Segundo Adilson Monteiro, no artigo “Métricas que prejudicam a prevenção”, transformar a Segurança apenas em números pode criar uma falsa percepção de controle. Metas isoladas do contexto podem incentivar equipes a buscar o resultado esperado sem necessariamente fortalecer a prevenção.
O problema se agrava quando indicadores estimulam silêncio organizacional, subnotificação de eventos ou punições pelo não atingimento das metas. Mais do que observar números absolutos, organizações precisam analisar tendências, contexto e a percepção de quem realiza o trabalho. A verdadeira prevenção acontece quando as métricas ajudam a compreender os riscos e não quando se tornam o único objetivo da gestão.
Métricas que prejudicam a prevenção
Por: Adilson Monteiro
Vincular métricas ao desempenho da Segurança tornou-se uma prática recomendada aceita nas últimas décadas para os sistemas de gestão da Segurança. As métricas pretendem dar forma numérica à Segurança, permitindo que todos tenham um falso entendimento sobre os fenômenos não desejados acontecidos.
De forma geral, as organizações que analisam as métricas com uma perspectiva de gerenciamento por números seguem um processo, tal como :
- A gerência apresenta um objetivo e elabora uma medida genérica;
- A gerência estabelece uma meta durante um grande período (normalmente um ano fiscal ou calendário) para as pessoas que fazem o trabalho;
- A gerência comunica apenas a meta (ocultando contextos);
- As pessoas que fazem o trabalho fazem tudo ao seu alcance para atingir o número alvo.
Mas há uma armadilha oculta nesta arquitetura organizacional na gestão da Segurança, que consiste em criar uma visão de retrospectiva e uma miopia fática na tentativa em uma única análise, ter ações abrangentes para os riscos materializados nos acidentes , porém perde-se a prevenção para outros que ainda não se transformaram em acidente. Armadilha é construída a partir de entendimentos, tais como:
- Métricas como único alvo – são fáceis de entender pela linearidade, mas encobrem o contexto sociotécnico complexo que continuam promovendo acidentes. Sua eficiência de gestão única, quando questionada, pode causar desprestígio por não seguir uma ordem da empresa ou vista como incompetência em atingi-las, calando a crítica construtiva e criando o silêncio organizacional
- Métricas como filosofia de sucesso – usar métricas para desempenho resulta em efeitos colaterais não intencionais, ou seja, por um lado implica em tentar interpretar o acidente sempre de uma forma mais simples , como adaptar para um acidente com troca de atividade sem dias perdidos e, por outro lado, promove a falta do relato de eventos para não prejudicar a meta.
- Métricas como fonte de punição: acaba sendo uma forma de medir pessoas e áreas usando uma “régua” puramente numérica, e no caso de não atingida toma-se ações “educativas” de punição. Estas ações geram a falta de empatia e segurança psicológica prejudicada na empresa.
As organizações que usam métricas adequadas em Segurança entendem o valor agregado em observar as tendências e não fatos absolutos pelos números, identificar contextos diferenciados que fazem com que a organização esteja sempre atenta à prevenção, sem o comodismo dos valores baixos, Afinal a Segurança se faz a cada momento e por todos na organização, trazendo a percepção dos trabalhadores(as) dos riscos no trabalho real e no planejamento do design das mudanças e novos processos.
- Entenda mais sobre: Segurança proativa: como prever riscos antes que virem acidentes

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