GRO: Risco Inerente e Risco Residual

Risco Inerente e Risco Residual no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais. Você sabe a diferença entre eles?

Tenho percebido que alguns profissionais possuem algumas dificuldades no momento de avaliar os riscos e uma dúvida muito comum é entender a diferença entre Risco Inerente e Risco Residual.

Sabemos que a NR-01 traz em seu texto a necessidade de elaboração do Inventário de Riscos Ocupacionais para compor o PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos) e que o inventário deve contemplar diversas informações. Dentre elas a avaliação dos riscos ocupacionais, incluindo a classificação para fins de elaboração do plano de ação e critérios adotados para avaliação dos riscos e tomada de decisão.

Precisamos entender que risco é uma incerteza, ou seja, é algo que poderá ocorrer ou não. Porém, certos fatores indicam uma maior ou menor probabilidade de ocorrer e influenciam na severidade do dano em caso de uma ocorrência.  

Conduzir um carro em uma rodovia e algo corriqueiro, mas isso não significa que não seja algo perigoso e que não existe riscos associados a essa operação. Existe uma probabilidade muito alta de ocorrer uma colisão e também uma severidade que poderá ser catastrófica para o condutor.

Mas isso, não significa que toda vez que sairmos de carro em uma rodovia, iremos sofrer um acidente.

Não percebemos, mas de alguma maneira já foi feito um Inventário de Riscos para essa atividade e em algum momento foram calculados o Riscos Inerentes e o Riscos Residuais.

Conduzir um carro por uma via, leva o condutor a se expor a diversos riscos. Podemos citar riscos como: colisão, capotamento, incêndio do veículo, movimentos repetitivos, postura estática(sentado por longos períodos), vibração, ruído, calor e outros.

Uns mais relevantes e outros nem tanto. Para saber qual seria o mais relevante, precisaríamos realizar uma avaliação de riscos ocupacionais. Considerando a probabilidade e a severidade em cada um deles. 

Mas como conduzir um veículo poderia ter relação entre os riscos inerentes e riscos residuais?

Para fazer essa relação, será preciso explicar cada um deles.

Para Riscos Inerentes podemos pensar de duas maneiras.

A primeira seria os riscos que são inerentes de um processo, atividade, produto ou organização. Seria um risco intrínseco de algo ou de alguma coisa.

Ex.: É intrínseco da gasolina ser inflamável. Sempre que você tiver gasolina armazenada existirá um risco de incêndio. Pois é uma característica essencial do produto e de certa maneira é isso que esperamos dele.

A segunda maneira de pensar o Risco Inerente e talvez complementar a primeira é considerar como o nível de risco antes de quaisquer ações de mitigação de risco.

Em meus treinamentos gosto de usar o exemplo de uma pessoa que nunca cavalgou que decide montar em um cavalo que ainda não foi adestrado sem utilizar sela ou qualquer outro dispositivo.

Analisando a probabilidade e a severidade do risco de queda nesta situação, você terá o chamado Risco Inerente.

Em seu Inventário de Riscos Ocupacionais este risco seria classificado como Baixo, Médio, Alto ou Muito Alto? Acredito que para isso você irá precisar se imaginar nesta situação.

O adestramento, a sela e a experiência já são medidas de controle para o risco em questão.

Voltando ao exemplo da gasolina, imagine um tambor de 100 litros de gasolina que sempre que um trabalhador precisa pegar o combustível para abastecer a sua roçadeira, ele vai até ao local com uma garrafa pet de refrigerante, abre uma torneira e enche a garrafa. Ele não tem treinamento, não tem placa proibindo fumar no local, o local não é ventilado e nem mesmo o tambor não é o adequado para o produto.

Ao avaliar o risco de incêndio neste local, estaremos calculando o risco inerente. 

Já o risco residual é o nível de risco após ter levado em consideração as ações de mitigação de risco, ou seja, as medidas de prevenção implementadas em resposta ao risco identificado, analisado e avaliado.

As medidas de controle implementadas também devem ser listadas no Inventário de Riscos Ocupacionais conforme 1.5.7.3.2 alínea c;

…descrição de riscos gerados pelos perigos, com a indicação dos grupos de trabalhadores sujeitos a esses riscos, e descrição de medidas de prevenção implementadas.

Além disso segundo a NR-01, a avaliação de riscos deve constituir um processo contínuo e ser revista a cada dois anos ou quando entre outros fatores ocorrer a implementação de medidas de prevenção, para assim avaliar os riscos residuais.

Cada medida de controle atua de uma maneira sobre o risco. Elas possuem um peso ou força de controle/mitigação do risco. Uma sinalização não tem a mesma força de uma proteção coletiva.

Então podemos pensar de uma maneira matemática que:

RI = P x S

RR: RI x FMP

Onde: RI= Risco Inerente

P= Probabilidade

S= Severidade

RR= Risco Residual

FMP= Força das Medidas de Prevenção sobre o Risco

Agora vamos retornar na situação em quem você estará dirigindo seu carro em uma estrada sem nenhuma medida de controle. Qual seria a classificação do Risco Inerente, para cada risco avaliado?

Acredito que muito alto para quase todos os riscos.

Para que você possa dirigir com segurança em nossas estradas, uma dezena ou até centenas de medidas de segurança foram propostas. Elas vão deste o projeto do carro como: pontos de controle de estabilidade, pneus com maior aderência, resistência das colunas em caso de colisão, ensaios e testes, projeto dos cintos, airbag, regulagens de banco, dispositivos elétricos para evitar curtos, controle para evitar o vazamento de combustível. Podemos dizer que não medidas aplicadas ao equipamento.

Também teremos medidas aplicadas no trabalhador, que no caso é você. Um processo de autorização para conduzir, treinamento teórico e prático e exames médicos.

Outras medidas serão aplicadas no ambiente: Um projeto da pista, plano de trânsito, sinalizações, redutores de velocidade, faixas e outras.

Medidas para terceiros como: Passarelas e regras de circulação.

Medidas de Fiscalização:  Fiscalização dos órgãos de transição e radares. 

Enfim, são muitas medidas de controle. Após a aplicação de todas essas medidas de controle temos um Risco Residual, que é bem inferior ao Inerente. Mas isso, não significou que o risco de você ter uma colisão com seu carro, tenha sido eliminado. Somente está em um nível aceitável e elas precisam ser mantidas e aprimoradas constantemente.

Para finalizar a Committee of Sponsoring Organizations of the Treadway Commission (COSO) considera que administração deve levar em conta tanto o risco inerente quanto o residual. Risco inerente é o risco que uma organização terá de enfrentar na falta de medidas que a administração possa adotar para alterar a probabilidade ou o impacto dos eventos. Risco residual é aquele que ainda permanece após a resposta da administração. A avaliação de riscos é aplicada primeiramente aos riscos inerentes. Após o desenvolvimento das respostas aos riscos, a administração passará a considerar os riscos residuais.

WESLEY SILVA
• Diretor da Innove Consultoria e Treinamentos;
• Engenheiro de Segurança do Trabalho;
• Pós-graduado em Ergonomia, Direito Trabalhista e Previdenciário;
• MBA em Liderança, Gestão e Inovação;
• Consultor em Segurança do Trabalho em empresasdo ramo de siderurgia, mineração e telecomunicações;
• Especialista na Gestão de SST com mais de 13 anos de experiência;
• Capacitado em Gestão de Riscos pela University of Chicago

Os artigos reproduzidos neste blog refletem única e exclusivamente a opinião e análise de seus autores. Não se trata de conteúdo produzido pela RSData, não representando, desta forma, a opinião legal da empresa.

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