Janeiro Branco: um alerta para a importância da saúde mental

Neste ano, Lúcia Simões Sebben compartilha uma análise profunda sobre a relevância do Janeiro Branco, uma campanha que atinge uma década na missão de sensibilizar sobre a saúde mental. Idealizado por psicólogos em Uberlândia, Minas Gerais, o movimento propõe uma cultura de cuidado emocional, escolhendo janeiro como o momento propício para iniciar novas histórias. Sob o lema “Saúde mental enquanto há tempo! O que fazer agora?”, Lúcia destaca a urgência do tema, evidenciando a falta de atenção dada à saúde mental e os impactos crescentes de transtornos como depressão, ansiedade, síndrome de burnout e suicídio. Ao longo do texto, ela explora a resistência em buscar ajuda, a importância da prevenção nas organizações e propõe práticas simples para transformar essa realidade. Este é um chamado para a reflexão e ação, assinado por Lúcia Simões Sebben, que nos convida a repensar nossa abordagem em relação à saúde mental.

JANEIRO BRANCO 2024 – SAÚDE MENTAL ENQUANTO HÁ TEMPO!!!

A campanha Janeiro Branco foi iniciada há 10 anos buscando promover a conscientização sobre a saúde mental. O projeto nasceu em 2013 e foi idealizado por psicólogos em Uberlândia, Minas Gerais abordando pessoas na rua dando pequenas palestras sobre saúde mental para assim, criar uma cultura sobre o tema.
O mês de janeiro não foi escolhido ao acaso, esse mês simboliza um novo começo, um momento propício para reflexão e a criação de novos objetivos, incluindo o cuidado com a saúde mental. A cor branca representa a ideia de uma página em branco, onde novas histórias podem ser escritas.
Este ano, a campanha Janeiro Branco 2024, tem como lema escolhido é “Saúde mental enquanto há tempo! O que fazer agora?”.
A razão deste empenho e da importância desta questão vem do fato de que a atenção a saúde mental ainda é esquecida, deixada de lado e mal compreendida. Além de ser limitada por tabus e preconceitos que levam as pessoas a desmerecer o assunto, não reconhecendo como doença aquilo que precisa ser tratado e curado. A melhor demonstração disso está nos índices crescentes de depressão, transtorno de ansiedade, síndrome de burnout e suicídio, que, embora subnotificados ainda não elevados e apontam para perdas irreparáveis já que uma vez um transtorno se instale na vida da pessoa, muitas perdas em todos os setores da vida são identificados.
Atualmente temos números que convencem facilmente sobre a importância apontando que quase 6% da população já sofre de depressão, quase 10% já foram diagnosticados com transtorno de ansiedade, e cerca de 30% dos brasileiros ativos já estão ou foram acometidos da terrível síndrome de burnout. Em pesquisa realizada pela International Stress Management Association, o Brasil está em 2º lugar no mundo em casos de Burnout, perdendo apenas para o Japão. A consequência devastadora disso tudo é o suicídio que já desponta como a 4ª causa de morte entre jovens entre jovens de 15 a 29 anos de idade.
Quando não é feito um trabalho preventivo, fica ainda mais difícil trabalhar na cura, visto que um aspecto comum para pessoas que sofrem pela falta de saúde mental é a dificuldade em aceitar ajuda. Existe uma relutância em admitir a presença de sintomas emocionais ou psicológico, dando lugar a falsas crenças de que se trata apenas de mal-estar passageiro e que pode ser superado sem ajuda, ou apenas resolvendo os problemas que aparecem como causadores dos mesmos.
Mas é possível diferenciar sintoma de um simples mal-estar observando sua frequência, intensidade e pressuposto básico, por exemplo, tristeza é uma emoção natural e saudável que traz aprendizado e maturidade emocional, porém, se isto se torna, duradouro, intenso e baseado em pressupostos fantasiosos que não se sustentam na realidade, já temos um alerta de que algo está disfuncional e precisa de ajuda e tratamento para que não agrave e não traga mais prejuízos em outras áreas da vida.
Este tema ganhou especial relevância nas organizações, sobretudo desde a Pandemia, quando os prejuízos causados pela ausência dos cuidados com saúde
mental passou a ocupar posição de destaque nos afastamentos, no desempenho e nos acidentes de trabalho.
Mas existem práticas simples e eficazes que podem mudar esta realidade. Vamos a elas:

  1. Campanhas com elementos visuais de acesso a todos.
  2. Palestras e workshops informativos e incentivadores.
  3. Politicas de RH que premie as iniciativas
  4. Espaço de escuta, grupos de apoio, rodas de conversa
  5. Revisão cultura sobre aspectos do modelo de gestão que possam estar sendo geradores de sofrimento, ou ainda de impedimento a busca por ajuda.


Neste último aspecto reside o grande desafio – de nada adiante realizar campanhas e palestras se a cultura não for acolhedora e não for capaz de promover empatia e respeito aos limites humanos.
Nas culturas percebemos a caixa de pandora onde residem tabus, dogmas, crenças limitadoras e resistências que não oferecem espaço ao reconhecimento dos limites de cada um.
A busca desenfreada pela alta performance que traz junto a crença de que o estresse é uma realidade que deve ser aceita em uma carreira de sucesso. Esta crença, já arraigada ao mundo atual, fomenta, permite e até incentiva uma cena insana onde a vida e a saúde são preteridos em favor dos resultados, do crescimento profissional e do desenvolvimento organizacional.
Fica esquecido que sem saúde não haverá carreira, nem alta performance e nem competitividade de mercado tornando a empresa um ambiente deteriorante para as pessoas e para si mesma.

Os artigos reproduzidos neste blog refletem única e exclusivamente a opinião e análise de seus autores. Não se trata de conteúdo produzido pela RSData, não representando, desta forma, a opinião legal da empresa.

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