GRO – GESTÃO DE RISCOS OCUPACIONAIS – INDICADORES ESTRATÉGICOS PARA A TOMADA DE DECISÃO “ Ativos e Reativos”
Dando continuidade na séria dos artigos sobre a GRO, focando na Gestão de SST, nesta semana, nosso super Pedro traz uma nova abordagem sobre os indicadores que nos auxiliarão na hora de avaliar, medir e comparar pra chegar numa gestão de excelência. Vamos lá?!
\”A Sustentabilidade na gestão e controle em Segurança e Saúde no Trabalho está alicerçado na capacidade de percepção dos fatores de riscos ambientais. Ao deixar de perceber qualquer fator de ameaça, perde-se a base. Fica severamente comprometida e eficiência e a eficácia da prevenção de acidentes a promoção da saúde no trabalho.
Entre as atribuições legais e regulamentares do Profissional de SST, está a antecipação, a análise e o controle de riscos através do planejamento e a priorização de medidas de controle.
A NBR ABNT 14.280 válida a partir de 30.03.2011, alinhadas com o que estabelece a NR 1 – Disposições Gerais e NR 4.12 Atribuições dos profissionais integrantes do SESMT, oferece uma boa estrutura técnica para esta construção. Diante disto, propomos algumas reflexões sobre “indicadores estratégicos na gestão de sst”
- Veja também nosso software de indicadores de desempenho
No Brasil, sabidamente ainda há equívocos persistentes no que tange ao gerenciamento de riscos. A premissa basal é “reconhecer e admitir” a existência de um fator de risco. Logo, quando o profissional responsável tem dificuldades de admitir, de enxergar determindo risco, pra ele o problema não existe. Se não existe, resolvido estaria.
“ Aquele que não reconhece, não mede. Quem não mede, não gerencia ”
Por tanto, reconhecer é admitir, aceitar a existência ou a possibilidade de uma condição ou situação de risco. Deixar de perceber esta verdade existente, vulnerabiliza todo um projeto de gestão de Segurança e Saúde no Trabalho.
Identificar é localizar a origem desta situação, condição ou ameaça. A partir desta racionalização, tratá-las!
Neste contexto, o gerenciamento desta situação, condição de ameaça (risco), reveste-se de fundamental importância os Indicadores de desempenho. Medir, situar-se, entender onde está, pra onde vai, como vai e o quanto quer ir adiante nesta construção evolutiva. Contar com ferramentas de apoio a gestão, validadas pelo planejamento estratégico é fundamental na gestão e controle de riscos em SST.
- Inovação (novo objetivo) ou Manutenção (continuidade…)
- Ordem de sequência enumerada dos objetivos / metas
- Objetivo Estratégico – o Que eu quero de forma ampliada alcançar? Aquilo pode impactar positivamente, reduzir tempo, custos, fases… maximizando resultados atuais.
- Responsabilidade – Que será o dono, o responsável pela consecução deste objetivo, elemento, ação?
- Ação Estratégica – Com fazer este diferencial acontecer, um passo a passo, detalhamento da ação.
- Meta Relevante, Específica e Mensurável – Foco, onde quero chegar, quanto quero alcançar? A meta é específica.
- Status da Meta – Acompanhamento permanente de seu desenvolvimento a partir da criação da meta.
- Indicadores – revelam o dimensionamento de resultados pretendidos. Permitem quantificar o desempenho obtido. Demonstrativo de resultados.
- Prioridade – será dada pelo responsável uma priorização, podendo ser pela gravidade, consequências, nº de pessoas expostas, e outros. Cabe salientar que a nova NR 1 já em vigor, estabelece uma hierarquia para implantação das medidas de controle EPCs.
- Meta Temporal – Uma meta secundária no Planejamento estratégico, porém não menos importante. Em quanto tempo (aceitando que a Análise Global do PPRA e outros será no mínimo, uma vez por ano), ele deve estar previsto para 12 meses.
- Custo – Previsões orçamentárias, orçamentos, projetos, execução
Analisar e tratá-los é um dever do gestor de SST. Neste contexto, os indicadores estratégicos de desempenho tem importância ímpar. Veja quadro abaixo com ao 11 campos para o demonstrativo de resultados. Vejamos algumas importantes alternativas na consecução do objetivo proposto por cada organização de trabalho.
Exemplo:
INDICADORES FINANCEIROS ATIVOS
1.Valor (R$) de Investimentos em EPC – Equipamento de Proteção Coletiva? Meta Estabelecida. Por setor: Valor Mensal, acumulado no ano, por setor e per capita.
2.Valor (R$) de Investimentos em Monitoramento da saúde (Exames médicos, clínicos e complementares)? Meta Estabelecida. Por setor: Valor Mensal, acumulado no ano e per capita.
3.Valor (R$) de Investimentos em Atividades educativas (Cursos, Palestras, Treinamentos, etc) Prevenção de acidentes e doenças, promoção da saúde?
Meta Estabelecida. Por setor: Valor Mensal, acumulado no ano e per capita.
ALGUNS INDICADORES ATIVOS – ANTECIPA, PREVINE, CONTROLA NA FONTE GERADORA
- Nº de Inspeções/ Vistorias de SST x Nº de NC evidenciadas
- Nº de Auditorias de SST realizadas x Nº de NC evidenciadas
- Nº de Não Conformidades Reconhecidas x Nº de Relatório de Ação Corretiva aberto para tratamento
- Nº de RAC abertos x Nº de Soluções concretizadas/Implantadas;º de Eventos
- Nº Inspeções de Fiscalização SST Uso de EPIs – Coeficiente de Uso /Determinação Indice Uso de EPI (Mensurar Indicador de Uso Efetivo)
- Nº Solicitação de providencia de Segurança Emitida x Nº de SPS atendidas.
