ISO 45003 – Gestão e Gerenciamento de Fatores de Riscos Psicossociais RELACIONADOS AO TRABALHO

A ISO 45003 é a primeira norma internacional de elevados padrões que oferece diretrizes práticas sobre a gestão e gerenciamento de fatores de riscos psicossociais no ambiente de trabalho, como parte de um sistema de gestão de saúde e segurança ocupacional.

Atentem para o que determina a NR1 Portaria 3.214/78 MTE. Ela estabelece os requisitos legais para a GRO/PGR, seu objetivo NR 1.1.  e Campo de aplicação NR 1.2, entre outros a saber:

  • NR 1.5.3.1.3 O PGR deve contemplar ou estar integrado com planos, programas e outros documentos previstos na legislação de segurança e saúde no trabalho. 
  • NR 1.5.3.1.4 O gerenciamento de riscos ocupacionais deve abranger os riscos que decorrem dos agentes físicos, químicos, biológicos, riscos de acidentes e riscos relacionados aos fatores ergonômicos, incluindo os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho
  • NR 1.5.3.2 A organização deve:

a) evitar ou eliminar os perigos ocupacionais que possam ser originados no trabalho;

b) identificar os perigos e possíveis lesões ou agravos à saúde;

c) avaliar os riscos ocupacionais indicando o nível de risco;

d) classificar os riscos ocupacionais para determinar a necessidade de adoção de medidas de prevenção;

e) implementar medidas de prevenção, de acordo com a classificação de risco e na ordem de prioridade estabelecida na alínea “g” do subitem 1.4.1; e

f) acompanhar o controle dos riscos ocupacionais.

Lembramos que o nível do risco será obtido pela categorização dados os efeitos combinados de dois (02) eixos Probabilidade x Severidade. Entendido o requisito legal? Vamos ao estado da Técnica, vamos aos padrões, linhas ou guias adaptáveis a cada Organização, situação ou atividade ocupacional.

Princípios básicos

Gestão baseada em riscos (Exigência da atividade com exposição ao Perigo)

Participação dos trabalhadores

Estrutura da ISO 45003 – A norma DEVE ser adaptada à realidade da Organização

Três pilares: Identificação, Avaliação e Controle

A estrutura da ISO 45003 é baseada em três pilares fundamentais: Identificação, Avaliação e Controle. Estes pilares formam a base para uma gestão eficaz dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho.

As diretrizes gerais para implementação da ISO 45003 são flexíveis, permitindo que cada organização adapte a norma à sua realidade específica. Isso significa que empresas de diferentes tamanhos e setores podem se beneficiar da implementação da ISO 45003.

Ao adaptar a norma à realidade da empresa, é importante considerar fatores como a cultura organizacional, o tamanho da empresa, o setor de atuação e os riscos psicossociais específicos presentes no ambiente de trabalho. Esta abordagem personalizada garante que a implementação da ISO 45003 seja eficaz e relevante para cada organização.

Fatores que Contribuem para Riscos Psicossociais

Os riscos psicossociais no ambiente de trabalho são resultado de diversos fatores que, quando combinados, podem impactar significativamente a saúde mental e o bem-estar dos colaboradores. É fundamental identificar e compreender estes fatores para desenvolver estratégias efetivas de prevenção e mitigação.

Carga de trabalho excessiva: Prazos curtos e alta demanda de trabalho que ultrapassam a capacidade do

Trabalhador(a). Inclui sobrecarga de responsabilidades, múltiplas tarefas simultâneas, horas extras frequentes e expectativas irrealistas de produtividade.

Falta de controle sobre as tarefas: Pouca autonomia na tomada de decisões e no planejamento do próprio trabalho. Envolve processos rígidos, microgerenciamento excessivo, falta de participação em decisões importantes e limitação na escolha de métodos de trabalho.

Falta de suporte da liderança: Gestores distantes ou desinteressados que não fornecem orientação adequada. Caracteriza-se por ausência de feedback construtivo, falta de reconhecimento, comunicação inadequada e indisponibilidade para resolver problemas ou oferecer mentoria.

Conflitos interpessoais: Assédio moral, falta de comunicação e relacionamentos tóxicos no ambiente de trabalho. Inclui discriminação, bullying, rivalidades não saudáveis, formação de grupos excludentes e falta de cooperação entre equipes.

Ambiente físico inadequado: Iluminação ruim, ruídos e desconforto térmico que afetam o bem-estar físico e mental. Abrange também problemas como falta de ergonomia, espaço insuficiente, ausência de áreas de descanso e exposição a condições insalubres ou perigosas.

