança, para validar sua aplicabilidade para todos os atores organizacionais, sendo esta destemida atividade , pesada e com sacrifícios, carregada nas “costas” do profissional da Segurança.
Conteúdo Relacionado
- PGR/GRO: Processo de Gestão de Mudanças (NBR ISO 45001): como estruturar transições (processos, pessoas, tecnologia) para reduzir ‘efeitos colaterais’ e evitar que a segurança seja comprometida no caminho.
- Indicadores Reativos e Proativos: como fortalecer a gestão de SST e Meio Ambiente: mostra como indicadores proativos ajudam a enxergar fragilidades antes do acidente e dão base para decisão (e não só para ‘apresentação de números’).
- Por que premiações em Segurança não funcionam? o artigo mostra como certos incentivos distorcem comportamento, empurram subnotificação e atrapalham a mudança cultural que a organização precisa fazer.

Os artigos reproduzidos neste blog refletem única e exclusivamente a opinião e análise de seus autores. Não se trata de conteúdo produzido pela RSData, não representando, desta forma, a opinião legal da empresa.