- Nº de Horas Homem Treinamento realizadas
- Valor Investido em capacitação de pessoas (Cursos, Palestras, Treinamentos, Instruções, etc)
- Nº de Eventos (Campanhas de Prevenção de Acidentes) Realizadas
- Nº de Projetos de EPCs implantados com resultado de melhorias
- Nº de Análise Global do PPRA realizadas
- Nº de Audiometrias realizadas x Nº Alteradas
- Nº de Exames de RX realizados x Nº Alterados
- Nº de Exames de Espirometria realizados x Nº Alterados
- Nº de Exames Laboratoriais Realizados x Nº Alterados
- Nº Eventos de Educação para a Saúde realizados x nº de Atendimentos realizados
- Investimento em Tecnologias de Proteção coletiva
- Investimento em Tecnologias de proteção Individual x Investimento em Tecnologias de Proteção coletiva
- Valor Global mensal Investido em SST (Recursos humanos, estruturas, materiais e equipamentos…)
- Investimento per capita em SST por estabelecimento
- Investimento em Capacitação de pessoas (HT + Materiais + outros….)
INDICADORES REATIVOS – RESPOSTA A UMA CONDIÇÃO OU SITUAÇÃO JÁ ESTABELECIDA, CONTAMINANTE
- Valor (R$) de Investimentos em EPI – Equipamento de Proteção individual? Meta Estabelecida. Por setor: Valor Mensal, acumulado no ano e per capita.
- Taxa de Absenteísmo Meta Estabelecida. Por setor: Indicador Mensal, acumulado no ano e per capita.
- Número de Horas perdidas por acidente de trabalho; (Horas Perdidas x Horas Trabalhadas)- Meta Estabelecida. Por Setor :Indicador Mensal, acumulado no ano e per capita.
- Valor (R$) de perdas com Acidentes de trabalho? Meta Estabelecida. Por Setor :Indicador Mensal, acumulado no ano e per capita.
- Nº Acidentes de trabalho sem perda de tempo;
- Nº Acidentes de trabalho com perda de tempo de até 15 dias;
- Nº Acidentes de trabalho com perda de tempo superior a 15 dias;
- Taxa de Frequência
- Taxa de Frequência Internacional
- Taxa de Gravidade
- Total de horas de Afastamento por Acidente de Trabalho
- N.º de Incidentes ou Quase Acidentes registrados x Nº Tratamentos
- Nº de Horas Perdidas com acidentes
- Investimento em Tecnologias de proteção Individual (Físico e Financeiro)
A International Association of Industrial Accident Board and Comission – (IAIABC – Associação Internacional das Indústrias Conselhos e Comissões de Acidentes /OIT) , e a Portaria 3214/78 do Mtb, estabelece os seguintes parâmetros de avaliação para:
TAXA DE FREQUENCIA (TF):
A TF projeta o Número de Acidentes para cada um milhão de horas trabalhadas a partir do número de acidentes e horas trabalhadas corridas no mês. Dada pela fórmula:
TF = N°Ac. X 1.000.000/HHT – Referência Comparativa OIT/IAIABC
Presume-se que a permanecer esta condição, quando se alcançar um milhão de horas trabalhadas teremos “ x” acidentes.
TAXA DE FREQUENCIA INTERNACIONAL
A TFI (maior severidade) projeta o Número de Acidentes para cada um milhão de horas trabalhadas a partir do número de acidentes com e sem afastamento e horas trabalhadas corridas no mês. Calcula-se com maior Severidade pois inclui os acidentes sem afastamento também. Fórmula de Cálcular:
TFi = Nº de Ac. Com Afastamento + Nº Ac. Sem Afastamento x 1.000.000 / HHT – Referência comparativa OIT / IAIABC:
TAXA DE GRAVIDADE:
A TG projeta o tempo (Dias perdidos) de afastamento computado por milhão de HHT. Deve ser expressa em números inteiros e calculadas pela fórmula:
TG = (Nº. DIAS PERDIDOS + DIAS DEBITADOS) X 1.000.000 : HHT – Referência comparativa OIT / IAIABC:
Lembre-se dos Indicadores de Desempenho – Todo o Estabelecimento deve possuir Indicadores de Desempenho pelo qual possa medir sua performance na gestão de SST – Exemplos de Indicadores além das Taxas de Gravidade, de Frequência e de Frequência Internacional que podem ser utilizados:
Na legislação Brasileira não encontramos ferramenta específica para mensurar e analisar resultados de desempenho em SST. Todavia, e a critério da empresa, esta poderá utilizar-se das ferramentas reconhecidas e validadas internacionalmente, como: MASP, SWOT, 5S, 5W1H, 5W2H, MGUT, AIHA, OSHAS, Diagrama de Ishikawa ou ainda, fazer a sua própria estrutura que entender melhor adaptar-se a sua realidade/necessidade.
Lembrando mais uma vez…….
Quem não reconhece, não mede. Quem não mede não gerencia!
Pedro Valdir Pereira
Consultor de Saúde e Segurança do Trabalho
Instrutor de Treinamentos Credenciado pelo Corpo de Bombeiros/ RS Matrícula 000185/2011 e 00379/2013
Técnico Internacional em Emergências Químicas – Especialista pela NFPA 472 – HazMat Technician Standard for Professional Competence of Responders to Hazardous Materials Incidents – Technician Level – transportation technology center, University of Texas – inc. USA
Safety Technician – Ergonomics, Occupational hygienist, Health and Safety
Delegado Eleito para representar o RS na Conferência Nacional de Defesa Civil – Brasília em NOV 2014






