Matriz de risco – O impasse!

Quase um ano atrás, escrevi no meu LinkedIn: “Pronto. tava demorando” diria o Dianho. O impasse das matrizes de risco para o PGR começou.

E o impasse continua. Aliás, abrindo um parêntese aqui, esse impasse é mais um dos argumentos que defendo que a AEP deve ser um documento a parte, não integrado ao PGR.

Mas voltemos as matrizes de risco, tema desse papo de hoje.

Podemos discordar se isso é ruim ou bom, mas temos que concordar que a Ergonomia é diferente. Suas análises e entendimentos requer uma certa caracterização peculiar

Ao avaliarmos os quesitos da NR 17, buscamos compreender os impactos do desconforto no desempenho eficiente. Raramente estamos com um olhar em acidentes fatais, catastróficos, incapacitantes e/ou irreversíveis, como costuma ser a interpretação das matrizes de risco da segurança do trabalho.

Veja, se formos obrigados a usar a matriz do PGR, e esta for igual a do exemplo abaixo, é bem possível que na maioria absoluta das vezes, do ponto de vista da severidade, marcaremos entre 1 ou 2 (reversível leve; reversível severa), dentre 5 possibilidades. Este fato, por si só, já demonstra o viés de interpretação que incorreremos ao utilizá-las.

Outro viés, se refere as medidas de prevenção que não são contempladas nas matrizes tradicionais. As medidas de prevenção, amplamente discutidas na nova NR 17, não podem ser deixadas de lado no dimensionamento do risco ergonômico.

Uma classificação adequada dos riscos ergonômicos deve levar em conta a aquilo que poderíamos chamar de “amenizadores” (pausas, rodízios, cadência não imposta, alternância postural, facilitadores ergonômicos etc.) das exigências ergonômicas quando estamos avaliando uma determinada atividade.

Portanto, é desejável que utilizemos uma matriz de risco que nos possibilite ponderar e/ou atenuar o risco a depender das medidas de controle que a empresa oferta.

E essa matriz, no meu entendimento, que melhor atende essa necessidade chama-se FMEA.

Resumindo, se para a avaliação da maioria dos riscos (físico, químico, biológico etc.), uma matriz que classifica efeito (gravidade) X frequência (exposição), faz sentido, para a ergonomia não.

Então, para resolver o impasse do PGR, com uma padronização entre os riscos, sem que os Ergonomistas tenham que usar uma matriz de risco que não lhes atende, acredito que a solução passa por dois caminhos.

1- Realizar uma AEP (avaliação ergonômica preliminar) a parte, como um documento independente, onde consta a metodologia adotada e seus porquês. E dentro do documento de PGR, quando mencionar os riscos ergonômicos, referenciar a AEP realizada.

2 – Equalizar os conceitos das duas matrizes, pois ambas classificam o risco em 5 categorias. Mencionar na metodologia do PGR a necessidade de utilização de matriz de risco distintas (pelos motivos que citei acima) e alinhar os conceitos. Onde você encontrar “Trivial” no FMEA, vamos converter para “Irrelevante”; onde você encontrar “Tolerável” no FMEA, vamos converter para “Baixo. E assim sucessivamente (conforme imagem).

Costumo dizer que a matriz de risco não é só um cruzar a probabilidade versus gravidade. Aquele número que sai dessa matriz, ela conta uma história. E na ergonomia, essa história tem que levar em consideração a verbalização do trabalhador e as medidas de prevenção. Simples quanto isso. Caso contrário, essa história não será bem contada ou por lógica, estará enviesada. Acho que vale a pena pensarmos nisso.

Os artigos reproduzidos neste blog refletem única e exclusivamente a opinião e análise de seus autores. Não se trata de conteúdo produzido pela RSData, não representando, desta forma, a opinião legal da empresa.

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