A identificação destes fatores é o primeiro passo para criar um ambiente de trabalho mais saudável e sustentável. As organizações devem avaliar regularmente a presença destes elementos e implementar medidas preventivas e corretivas adequadas.

Principais categorias de riscos psicossociais

Relacionados à organização do trabalho

Sobrecarga de trabalho, Metas irreais ou pouco claras, Falta de autonomia, Pressão excessiva por prazos, Trabalho repetitivo ou monótono, Horários irregulares ou extensos.

Relacionados ao ambiente social

Assédio moral ou sexual, Isolamento social, Conflitos interpessoais, Falta de apoio da liderança, Discriminação, Comunicação inadequada.

Relacionados ao ambiente físico:

Ruído excessivo, Calor ou frio extremo, Iluminação inadequada, Espaço de trabalho limitado, Exposição a substâncias perigosas, Ergonomia inadequada NR 17.

Métodos para Identificação de Riscos

Observação direta: Analisar comportamento dos Trabalhadores(as) no ambiente de trabalho, identificando sinais de estresse, conflitos interpessoais e dificuldades na execução das tarefas. Esta observação deve ser realizada de forma sistemática e documentada, considerando diferentes momentos e situações do dia a dia.

Pesquisas e questionários: Avaliar percepção dos trabalhadores através de instrumentos estruturados que abordem temas como carga de trabalho, relacionamentos interpessoais, equilíbrio vida-trabalho e satisfação profissional. Os questionários devem ser anônimos para garantir respostas sinceras e podem ser aplicados periodicamente para monitorar mudanças ao longo do tempo.

Grupos focais “especializados”: Reuniões para discutir o tema de forma aprofundada, permitindo que todos compartilhem suas experiências e preocupações em um ambiente seguro e colaborativo. Estes grupos devem ser conduzidos por profissionais capacitados e incluir representantes de diferentes níveis hierárquicos e departamentos. A identificação eficaz de riscos psicossociais no ambiente de trabalho é fundamental para a implementação bem-sucedida da ISO 45003. Utilizando uma combinação desses métodos, as organizações podem obter uma visão abrangente dos potenciais riscos e desenvolver estratégias adequadas para mitigá-los. É importante ressaltar que cada método possui suas próprias vantagens e limitações, e a combinação deles permite uma análise mais completa e confiável da situação.

O processo de identificação de riscos deve ser contínuo e adaptável, considerando as mudanças no ambiente de trabalho, na estrutura organizacional e nas condições externas que possam impactar o bem-estar dos colaboradores.

Como envolver os trabalhadores na identificação

Canais de comunicação abertos: Implementar canais de comunicação abertos para relatos anônimos, permitindo que os trabalhadores compartilhem suas preocupações e experiências sem medo de represálias.

Treinamento e conscientização: Oferecer treinamento e conscientização sobre riscos psicossociais, capacitando os trabalhadores a reconhecer e relatar potenciais problemas no ambiente de trabalho.

Reuniões periódicas: Realizar reuniões periódicas para escutar a equipe, criando um espaço seguro onde os trabalhadores possam expressar suas opiniões e preocupações diretamente.

Métodos de Avaliação de Riscos Psicossociais

Métodos Qualitativos

Os métodos qualitativos são fundamentais para a avaliação de riscos psicossociais, oferecendo uma compreensão profunda e contextualizada das experiências dos trabalhadores. Estes métodos permitem identificar nuances e aspectos sutis que podem ser perdidos em análises puramente numéricas.

Entrevistas individuais e em grupo: Permitem explorar em detalhes as percepções e experiências dos funcionários, facilitando a identificação de problemas específicos de cada setor ou equipe. As entrevistas podem ser estruturadas, semiestruturadas ou abertas, dependendo dos objetivos da avaliação.

Observações sistemáticas: Possibilitam a análise direta do ambiente de trabalho, das interações entre colaboradores e da dinâmica organizacional. Incluem observação participante, registros de comportamento e análise de situações críticas.

 Grupos focais: Promovem discussões em grupo que podem revelar problemas comuns e soluções coletivas, além de facilitar a compreensão de dinâmicas interpessoais.

 Análise documental: Estudo de registros, relatórios e documentos internos que podem indicar padrões de comportamento e áreas problemáticas.

Métodos Quantitativos

Os métodos quantitativos fornecem dados mensuráveis e comparáveis, essenciais para uma avaliação abrangente dos riscos psicossociais. Estes métodos permitem análises estatísticas robustas e comparações objetivas entre diferentes períodos ou departamentos.

Questionários padronizados: Oferecem uma forma estruturada de coletar informações de um grande número de funcionários, incluindo escalas validadas internacionalmente e instrumentos específicos para diferentes setores profissionais. Permitem avaliações periódicas e comparação de resultados ao longo do tempo.

