Futuro das Relações no Trabalho e a Segurança

O futuro das relações no trabalho e o papel da Segurança passa por alguns dos tópicos em que se inicia uma discussão filosófica, dos quais gostaria de apresentar três deles:

1)   Desenvolvimento das capacidades da força de trabalho versus “uberização” para viabilizar Negócios ; Esse fenômeno da terceirização “barata” da atividade fim é uma tendência em que quase todas as empresas têm embarcado para “sobreviver” a um ambiente globalizado e altamente competitivo. A Segurança dentro deste contexto sofre impactos profundos. Assim, a precarização da prevenção é certa e os indicadores da empresa matriz, espertamente, não são contabilizados em seus nefastos efeitos na prevenção para seus acionistas e principais stakeholders. Investir eticamente na educação dos terceirizados, como forma de sustentabilidade e promoção social é o caminho para uma empresa poder balancear suas necessidades de custos do negócio e sua responsabilidade social, mas para isto a alta liderança deve se conscientizar desta necessidade para seu futuro organizacional.

2)   Interação humano-sistema (micro perspectiva) versus confiabilidade organizacional (meso perspectiva). Quando se analisa o comportamento humano individual dos colaboradores dentro de uma organização foca-se nas características, atitudes, percepções e ações de cada pessoa estamos falando assim ada relação homem-sistema em uma ótica de micro perspectiva. Em oposição quando a análise é mais mais amplas de grupos ou da organização como um todo, estamos falando de meso perspectiva, ou seja, um ponto de vista que considera grupos dentro de um sistema maior. A Segurança, predominantemente, tem uma visão de micro perspectiva focando somente na relação humano-sistema e perde assim a ação de um todo no grupo, sendo ainda pouco estudado no sistema, o que socialmente falando, tem muito mais poder de transformação do contexto do que com o indivíduo isolado. Portanto, a confiabilidade organizacional se fortalece em grupos e não somente nos indivíduos isoladamente, sendo para tanto, necessário uma valorização dos grupos nas decisões e valorização destes como protagonistas do sistema e não somente subservientes.

3)   Uso massivo da tecnologia digital versus a adaptabilidade de valores humanos como empatia e ética; Dentro dos sistemas sociotécnicos complexos, observa-se onde pode ser sensato usar alguma forma de automação e onde as capacidades humanas superam as da tecnologia. Neste contexto os fatores emocionais e de valorização da intenção humana já são suficientes para a tomada de decisão humana sobre o certo e o errado. Nasce então uma nova forma de enxergar a condição de homem-tarefa, não mais linear como um algoritmo, mas sim coparticipativa entre a tecnologia (exemplo, em conjunto com a IA) e a decisão ponderada de contexto enxergado pelo humano (empático e ético) como o filtro final, ou seja, uma coparticipação homem-máquina.

Os artigos reproduzidos neste blog refletem única e exclusivamente a opinião e análise de seus autores. Não se trata de conteúdo produzido pela RSData, não representando, desta forma, a opinião legal da empresa.

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