Feedback em SST: ferramenta de gestão para fortalecer a cultura de segurança

Vivian de Fátima, no artigo “Feedback não é lembrança, é ferramenta de gestão em SST”, mostra que feedback vai muito além de elogio ou recordação.
Na gestão moderna de SST, ele ajuda a fortalecer cultura, engajamento e reconhecimento. O desafio é deixar de tratar bons resultados como algo simbólico e passar a usá-los como aprendizado organizacional.
Com a NR-01 e os riscos psicossociais em pauta, o feedback se torna uma ferramenta estratégica para ambientes mais seguros e saudáveis.

Feedback não é lembrança, é ferramenta de gestão em SST

Por: Vivian de Fátima

Em um cenário cada vez mais orientado por desempenho, cultura organizacional e prevenção, ainda é comum vermos o feedback sendo tratado como algo simbólico, quase um “agrado”, e não como uma poderosa ferramenta de gestão.

Mais do que um simples retorno, o feedback é um dos pilares para fortalecer cultura, engajamento e segurança no ambiente de trabalho, especialmente diante das atualizações da NR-01 (Norma Regulamentadora nº 1), que ampliam o olhar para os riscos psicossociais.

Recentemente, acompanhei uma situação que ilustra bem isso.

Após a conclusão de um treinamento em Saúde e Segurança do Trabalho, o profissional recebeu dos trabalhadores um retorno extremamente positivo: reconheceram sua didática, destacaram o quanto aprenderam e reforçaram que os quatro dias foram produtivos e prazerosos.

Motivado, levou esse resultado à diretoria.

A resposta?

“Parabéns, recorte a mensagem e guarde de recordação no seu WhatsApp.”

À primeira vista, pode parecer um elogio. Mas, sob a ótica da gestão em SST, essa resposta revela algo mais profundo: a ausência de maturidade na gestão do feedback como instrumento estratégico.

O que a gestão moderna de SST exige?

Com a atualização da NR-01 (Disposições Gerais e Gerenciamento de Riscos Ocupacionais), especialmente com a inclusão dos fatores de riscos psicossociais, o papel da liderança se torna ainda mais crítico.

A norma reforça que:

  • O gerenciamento de riscos vai além do ambiente físico;
  • Envolve organização do trabalho, relações interpessoais e reconhecimento;
  • A comunicação eficaz e o engajamento são pilares para ambientes seguros e saudáveis.

Nesse contexto, o feedback deixa de ser “gentileza” e passa a ser fator de risco ou de proteção.

O impacto invisível de um feedback mal conduzido

Quando um profissional entrega resultado, gera valor e promove aprendizado e isso não é reconhecido de forma estruturada, alguns efeitos silenciosos podem surgir:

  • Desmotivação progressiva;
  • Redução do engajamento; 
  • Perda de senso de propósito;
  • Fragilidade na cultura de segurança .

E aqui está o ponto crítico: isso também é risco ocupacional.

Sim, riscos psicossociais não nascem apenas de pressão excessiva ou conflitos, eles também surgem da ausência de reconhecimento e validação profissional.

Feedback estratégico: o que deveria ter acontecido?

Uma gestão alinhada à NR-01 poderia ter transformado esse momento em algo muito mais potente:

  • Reconhecer formalmente o resultado alcançado;
  • Associar o impacto do treinamento aos indicadores de SST;
  • Reforçar o comportamento positivo como modelo organizacional;
  • Estimular a replicação da prática em outros setores;

Ou seja, sair do “guarde como lembrança” para o “vamos transformar isso em padrão”.

SST além do cumprimento legal

Profissionais de Saúde e Segurança do Trabalho sabem: não basta cumprir norma é preciso gerar cultura.

E cultura se constrói com:

  • Liderança consciente;
  • Comunicação eficaz;
  • Reconhecimento genuíno;
  • Feedback estruturado.

Empresas que ainda tratam esses elementos como secundários tendem a ficar para trás, não apenas em performance, mas em sustentabilidade organizacional.

Para refletir

Se você é liderança, profissional de SST ou atua com gestão de pessoas, vale a provocação:

Quando alguém da sua equipe entrega um excelente resultado, você transforma isso em aprendizado organizacional ou apenas em uma mensagem esquecida no WhatsApp?

No fim das contas, a pergunta que fica é:

Quem é você na fila do pão?

Os artigos reproduzidos neste blog refletem única e exclusivamente a opinião e análise de seus autores. Não se trata de conteúdo produzido pela RSData, não representando, desta forma, a opinião legal da empresa.

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