 Estatísticas e análise de dados: Permitem a análise de tendências e padrões em larga escala, incluindo taxas de absenteísmo, rotatividade, produtividade e indicadores de saúde ocupacional. Facilitam a identificação de correlações entre diferentes variáveis e fatores de risco.

 Indicadores de desempenho: Métricas específicas relacionadas ao bem-estar e satisfação dos funcionários, incluindo avaliações de clima organizacional e índices de engajamento.

 Análises comparativas: Benchmarking com outras organizações do mesmo setor ou porte, permitindo identificar áreas de melhoria e boas práticas.

A combinação de métodos qualitativos e quantitativos proporciona uma avaliação mais completa e precisa dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho.

Ferramentas para análise de riscos psicossociais

Riscos Psicossociais e “FATORES DE RISCOS PSICOSSOCIAIS RELACIONADOS AO TRABALHO nos termos da NR 1 PGR”, devem ser perfeitamente entendidas para não fazer das Organizações uma clínica de diagnóstico e tratamento de riscos psicossociais. É relacionado ao trabalho/organização da atividade ocupacional. Existe um processo originário cujo o foco,  é a prevenção. Educação para a saúde no âmbito do PCMSO vinculado aos riscos reconhecidos e categorizados no PGR

Casos suspeitos, requer encaminhamentos específicos, com profissionais ou grupos de apoio especialmente constituídos para uma ” avaliação específica, individual e eficaz dos riscos psicossociais requer o uso de ferramentas validadas e cientificamente comprovadas. Cada ferramenta oferece perspectivas únicas e complementares para uma análise abrangente. Por exemplo:

COPSOQ – Copenhagen Psychosocial Questionnaire

Ferramenta abrangente para avaliação de riscos psicossociais. Desenvolvida na Dinamarca, amplamente utilizada internacionalmente. Avalia 23 dimensões diferentes de riscos psicossociais. Permite comparações entre setores e países diferentes. Oferece versões curta, média e longa para diferentes necessidades.

HSE Indicator Tool – Health and Safety Executive

Ferramenta do Reino Unido para identificação de estressores no trabalho. Foca em seis áreas-chave de risco psicossocial. Inclui demandas, controle, suporte, relacionamentos, função e mudança. Fornece benchmarks para comparação com dados nacionais. Oferece recursos práticos para implementação de melhorias.

DASS-21 – Depression, Anxiety and Stress Scale

Escala de 21 itens para avaliar depressão, ansiedade e estresse. Útil para identificar sintomas de saúde mental no ambiente de trabalho. Permite avaliação rápida e eficiente do bem-estar psicológico. Facilita o monitoramento de mudanças ao longo do tempo. Auxilia na identificação precoce de problemas de saúde mental.

A escolha da ferramenta adequada depende de diversos fatores, como o tamanho da organização, os objetivos específicos da avaliação e os recursos disponíveis. É recomendável combinar diferentes ferramentas para uma análise mais completa e precisa dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho.

Papel da liderança  e participação dos Trabalhadores é fundamental na gestão de riscos

Gestores como exemplo – Em todos os níveis, promover um ambiente saudável é uma responsabilidade fundamental dos gestores. Eles devem liderar pelo exemplo, demonstrando comportamentos e atitudes que contribuem para um clima organizacional positivo e psicologicamente seguro.

Apoio ativo – Oferecer suporte e feedback aos trabalhadores(as) é essencial para uma gestão de riscos eficaz. Os líderes devem estar disponíveis para ouvir, orientar e fornecer o apoio necessário para que os funcionários possam lidar com os desafios do ambiente de trabalho.

Como criar um ambiente psicologicamente seguro

Cultura de respeito: Evitar punições e retaliações.

Espaço para diálogo: Reuniões para tratar problemas emocionais.

Comunicação aberta: Incentivar a expressão de ideias e preocupações sem medo de julgamento.

Liderança empática: Gestores treinados para ouvir ativamente e responder com compreensão.

Criar um ambiente psicologicamente seguro é fundamental para o bem-estar dos empregados(as) e o sucesso da organização. Isso envolve estabelecer uma cultura onde todos se sintam valorizados e respeitados, independentemente de sua posição ou background.

O caminho se faz caminhando. Disposição para a aprendizagem e aperfeiçoamento gera engajamento. Engajamento gera a cultura prevencionista!!! Um desejo, uma aspiração, uma necessidade.

Roteiro e adaptação ISO 45003 by

Os artigos reproduzidos neste blog refletem única e exclusivamente a opinião e análise de seus autores. Não se trata de conteúdo produzido pela RSData, não representando, desta forma, a opinião legal da empresa.

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