Fatores humanos: influência na metodologia de avaliação de riscos (pt 01)

NR 4

Fatores humanos: influência na metodologia de avaliação de riscos (parte 01)

O que é o fator humano?

A expressão “fator humano” é geralmente usada para descrever a interação de indivíduos uns com os outros, com equipamentos, ambientes e instalações, e com sistemas de gestão. Esta expressão também é usada para descrever como essas interações são influenciadas por um ambiente de trabalho e cultura.

Sempre que o indivíduo perceber-se ameaçado por algum fator resultante destas relações (exógenos), ele consciente ou inconscientemente responderá. Primeiro por mecanismos primários ou instintivos de defesa, depois racionalizados, aparecem as estratégias ou o coletivo de proteção. Logo, o comportamento humano pode sofrer inúmeras alterações, até mesmo por fatores endógenos. A complexidade de todas estas relações fragilizam o indivíduo, provocando ações ou reações inesperadas com reflexos em desvios comportamentais dos quais podem resultar perda de controle e o favorecimento de ocorrências ocupacionais/evento danoso.

Das diretrizes da norma BS OHSAS 18002:2010 tem-se que “Fatores humanos, como capacidades, comportamentos e limitações, que devem ser levados em consideração [ver item c) da seção 4.3.1 da OHSAS 18001:2007] ao se avaliar os perigos e riscos dos processos, equipamentos e ambientes de trabalho.

Recomenda-se que os fatores sejam considerados sempre que houver uma interface humana, levando em conta questões como facilidade de uso, potencial para erros operacionais, fadiga, tensionamento do trabalhador, entre outros.

É imprescindível que toda e qualquer avaliação de riscos ocupacionais considere os fatores humanos, no processo da organização para a identificação de perigos levando-se em conta alguns dos seguintes itens e suas interações:

  • Natureza do trabalho (arranjo físico do local de trabalho, informações do operador, ritmos, exigências, carga de trabalho, trabalho físico, padrões de trabalho, relações hierárquicas), etc.;
  • Ambiente de trabalho / Perigos (calor, umidade, radiações, iluminação, ruído, vibrações, frio, qualidade do ar);
  • Comportamento humano (temperamento, humor, relacionamento, hábitos, atitude);
  • Capacidades psicológicas (cognição, resiliência, atenção);
  • Capacidades fisiológicas (biomecânica, fisiológica, antropometria / variação física das pessoas).

Portanto, como fatores humanos podem ser considerados não apenas o comportamento das pessoas (elemento subjetivo como disciplina, temperamento, iniciativa, postura, hábitos) como também o contexto e as relações que se processam e sua interação com do trabalhador (ambiente de trabalho, comandos, stress e tensão), ambiente fora do trabalho (problemas em casa, saúde de familiares, dívidas, etc), fatores ambientais (calor, frio, ruído), e as capacidades psicológicas (visão em túnel e/ou visão periférica, doenças pré existentes, hipersensibilidade, capacidade de concentração) como as capacidades fisiológicas (disposição e vigor físico, resistência, etc.) e limitações (físicas ou psicológicas) – como fobias, medos, traumas, deficiências ou desvantagens físicas e sociais.

Uma visão “holística”, por concepção, nas ciências humanas e sociais, que defende a importância da compreensão integral dos fenômenos e nunca da análise isolada de seus constituintes é a razão pela qual não se recomenda precipitação, imprudência ou até mesmo a negligência no exame de todos os fatores que podem originar o evento danoso (acidente ou doença ocupacional).

Mesmo reconhecendo que todos os protocolos e procedimentos de segurança e todos os equipamentos de proteção utilizados na Organização, esses não serão suficientes para evitar um acidente se o trabalhador estiver sem condições físicas, emocionais, psicológicas ou comportamentais de trabalhar.

Podemos destacar que a moderna gestão e o gerenciamento de riscos ocupacionais deve considerar o ser humano como um todo, e não apenas a partir do momento em que inicia sua jornada de trabalho. Treinou, está resolvido. Ao considerar estes fatores humanos a Organização vai avaliar temas e interfaces como, por exemplo:

✓ qual o ambiente familiar do funcionário? Está tendo problemas em casa? Tem algum familiar doente? como é o dia a dia do trabalhador na atividade ocupacional? Há pressão exacerbada por metas? As pessoas estão constantemente apressadas em cumprir prazos, negligenciando protocolos de segurança? Há carga excessiva de trabalho? Tensionamento das relações, Stress?

✓ como anda a saúde e tranquilidade financeira do mesmo? Está com dívidas, constantemente preocupado? Os pensamentos e atenção estão desviados para problemas de fora da empresa?

✓ temperamento/perfil do trabalhador é compatível com a função? Há limitações físicas ou psicológicas para o trabalho? Quais são seus medos, ansiedade, angústias paradigmas e fobias? Tem alguma dificuldade física? Hostilidades e baixa capacidade de resiliência?

✓ o trabalhador apresenta problemas de vício (jogos, bebida, drogas, dentre outros) que possam colocá-lo em risco dentro da empresa ou fora dela ou que possam debilitar sua capacidade de concentração e física?

Pedro Valdir Pereira

Safety Technician-Ergonomics, Occupational hygienist, Health and Safety /Reg. MTb. 45/00069-2 Formação Profissional Coaching Gerencial;
Técnico Internacional em Emergências Químicas – Especialista em Atendimento de Emergências – NFPA 472 U.S.A;
HazMat Technician Standard for Professional Competence of Responders to Hazardous Materials Incidents – Technician Level – transportation technology center, University of Texas at Austin – inc. USA;
Instrutor Credenciado CMBM / CBM RS REG. N° 000.185 / 2011, N° 0.379 / 2013, 551/2015, 733/2017, 078/2019;
Juiz do Tribunal de Mediação e Arbitragem do RS / TMA RS – Matrícula TMA/RS 1328;
Consultor Técnico – Defesa Civil RS;
Membro da Cruz Vermelha Internacional – Vale do Taquari;
Delegado Eleito para representar o RS na Conferência Nacional de Defesa Civil – Brasília em NOV 2014;
Instrutor, Professor, Comunicador, Palestrante, Coordenador de SST, Consultor Técnico em SST.

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